Ir para a página principalvimei.gif (3243 bytes)Retornar para Panacéia

Janeiro 2001
Ano III - nº 29

A RAINHA DO MAR

O culto a Iemanjá - universal entre os negros da Bahia - chega a belezas indescritíveis nas várias procissões fetichistas que, a bordo de saveiros a vela ou a remo, singram "as águas do mar sagrado" para lhe levarem presentes coletivos. Estes presentes são constituídos por pó-de-arroz, pentes, sabonetes, frascos de cheiro, espelhos, laços de fita, enfim, todo o material necessário à maquilagem condizente com a sua fama de mulher fatal, de encantos irresistíveis. No meio do presente, pode-se "para aumentar", deixar cair algumas moedas de prata... O presente se leva para o lugar mais fundo do mar ou para onde as águas se encontrem e aí ele é deixado para que Iemanjá o receba. Outrora, os devotos eram obrigados a mergulhar para que a Senhora das Águas recebesse as suas oferendas e os seus ex-votos. O uso acabou, há muitos anos. Ainda hoje, porém, os negros sabem que, se Iemanjá não quiser o presente, ele não descerá ao fundo limoso do mar.

Por toda a baía de Todos os Santos, Iemanjá merece as homenagens públicas do negros, pescadores, marinheiros, estivadores, carregadores dos portos, homens simples do litoral. E as festas organizadas em sua honra deixam na sombra as festas católicas, que, menos na cidade da Bahia, não têm o mesmo esplendor nem a mesma riqueza de colorido. Tais as festas de Iemanjá (os "presentes pra mãe-d'água", como dizem os negros) nas povoações da Gameleira, do Bom Despacho e da Amaralina, no Dique, em Itapoã, nas Cabeceiras da Ponte, em São Bartolomeu, na Lagoa de Vovó (Fazenda Grande do Retiro), no Monte-Serrat. E principalmente na Amoreira, no Dique e nas Cabeceiras da Ponte. Estas festas demostram, com a maior clareza, a profundidade do culto a Iemanjá entre os negros da Bahia.


(CARNEIRO. Carneiro. Antologia do Negro Brasileiro)

Topo

Jangada Brasil © 2000