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Janeiro 2002
Ano IV - nº 41

ABUSÕES

Chinelo ou sapato emborcado chama a desgraça.

Quando um galo canta antes da hora em que deve fazê-lo, houve barulho ou alguém raptou uma moça.

Quando uma coruja rasga-mortalha canta sobre uma casa, é desgraça certa.

Quando uma galinha canta como galo, é desgraça ainda pior.

Todo homem feio, de nariz torto, de olhar de porco ou por baixo das pestanas, da fala de mulher, de barbicha, de suíças ou de mãos frias, no mínimo é falso.

Quem encontra em viagem negro ou raposa encontra mau agouro.

Sobre o indivíduo marcado com qualquer defeito físico se diz: - Deus que te marcou alguma coisa te achou

Todo sapo bota feitiço.

Cascavel que morde sapo morre logo.

Para desgraçar um indivíduo, deve-se conseguir que não coma o primeiro bocado que ia levar à boca em qualquer refeição, cose-se esse bocado na boca dum sapo cururu e, enquanto este penar, penará a pessoa visada; quando morrer, ela também morrerá.

Quem ouve uma missa inteira em sonho, morre dentro um ano.

Sonhar com água é casamento ou morte certos. Com excremento, é dinheiro. Com dinheiro, é excremento. Com cobre, intriga. Com gado, prosperidade. Com passarinho, tristeza. Com vinho, alegria.

As crianças sonham muito que estão voando, o que significa que estão crescendo.

Quando um homem casado sonha que está casando, mulher vai morrer.

Sonhar arrancando dentes é aviso da morte de parente

Nenhum sonho se realiza com a pessoa com quem se sonha mas sempre com outra.

Canto de rolinha em cima da casa é sinal de mudança.

Cupim teimoso numa casa quer dizer que o dono deve mudar-se, senão vai morrer ali.

Uivo de cachorro à noite é desgraça próxima.

Menino chorão ou de orelhas compridas viverá muito.

Homem, casado, em cujo cabelo penetra fumaça de cachimbo ou de cigarro, soprada por outro, não é fiel à mulher. O solteiro é volúvel.

Chocalho de cascavel pendurado ao pescoço livra de dores de dentes.

Bicho só dá em pau tirado antes da lua minguante.

Basta bater num curandeiro ou feiticeiro com um galho de pinhão para tirar-lhe toda força.


(Barroso, Gustavo. Ao som da viola, p.586-588)

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