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Inspirado em desenho de picadeiro de circo
PIPOQUEIRO

PIPOCA

Pipoqueiro é quem faz e vende pipoca. Há tipos de pipoqueiros nas ruas de São Paulo. Uns trabalham com carrocinha e são praticamente fixos. Outros são vendedores de pipoca ocasionalmente: biscateiros, desempregados e aposentados que trabalham somente nos finais de semana e dias festivos. De toda forma, são ambulantes e desempenham atividades folclóricas recorrendo à técnica espontânea para vender o produto e apresentá-lo ao público. A propaganda utilizada decorre de aprendizado espontâneo e de imitação inconsciente: é conhecimento adquirido no dia-a-dia. Vendo e ouvindo os colegas mais experientes a trabalhar, procuram imitá-los, certos de obterem o mesmo tipo de resultado .

Muitos dos vendedores de pipoca que estão nas ruas de São Paulo são empregados de outros pipoqueiros, que têm mais de uma carrocinha na praça em pontos diferentes. Estes costumam contratar migrantes que chegam a São Paulo sem qualificação profissional, ou homens idosos. Tais empregados percebem remuneração acima do salário mínimo mas trabalham aos sábados, domingos e feriados.

Segundo o vendedor Manoel dos Santos, existe uma camaradagem grande entre os pipoqueiros e os demais vendedores ambulantes. Ela é de suma importância para eles, pois concorre para impedir que sejam multados e que tenham os instrumentos de trabalho e produtos apreendidos. Quando se aproxima o carro da prefeitura são avisados e saem correndo na direção oposta, para se livrarem dos fiscais. Dificilmente são surpreendidos por que há sempre um ou mais olheiros andando de um lado pro outro, a fim de observar e se informar da presença de fiscais nas redondezas. Constata-se a existência de olheiros na praça da Sé. Durante uma entrevista com pipoqueiro passou um fotógrafo ambulante correndo e disse: "Corre bicho, os tios estão chegando". O pipoqueiro passou a mão nos caixotes, tabuleiros e na panela de pipoca e saiu correndo como louco. Após alguns minutos, era visto vendendo pipoca sossegado em outro ângulo da praça. "os tios são os fiscais da prefeitura. Quando apreendem a mercadoria e os instrumentos de trabalho dos ambulantes torna-se um problema muito sério; nem sempre o trabalhador consegue recuperá-los ou adquirir outros".

FREGUÊS

Pipoca é produto aceito e consumido por grande número de pessoas adultas e crianças. O grande consumo deve-se ao fato de ser vendida quentinha e de ser feita diante do freguês. Além disso, não existe produto similar na praça. É de baixo custo e saboroso. Pode ser consumido a qualquer hora, em qualquer estação do ano e por qualquer pessoa; não oferece risco à saúde dos consumidores e não deteriora facilmente. É consumida por gente de todos os níveis sócio-econômicos.

MODO DE PREPARAR PIPOCA

Colocar uma panela ou caldeirão de alumínio relativamente fundo e alto sobre o fogo aceso e deixar esquentar bem. Quando estiver bem quente, derramar óleo até cobrir o fundo da panela, jogar o milho e tampar.

A tampa tem um cabo de madeira, espécie de manivela que permite mexer o milho dentro da panela, sem que seja preciso abri-la a cada instante.

Os pipoqueiros retiram a panela do fogo duas ou mais vezes durante a torrefação e sacodem-na, a fim de que o milho do fundo passe para cima e vice-versa. O trabalho todo dura cinco minutos; quando o milho se transforma em pipoca, é colocado em tabuleiros ou em vitrinas apropriadas.

Há pipoca doce e salgada. O processo de feitura é idêntico até o momento de tempero: a doce leva algumas gotas d’água, açúcar e corante; a salgada, simplesmente sal. Há pipoqueiros vendendo pipoca com mel.

PROPAGANDA E VENDA

As técnicas de propaganda e venda de pipoca são variadas. As mais freqüentes consistem em apregoar o produto, ressaltando qualidade e preço, fazer alarido em torno do produto e parar transeuntes, convencendo-os a experimentá-lo.

