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Retornar para Colher de Pau
Inspirado em desenho de picadeiro de circo
PIPOCA

Milho em grão a torrar em uma vasilha de barro, com alguma areia colocada sobre o fogo, e que, com o calor, e mexido com um pauzinho, estoira em grande parte, apresentando bonitos e caprichosos flocos brancos, geralmente sob o aspecto de uma flor lindíssima. Segundo as regras da popular pragmática, é preciso acompanhar aquele processo com uma cantarola, com estes versos invariavelmente repetidos:

Pipoca bonita, menina feia!
Pipoca feia, menina bonita!

E assim, a pipoca, que não quer ser feia, rebenta naqueles flocos, e sem o que, o milho não rebenta, ficando apenas torrado, com uma cor pardacenta.

Amo a cor que se coloca
Na pipoca
Na parte que não rebenta
(Da chula Mulatinha do caroço)

"A esposa bonitinha evaporou-se como pipoca"(Lanterna Mágica, nº 17, 1882).

"Os lavradores já saltam como na brasa a pipoca" (Idem, nº 243).

Rosário de pipocas: as pipocas em flor, enfiadas em uma linha, com as extremidades presas, à feição de rosário. "Oitenta contos não são ointenta rosários de pipocas ou castanhas". (Lanterna Mágica, nº 12, 1872)

Ditados e locuções populares: Milho torrado é pipoca. Grotis pipocas!: Foi-se! Acabou-se! Gorou! Se o vires sem dentes, dá-lhe pipocas. Pipocas! Ora pipocas! Deixe-me! Não me amoles! Vá pentear macacos! "Pois então… pipocas!" (América Ilustrada, nº 11, 1872). "Ora pipocas, pomadista!" (A Pimenta, nº 12, 1902)

A pipoca originariamente, vem dos índios, vulgarmente conhecida entre eles por popoka, que no tupi quer dizer a pele estalando, ou arrebentando, o milho torrado, segundo Teodoro Sampaio; ou de abatixi popoc, milho que estala, donde vem a palavra popoca, como escreveu Gonçalves Dias, e assim, descrevendo o nosso épico Durão os usos e costumes dos selvagens, menciona as pipocas, a que chamam o milho, que lançado na cinza quente, rebenta como em flocos brancos, dizendo no Canto IV: "Quais torravam o aipi: quem mandiocas; Outros na cinza as cândidas pipocas".

A pipoca, porém, é também conhecida entre outros povos, como assim escreve o padre Etienne Brasil: "O milho ou pipoca do nosso povo é o guguru, que se encontra na África, Pérsia, Turquia e Palestina. Pipoca, popoca, ou papoca, assim chamam no Ceará. Bolha de água na pele, provocada por queimadura ou picada de inseto; pústula de varíola". "Toda a superfície do corpo atacada pelas abelhas estava coberta de papocas d’água, verdadeiras bolhas de queimaduras". (Rodolfo Teófilo)

Derivado! Pipocar: Fugir, desaparecer, correr; rebentar, borbulhar, ferver em borbotões. A água está pipocando. Pipocar, segundo Couto de Magalhães, é um verbo de raiz túpica, por abrir, arrebentando (Vocabulário pernambuco. Pereira da Costa, p. 589-590)


(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)

PIPOCA DOCE

1 copo de milho de pipoca
1 copo de açúcar
2 ou 3 colheres de manteiga
1 copo de água

Colocar tudo na pipoqueira e mexer até estourar. Colocar em uma vasilha e deixar esfriar.

(Colaboração de Edvaldo da Silva Ribeiro)

Veja também:

O trabalho, as técnicas e os segredos dos pipoqueiros das ruas de São Paulo.

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