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Superstições e crendices sobre
vagalumes Gabriel Soares de Souza na Bahia, em 1587, conta uma estranha estória, provavelmente ligada aos Phengodidae: "Também se criam outros bichos na Bahia mui estranhos, a que os índios chamam buijejá [de mboi= cobra, ieiá=suscetível de se dividir; lagarta luminosa], que são do tamanho de uma lagarta de couve, a qual é muito resplandecente, em tanto que estando de noite em qualquer casa, ou lugar fora dela, parece uma cadeia acesa, e quando anda é mais resplandecente. Tem este bicho uma natureza tão estranha que parece encantamento, e tomando-o na mão parece um rubim, mui resplandecente, e se o fazem em pedaços, se torna logo a juntar e anda como dantes; e sobre assinte se viu por vezes em diferentes partes cortar-se um destes bichos com a faca em muitos pedaços, e se tornam logo a juntar; e depois o embrulharam em um papel em oito dias, e cada dia o espedaçavam em migalhas, e tornava-se logo a juntar e reviver, até que enfadava, e o largavam". No nordeste brasileiro as crianças acreditavam que os vagalumes colocados sob um copo permitem encontrar, na manhã seguinte uma moeda junto deles. É curioso que, em uma informação procedente ainda do século passado, consta que as crianças da Toscana costumavam aprisionar vagalumes sob um copo, na esperança de achar pela manhã uma moeda em seu lugar. É incrível como certas crendices percorrem o mundo! Na Argentina, existe a crença de que o vagalume (tucotuco) indica pela direção do vôo o lugar onde há um tesouro. Para isto, costumam prendê-lo entre os dedos e depois soltá-los, observando o rumo que tomou. As crianças, especialmente, dão fé a esta crendice e forma às vezes um círculo, dispostas a não perder de vista a direção do vôo do vagalume, e pronunciando as seguintes palavras: "Vuela, vuela, tuco-tuco, Na América do Norte, encontrar um vagalume no caminho é sinal de bom presságio. Também nunca se deve matá-los, pois seria o mesmo que espantar a luz da casa, a luz, neste caso, significa felicidade, prosperidade ou outras bençãos de que se possa gozar. Os camponeses franceses afirmam que um vagalume dentro de casa impede o leite de coalhar. Segundo a meteorologia popular, uma revoada intensa desses besouros prenuncia tempestades com trovões. Isso está de acordo com d'Orbigny, o naturalista francês que no século passado percorreu vários países da América do Sul, e que, referindo-se aos vagalumes, tratava-os de "verdadeiros barômetros viventes, indicadores de trovoadas." Na Toscana, diz-se que o vagalume ilumina o trigo quando o grão começa a amadurecer na espiga; uma vez que já esteja "de bom tamanho", o inseto desaparece. A esta observação de caráter fenológico dos toscanos, podemos acrescentar ainda outra, bem antiga, do nosso velho amigo e conhecido Plínio, que no livro XVIII de sua História Natural afirmava: "Os vagalumes brilhando às vésperas é sinal de maturação do painço e do sorgo". Apesar de tudo isto, há crença generalizada em todo o Brasil que, depois de segurar um vagalume nos dedos e em seguida esfregar descuidadamente os olhos, pode-se provocar cegueira. Na Amazônia possuem certo receio desses insetos, achando que são venenosos se um vagalume cai ocasionalmente na comida, joga-se todo o prato fora! Os curandeiros de Presidente Prudente (SP) afirmam que os vagalumes têm serventia para curar cegueira, mas "só eles" (os curandeiros) podem esfregar esses insetos nos olhos "das gente cega", porque é "preciso faze uma reza que só nois conhece e sabe" (reg. L. Della Monica). Dizem também que para ter olhos bonitos, grandes e brilhantes, era preciso "esfregar os olhos dos vagalumes nas crianças, diante do espelho sem muita claridade". Se não fosse bem feito o trabalho, a criança poderia perder "para sempre a vista". Em Abaetetuba (PA; reg. N. Papavero, 1968), dois dias antes de um rapaz se encontrar com a moça desejada, coloca um vagalume numa caixa de fósforos, e na hora de fechar prende ai a ponta de um lenço. No dia do encontro, sem que a moça veja, o rapaz traça três cruzes no ar, atrás dela, com esse lenço. A moça fica perdidamente apaixonada. Finalmente, na Argentina, os roceiros catamarquenhos acreditam que os vagalumes se
introduzem nos ouvidos, deixando a pessoa surda; ao vê-los, as crianças tapam os
ouvidos. |
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