Ano V - janeiro  2003 - nº 53

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 53
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA

setaquad.gif (95 bytes)O balaio ou cesto, por José Alípio Goulart.

setaquad.gif (95 bytes)O vendedor de coco verde em meados do século XX, por Francisco Barbosa Leite.

setaquad.gif (95 bytes)Fabrico de tijolos de alvenaria no interior do Brasil, por Francisco Barbosa Leite

PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

O VENDEDOR DE COCO VERDE

Francisco Barbosa Leite


O coqueiro (cocos nucifera) empresta à paisagem nordestina um dos seus aspectos mais pitorescos.

É pouca a sua importância econômica, mas exerce sensível influência nos costumes; principalmente entre as populações litorâneas. O seu produto principal, a amêndoa, oferece diferentes tipos de aproveitamento. Focalizamos aqui a utilização da água que ela contém, e que é consumida, geralmente, em estado natural, enquanto o coco está verde.

O coqueiro tem o seu habitat em quase toda a extensão litorânea do país compreendida entre Ceará e Espírito Santo com mais freqüência e, daí até São Paulo, em declínio. Mas é sobretudo na Bahia, em Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Ceará que o seu cultivo se desenvolve com intensidade. Daí porque o vendedor de coco verde é mais encontrado nas capitais daqueles estados, ocorrendo a sua presença, esporadicamente, em cidades interioranas.

O vendedor de coco verde é tipo familiar ao transeunte urbano; pode ser encontrado nas praias, nas feiras e nas praças, em locais de bastante freqüência humana. Não tem indumentária especial e só no exercício de sua atividade adquire realce. Às vezes o produto é carregado em dois cestos suspensos de uma vara. Sob o peso da carga o trabalhador percorre os logradouros escolhidos, muitas vezes transferindo a "mercadoria" de depósitos distantes até ao local de venda; uma cerimônia festiva, uma parada militar, enfim, manifestações públicas que resultam em concorrido agrupamento humano e onde, conseqüentemente, à semelhança de refrescos e refrigerantes, a água de coco tenha a preferência.

Pelas estradas de intenso trânsito e às margens das praias de veraneio, encontramos outro tipo de vendedor de coco verde, que oferece aspecto diverso na sua atividade. A diferença está na instalação precária mas permanente, do seu negócio: uma palhoça rústica, coberta de folhas de coqueiro, nem sempre com paredes, onde os cocos se amontoam ao abrigo do sol. Sobre um jirau, à guisa de balcão, frutos descascados esperam o consumo. Alguns troncos sobre espeques ou simplesmente jogados ao chão, acomodam os fregueses quando, com agilidade e a golpes de facão, o caboclo debasta a extremidade inferior das amêndoas, perfurando-as de modo a permitir que se beba o líquido no próprio fruto.

(In Revista Brasileira de Geografia, ano 22, nº 1)

[1949]

(Tipos e aspectos do Brasil; excertos da Revista Brasileira de Geografia. 5ª ed. Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Conselho Nacional de Geografia, 1949)

Jangada Brasil © 1998-2002