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Lendas sobre vagalumes

No ciclo dos mitos brasileiros sobre Curupira ou Caipora, os vagalumes figuram como batedores desses entes. A Lanterna Mágica de Cassiano Ricardo não é outra coisa senão a lanterna dos pirilampos:

"... o próprio Curupira
ficou com pena
e lhe arranjou uma lanterna
de pirilampos.
.......................................
Vá por aqui, direitinho,
com esta lanterna
na mão, alumiando o caminho...
e você encontrará o que procura!
E ele saiu pelo sertão,
procurando o Sol da Terra
com uma lanterna de pirilampos
na mão."

De acordo com Júlio Tinton, quando certa noite a Mãe D’Água preparava uma festa em honra ao Saci-Pererê,

"A sua gruta verde abafada nos tapumes
dos taquarais, servirá de salão.
A Iara iluminou-a
Com vinte e dois milhões de vagalumes."

Às vezes, a inspiração poética deixa fazer dos vagalumes um
estrambótico emprego, como aconteceu num poema de Cassiano Ricardo:

"Como é bicho do campo
e não tem fósforo para acender cigarro
pegou um vagalume de dois olhos
esfregou os dois olhos do dito
e botou dentro do pito
para acender seu cachimbo de barro."

Há uma lenda argentina, onde se conta que o isondú (vagalume) conduziu com sua luz a mãe que resgatava a sua filhinha, prisioneira do Yasi-Yateré, um anão que rouba crianças.

Nunes Pereira conta uma lenda dos índios Cauaiá-Parintintim, do vale do Rio Madeira (AM), em que o vagalume sai para caçar, sendo ajudado pela filha do herói mítico Baíra:

"O vagalume foi pedir a Baíra que lhe emprestasse a filha para caçar mutum, uru-mutum, jacutinga, pato, marreca.

Baíra deu.

O vagalume foi com a moça e caçou muitos bichos.
Anoiteceu e ele ainda estava caçando.
Pôs a moça na frente carregando as caças.
E acendeu a luzinha que tem na bunda.
O caminho ficou claro.

Assim chegaram à cada de Baíra que lhes disse:
- Patê acuá!

O vagalume respondeu:

- Eí!

Baíra mandou dividir a caça com os companheiros.
E o vagalume, depois de comer, se deitou com a filha de Baíra."

Os Uaicá explicam de maneira curiosa como os vagalumes, vieram a ter luz. Antigamente o vagalume não tinha luz, andando pelas escurezas, iludindo as
cunhãs alheias. O pai delas nunca enxergava a aproximação do vagalume. Um dia, ele caiu na besteira de "beneficiar"a filha de Poré (o Curupira dos Uaicá). "E Curupira é mandigueiro, faz puçanga mais os outros. O pai da cunhantã, o Poré, deu de ensino nele. Poré fez das rezas lá dele, olhaços derribas nos altos da terra. O céu relumiou, faíscos despencos de estrelas." O Poré pegou um pedaço de puriuari (estrela) e grudou na bunda do vagalume, "bem acima, no lugar de fazer precisão." Assim o vagalume de luz no rabo, toda a vez que ia conquistar as mulheres alheias, era localizado pelos pais e esposos, graças à luz...

Numa lenda dos Kamaiurá, o sapo Minorí, para não ser comido pela onça, enquanto dormia, "abriu o vagalume, tirou a lampadazinha que ele tem dentro, e passou nos olhos, para ficar luzindo e dar à onça a impressão de que ele estava acordado enquando estivesse dormindo. Depois deitou e dormiu. Noite alta a onça foi pegar o Minorí, mas, quando viu os olhos dele acesos, não pegou, pensando que estivesse acordado."

No mito de Kanassa, à procura do fogo, dos Kuikúru, enquanto Kanassa estava procurando o fogo, "levava na mão fechada um vagalume. Cansado da caminhada, resolveu dormir. Abriu a mão, tirou o vagalume, e pôs no chão. Como estava com frio, se acocorou para se esquentar à luz do vagalume."

Muniz Ferreira registrou: "Estes pequenos animais (joão-de-barro), logo ao escurecer, pegam "vagalumes" e os prendem dentro das casas a fim de iluminá-las. Duvidando desta particularidade, interrogamos diversos patrícios do interior e todos confirmaram a particularidades..."

(LENKO, Karol. Insetos nos folclore)

 

 

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