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Sumário | Festança | Cancioneiro | Imaginário | Oficina | Palhoça | Colher de Pau | Panacéia | Catavento

À meia-noite exata da passagem de 31 de dezembro de 1899 para 1º de janeiro de 1900 o mundo iria acabar, segundo foram informadas as empregadas de nossa casa, as quais, por sua vez, transmitiram a informação a nós, crianças, que ficamos alarmados. A notícia corria por toda parte.

Fomos à cata da verdade em outra fonte de informações, meu pai, o qual desmentiu o boato, como lhe foi possível.

Os argumentos alarmantes eram fortes: iria tudo escurecendo, as estrelas apagando, esfriaria bruscamente, depois haveria uma enorme explosão, e estaria tudo acabado. Claro que estes argumentos eram convincentes.

O argumento calmante de meu pai era fraco: "Em cada fim de século era sempre o mesmo boato, mas o mundo nunca acabara, logo, não era agora que havia de acabar". Entretanto, foi reforçado o argumento. Um jornal da tarde publicou uma nota da polícia, pedindo que a população se tranqüilizasse. Nada estava para acontecer.

Está bem, pensei. Se a polícia diz que não, é porque não.

E não aconteceu, mesmo.


(AMERICANO, Jorge. São Paulo naquele tempo; 1895-1915)

 


De onde menos se espera,
daí é que não sai nada


1. Gaitada é:

a) solo musical em concertina ou bandoneón?
b) serenata?
c) gargalhada?


2. Caponete:

a) poncho leve usado por meninos?
b) matinho?
c) novilho que foi castrado?


3. O grito guarano Tcha-há diz o que?

a) Vamos!
b) Corra depressa?
c) Cuidado com a retaguarda!


(Respostas: 1-b; 2-b; 3-a)

• Casamento é uma soma de afetos, uma subtração de liberdades, uma multiplicação de problemas e uma divisão de bens

• Mulher tem que saber contar até seis, pois não existe fogão de sete bocas

• Beijo é que nem ferro elétrico. Liga em cima e esquenta em baixo

• Tenho saudades do tempo em que fazer sexo era seguro e viajar de avião perigoso

• Se mulher fosse música, eu cantava todas

Um século nunca poderá começar numa quarta-feira, sexta ou sábado, desde que o nosso calendário foi constituído; excluindo os anos bissextos, nos demais, outubro começa no mesmo dia da semana que janeiro, abril com julho e dezembro com setembro. Fevereiro, março e novembro começam, também, no mesmo dia da semana e o ano termina no mesmo dia que começou. Verifique.

(Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, 2001)

Bernardo Guimarães matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Durante o curso jurídico não se distinguiu como estudante, dedicando-se à literatura, principalmente à poesia, colaborando em revistas, onde se revelou um crítico mordaz.

Nessa fase fagueira da existência, o poeta, influenciado pelo modelo de Bron, entregou-se à vida boêmia, juntamente com Álvares de Azevedo, Aureliano Lessa e outros, cuja saúde foi prejudicada pelas extravagâncias e estroinices que praticavam.

Chegaram a fundar a sociedade Epicuréia que tinha por fim realizar os sonhos do autor de Dom João. Reuniram-se em vários pontos, de preferência nos arrabaldes, e entregavam-se a toda a sorte de desvarios, chegando, certa ocasião, à loucura de ficarem encerrados durante quinze dias, à luz de candeeiros.

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Estava Bernardo Guimarães, em companhia de alguns amigos, na redação do Correio Mercantil, quando lhe entregaram uma carta.

O romancista leu-a, empalideceu e desatou em pranto. Alguns minutos depois enxugou as lágrimas, pediu papel e encheu três ou quatro páginas com a sua letra rasgada e tortuosa. E soluçava enquanto redigia.

- Vamos ao café!

No botequim do Braguinha, sito ao largo do Rocio, leu o que havia escrito: era a poesia O meu cavalo, que consta de um dos seus livros, como composta em Minas.

A carta que recebera na redação do Correio Mercantil dava-lhe a triste noticia da morte do seu alazão.

(MOTA, Artur. Vultos e livros. Em MASUCCI, Fulco. Anedotas históricas brasileiras)

Meu verso rasteiro, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão



(Versos de O poeta da roça, de Patativa do Assaré)

Mais vale...

... um amigo na praça do que dinheiro no caixa.
... amigo próximo que parente afastado.
... astúcia que força.
... bem de longe que mal de perto
... boa regra que boa renda.
... bom guardador que bom ganhador.
... cair em graça que ser engraçado.
... estrada velha que vereda nova
... má avença que boa sentença.
... magro no mato que gordo na boca do gato.
... não prometer que prometer e faltar.

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