Há pipoqueiros que acreditam que algazarra, a gritaria e o grande volume de espectadores contribuem para maior volume de vendas. É certo que a presença de público heterogêneo contribui para que a pipoca, bem como qualquer outro produto, tenha boa aceitação e apresente resultados de venda imediato. O tipo de propaganda usada é agressiva e persuasiva.

Alguns vendedores costumam pendurar um rádio de pilha ligado a todo volume em um dos ângulos da carrocinha; de vez em quando desligam e passam a noticiar, em voz alta, os últimos acontecimentos a fim de atrair gente. O sistema visa a chamar a atenção dos transeuntes que se aproximam, movidos pela curiosidade. Quando se aglomera um certo número de pessoas, o vendedor começa a encher saquinhos com pipoca e distribuí-la entre os presentes. Os curiosos compram sem pensar ou discutir, pois agem em função do comportamento de grupo.

Há vendedores que, enquanto trabalham, cantam em voz alta, contam anedotas picantes, narram acontecimentos relacionados à cidade natal e à sua pessoa. Outros apenas apregoam o produto dizendo: "Compre pipoca, minha senhora, a pipoca do moço tem vitamina C; C, C, a pipoca do homem faz criança crescê; mamãe eu quero, quero pipoca pra mim crescê; as crianças que comem minha pipoca crescem fortes e inteligentes!"

INSTRUMENTOS DE TRABALHO

O pipoqueiro de fim de semana utiliza instrumentos de trabalho extremamente simples e baratos, porque permanece pouco tempo no mesmo local e porque o transporte do material é feito nas mãos ou às costas, de uma área para outra. São caixotes velhos, latas de óleo comum, tabuleiros, pequenas pranchas de madeira, fogareiro de lata, saco de milho, saleiro de plástico, concha, saquinhos de papel, garrafas de álcool, fósforo e uma panela comum de alumínio. Esse pipoqueiro só vende pipoca salgada, porque para vender a doce teria que usar outros instrumentos. Quem trabalha com carrocinha dispõe de instrumentos de trabalho mais sofisticados: lampião a gás, usado para manter a pipoca quentinha, um fogareiro embutido, compartimento para guardar a féria do dia, alguns produtos necessários para fazer pipoca e os objetos de uso pessoal, tudo abrigado sob o teto da carrocinha ou em uma gavetinha que se acha instalada numa da laterais. O que diferencia um vendedor do outro é o fato de um trabalhar com carrocinha em ponto fixo; o outro, onde acredita que possa vender mais, em menor lapso de tempo. O primeiro pode manter a pipoca dentro de uma vitrina fechada e aquecida. o segundo conserva e expõe o produto em tabuleiro ou me prancha de madeira descoberta.

CARROCINHA

As carrocinhas podem ser confeccionadas em casa pelos próprios pipoqueiros ou em oficinas por operários que entendem de marcenaria. As confeccionadas em casa com tábuas novas ou em desuso são simples, não tem teto e normalmente são pintadas de branco ou azul claro. Constituem-se de uma única peça: um armário com alguns compartimentos para abrigar os produtos, o dinheiro da venda da pipoca, objetos de uso pessoal do pipoqueiro e apetrechos para fazer e vender a pipoca.

As carrocinhas têm uma abertura na frente com função de abrigar um pequeno fogareiro, que pode ser feito de lata cortada ao meio. Duas rodas, semelhantes às usadas em bicicletas facilitam o transporte.

As carrocinhas confeccionadas por marceneiros diferem pouco no acabamento possuem teto coberto com lona ou plástico, cuja função é proteger a madeira da chuva e de umidade. A matéria prima é mais requintada: há chapas de alumínio para dar o acabamento final em algumas partes, vidros, lona ou plástico para vitrina e cobertura. Dentro da vitrina há um lampião a gás para manter a pipoca pronta quentinha e facilitar o trabalho à noite.

(LUBATTI, Maria Rita da Silva. Vendedor Ambulante, profissão folclórica: pesquisa nas ruas, parques e jardins de São Paulo.)

Veja também:

A pipoca veio originariamente dos índios. Luís da Câmara Cascudo escreve sobre ela. Aprenda também, a preparar pipoca doce.

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