Janeiro
2001
Ano III - nº 29 |
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Nesse ano, São Paulo teria entre 150 e 200
mil habitantes. Além do triângulo central (ruas Quinze de Novembro, Direita, São Bento)
estendia-se: para o lado da Liberdade até o largo desse nome, prosseguindo, meio rua,
meio estrada, para Vila Mariana, com algumas chácaras. Da esquina da rua de São Joaquim,
partia a estrada de ferro de Santo Amaro.
A avenida Brigadeiro Luiz Antônio seguia, recém-aberta, em prolongamento da rua de Santo
Amaro, prosseguindo, no traçado atual da estrada de Santo Amaro, mas o seu começo ainda
estava interceptado pela xácara de dona Paulina, na rua do Riachuelo, onde houve depois o
Fórum Criminal.
Saindo do centro, pelos Piques, e largo da Memória, onde está o velho obelisco, ia-se à
esquerda, para um bairro miserável, o Bexiga, e à direita, pela rua da Consolação,
até o cemitério, que datava de uns cinqüenta anos. Seguindo pela rua da Consolação,
meio estrada, meio rua, cortava-se um dos extremos da recente avenida Paulista,
despovoada, com algumas xácaras, como a do Bulow, e chegava-se ao novo Hospital de
Isolamento.
O bairro de Higienópolis era novo e despovoado. No extremo da rua Marquês de Itu a
xácara de dona Veridiana Prado.
O dos Campos Elíseos ia-se desenvolvendo, pelo retalhamento da xácara Nothman. Para
chegar a ele atravessava-se o viaduto do Chá construído em 1892 por Jules Martin, sobre
o vale da xácara da baronesa de Itapetininga, deixava-se à direita a xácara do
Rodovalho (hoje Teatro Municipal), rua Baronesa de Itapetininga, praça da República,
descampada e lamacenta ou cheia de pó, conforme a estação. Seguindo reto, dava-se na
lagoa do Arouche. Pela esquerda, Vila Buarque e Higienópolis, referido atrás. Para a
direita, Campos Elíseos e no fim, já Barra Funda, a xácara do conselheiro Antônio
Prado, antes da qual a do Eduardo Prates, na rua dos Guaianases.
Para ir aos Campos Elíseos também se podia sair pelo largo do Rosário (praça Antônio
Prado), descendo a ladeira de São João. Tomando depois à direita.
Para a Estação da Sorocabana, Estação da Luz e Jardim da Luz ia-se pela rua Florêncio
de Abreu. Prosseguindo, estava a Cadeia Pública, a xácara do marquês de Três Rios
transformada em Escola Politécnica, recém-fundada, o Quartel da Luz e o Convento da Luz,
de freiras reclusas. Mais adiante a Ponte Grande ao lado da xácara do general Couto de
Magalhães.
Saindo do centro pela ladeira João Alfredo (hoje General Carneiro) atravessava-se a
Várzea do Carmo (Parque Pedro II), alagada pelo Tamanduateí, e ia-se ao Brás, pela rua
do Gasômetro. Também se ia ao Brás descendo a ladeira do Carmo, que dava na avenida
Rangel Pestana, mais ou menos povoada até a Estação do Norte. Daí pelo trem do
subúrbio ia-se à Penha.
Da Várzea do Carmo partia o Tramway da Cantareira, para a serra da Cantareira onde
estavam os açudes do abastecimento de águas da cidade.
A ladeira da Tabatinguera dava saída para o bairro da Mooca, com algumas xácaras
antigas.
A rua da Glória era mais ou menos povoada até o largo de São Paulo, e, daí para
diante, pelo Lavapés, ia, como antiga estrada tortuosa, até o Museu do Ipiranga,
construído num descampado fora da cidade.
Estava fechado o perímetro.
(AMERICANO, Jorge. São Paulo naquele tempo; 1895-1915) |
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