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Janeiro 2002
Ano IV - nº 41

CHÁS

De várias maneiras se prepara um chá, a saber:

a) Como tisana – Põe-se água a ferver e, quando estiver fervendo, acrescentam-se as ervas. Tapa-se de novo. Deixa-se ferver mais uns cinco minutos. Retira-se do fogo. Deixa-se repousar alguns minutos, bem tapada, coa-se e pronta está a tisana.

b) Por infusão – Esta forma consiste em despejar água fervendo sobre as ervas, numa vasilha, e deixá-las repousar assim, bem tapadas, durante uns 10 minutos. Para este preparo são mais apropriadas as folhas e flores. Os talos e raízes também podem preparar-se por infusão, mas devem ser picados bem fino e ficar em repouso, depois de se deitar água fervendo em cima, uns vinte ou trinta minutos.

c) Por decocção – Deitam-se as ervas numa vasilha e verte-se água fria em cima. A duração do cozimento pode variar entre 5 e 30 minutos, dependendo da qualidade das ervas empregadas. Flores, folhas e partes tenras basta cozer 5 a 10 minutos. Partes duras, como sejam: raízes, cascas, talos, picam-se em pedacinhos e cozinham-se 15 a 30 minutos. Tira-se a vasilha do fogo e conserva-se tapada durante alguns minutos mais; depois coa-se. Esta forma é mais recomendável para as cascas, raízes e talos.

D) Por maceração – Põem-se de molho as ervas em água fria, durante 10 a 24 horas, segundo o que se emprega. Folhas, flores, sementes e partes tenras ficam 10 a 12 horas. Talos, cascas e raízes brandos, picados, 16 a 18 horas. Talos, casca e raízes duros, picados, 22 a 24 horas. Coa-se. O método da maceração oferece a vantagem de que os sais minerais e as vitaminas das ervas são aproveitados.

Não só para fins medicinais se usam os chás, senão também como bebida, quente ou fria, em substituição ao chá preto e ao chá mate, que são prejudiciais.

Como as raízes, talos e cascas requerem, para cozinhar, mais tempo que as flores, folhas e partes tenras, recomendamos que estas sejam guardadas em separado daqueles. Pelo mesmo motivo, o preparo do chá também deve ser feito em separado, isto é, flores e folhas não se cozinham juntamente com talos, raízes e cascas, assim como não se cozinha o arroz junto com o feijão.

A dose regular diária para os chás é: 20 gramas de ervas para um litro de água, ou seja, uma colher das de sopa para uma chavena de chá. Tomam-se quatro ou cinco xícaras por dia. Esta quantidade é para os adultos. Para jovens de 10 a 15 anos, três a quatro xícaras; crianças de 5 a 10 anos, duas a três xícaras; crianças de 1 a 2 anos, meia xícara a uma xícara; para criancinhas mais novas, diminui-se ainda mais a quantidade.

As indicações que acabamos de fazer, valem para as folhas frescas. As secas são bem mais leves, pelo que a dose deve ser reduzida para a metade. Assim, por exemplo, em vez de se empregarem 20 gramas de folhas verdes, empregam-se 10 gramas de folhas secas.

E como irá o leitor, não tendo balança própria, arranjar-se com estes pesos – 5, 10, 15, 20 gramas, etc.? É muito fácil. Usará apenas uma colher das de sopa.

1 colherada de folhas verdes pesa cinco gramas aproximadamente;
1 colherada de folhas secas pesa dois gramas aproximadamente.

Boa praxe é começar com uma quantidade menor e aumentá-la, aos poucos, dia a dia.

Fazemos esta indicação para que as pessoas inexperientes no tratamento com ervas, e acostumadas a observar doseamentos exatos para remédios farmacêuticos, tenham alguma orientação. Em geral, todavia, em se tratando de plantas, a dose não necessita ser muito exata. As ervas medicinais não oferecem os perigos que espreitam nos produtos químicos. Salvo caso excepcionais, a quantidade pode variar sem dano algum. Ninguém morrerá envenenado se tomar algumas xícaras a mais ou a menos.

Para gargarejos, inalações, compressas e outros fins externos, usam-se naturalmente doses mais fortes.

(...) Os chás de ervas devem ser tomados, preferivelmente, de manhã, em jejum, e à noite, antes de deitar-se. Bom efeito tem também quando tomados aos poucos, a saber, um gole (uma colherada) de hora em hora.

Para preparar os chás nunca devem empregar-se utensílios de metal, senão de barro, louça ou esmaltados. O mesmo vale também para o preparo de sucos de frutas ou verduras. Nunca deve deixar-se uma colher de alpaca ou outro metal dentro do chá ou suco. Especialmente a alpaca é muito perigosa.

Não devem adoçar-se os chás com açúcar, pois o melhor é serem tomados ao natural. Quem, todavia, quiser adoçá-los, deve empregar mel, que é também um meio curativo.

O mel tem efeito curativo. Recomendamos, portanto, adoçar o chá com mel no tratamento da garganta e do peito, para combater os catarros. O mel tem bom efeito dissolvente nas obstruções várias. É emoliente, laxativo, sudorífico, depurativo.

O açúcar, principalmente o quimicamente branqueado, não recomendamos.

Para resfriados, catarros, afecções da garganta e do peito, obstruções e cãibras, e para dissolver mucosidades, bem como para esquentar o corpo e provocar suadouro, tomam-se chás quentes.

Os chás, de um dia para outro fermentam. Deve-se, por isso , preparar diariamente a porção necessária para um dia.

Não se devem tomar chás ou outras bebidas quaisquer, nem água, juntamente com as refeições, senão uma hora ou duas horas depois, porque os líquidos tomados na refeição estorvam a digestão.

Não se deve tomar o mesmo chá por tempo prolongado. De dez em dez dias, mais ou menos, é bom variar o tipo de chá, porque o mesmo tipo, depois de algum uso, tem seu efeito curativo diminuído.

(Balbachas, Alfonsas, As plantas curam)

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