Virgem do Rosário
Senhora do mundo
Dá-me um coco dágua
Se não vou ao fundo
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Virgem do Rosário
Senhora do Norte
Dá-me um coco dágua
Se não vou ao pote
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Virgem do Rosário
Soberana Maria
Hoje este dia
É de nossa alegria
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Meu Sam Benedito
É santo de preto
Ele bebe garapa
Ele ronca no peito
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Meu Sam Benedito
Não tem mais coroa
Tem uma toalha
Vinda de Lisboa
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Meu Sam Benedito
Venho lhe pedir
Pelo amor de Deus
Pra tocar cucumbi
Ideré, rê, rê, ré
Ai Jesus de Nazaré
Meu Sam Benedito
Foi do mar que vieste
Domingo chegaste
Que milagre fizeste! |
(ROMERO, Silvio. Cantos
tradicionais do Brasil) |

Sílvio Romero, na introdução deste
livro, desenha as taieiras: "As taiêras são mulatas, vestidas de branco e
enfeitadas de fitas, que vão na procissão dançando e cantando com expressão especial e
cor toda original." A procissão é a de Reis, 6 de janeiro; Melo Moraes Filho, Festas
e tradições populares do Brasil, p. 104, ed. Briguiet, Rio de Janeiro, 1946; Mário
de Andrade, Ensaio sobre música brasileira, p. 53; Melo Moraes Filho cita solfas
na parte musical do Cantares brasileiros; Luciano Gallet, no primeiro caderno de Canções
populares brasileiras, publica harmonização do conto das taiêras para uma voz e
piano. Diminuindo o fervor religioso que incorporava as taieiras às procissões, foram
transformadas em ranchos, com nomes genéricos de baianas, mulatas, maxixeiras, cantando
toda espécie de cantiga mas sempre constituídos, em sua maioria absoluta, por homens
vestidos de mulher. O dia das maxixeiras, de branco, com fitas, balançando os maracás de
flandres, era a segunda-feira do Carnaval, pela manhã, visitando os amigos e
homenageados, dançando, bebendo e comendo. Os instrumentos eram de percussão.
(Nota de Luís da Câmara Cascudo) |