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Janeiro 2001
Ano III - nº 29

SÃO PAULO, 1898

Nesse ano, São Paulo teria entre 150 e 200 mil habitantes. Além do triângulo central (ruas Quinze de Novembro, Direita, São Bento) estendia-se: para o lado da Liberdade até o largo desse nome, prosseguindo, meio rua, meio estrada, para Vila Mariana, com algumas chácaras. Da esquina da rua de São Joaquim, partia a estrada de ferro de Santo Amaro.

A avenida Brigadeiro Luiz Antônio seguia, recém-aberta, em prolongamento da rua de Santo Amaro, prosseguindo, no traçado atual da estrada de Santo Amaro, mas o seu começo ainda estava interceptado pela xácara de dona Paulina, na rua do Riachuelo, onde houve depois o Fórum Criminal.

Saindo do centro, pelos Piques, e largo da Memória, onde está o velho obelisco, ia-se à esquerda, para um bairro miserável, o Bexiga, e à direita, pela rua da Consolação, até o cemitério, que datava de uns cinqüenta anos. Seguindo pela rua da Consolação, meio estrada, meio rua, cortava-se um dos extremos da recente avenida Paulista, despovoada, com algumas xácaras, como a do Bulow, e chegava-se ao novo Hospital de Isolamento.

O bairro de Higienópolis era novo e despovoado. No extremo da rua Marquês de Itu a xácara de dona Veridiana Prado.

O dos Campos Elíseos ia-se desenvolvendo, pelo retalhamento da xácara Nothman. Para chegar a ele atravessava-se o viaduto do Chá construído em 1892 por Jules Martin, sobre o vale da xácara da baronesa de Itapetininga, deixava-se à direita a xácara do Rodovalho (hoje Teatro Municipal), rua Baronesa de Itapetininga, praça da República, descampada e lamacenta ou cheia de pó, conforme a estação. Seguindo reto, dava-se na lagoa do Arouche. Pela esquerda, Vila Buarque e Higienópolis, referido atrás. Para a direita, Campos Elíseos e no fim, já Barra Funda, a xácara do conselheiro Antônio Prado, antes da qual a do Eduardo Prates, na rua dos Guaianases.

Para ir aos Campos Elíseos também se podia sair pelo largo do Rosário (praça Antônio Prado), descendo a ladeira de São João. Tomando depois à direita.

Para a Estação da Sorocabana, Estação da Luz e Jardim da Luz ia-se pela rua Florêncio de Abreu. Prosseguindo, estava a Cadeia Pública, a xácara do marquês de Três Rios transformada em Escola Politécnica, recém-fundada, o Quartel da Luz e o Convento da Luz, de freiras reclusas. Mais adiante a Ponte Grande ao lado da xácara do general Couto de Magalhães.

Saindo do centro pela ladeira João Alfredo (hoje General Carneiro) atravessava-se a Várzea do Carmo (Parque Pedro II), alagada pelo Tamanduateí, e ia-se ao Brás, pela rua do Gasômetro. Também se ia ao Brás descendo a ladeira do Carmo, que dava na avenida Rangel Pestana, mais ou menos povoada até a Estação do Norte. Daí pelo trem do subúrbio ia-se à Penha.

Da Várzea do Carmo partia o Tramway da Cantareira, para a serra da Cantareira onde estavam os açudes do abastecimento de águas da cidade.

A ladeira da Tabatinguera dava saída para o bairro da Mooca, com algumas xácaras antigas.

A rua da Glória era mais ou menos povoada até o largo de São Paulo, e, daí para diante, pelo Lavapés, ia, como antiga estrada tortuosa, até o Museu do Ipiranga, construído num descampado fora da cidade.

Estava fechado o perímetro.


(AMERICANO, Jorge. São Paulo naquele tempo; 1895-1915)

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