Retornar para página principalRetornar para página principalRetornar para página principal

Janeiro

• A pescada de janeiro, vale carneiro
• Coelho de janeiro, é cavalheiro
• Em janeiro um porco ao sol, outro ao fumeiro
• Goraz em janeiro, vale carneiro
• Mais vale laranja de janeiro, que maçã do madureiro
• Por São Sebastião, laranjinha na mão
• Se o vilão soubesse o valor da galinha em janeiro, nenhuma deixaria no poleiro
Solha em janeiro é melhor que carneiro

Fevereiro

Referências às perdizes:
• Fevereiro couveiro (ou ricoqueiro), faz a perdiz ao poleiro; março, três ou quatro; abril, cheio está o covil; maio, piopio pelo matol junho, como um punho; em agosto, as tomará a coso.
Por São Brás, atirarás
Caça a perdiz com o vento no nariz e às narcejas pelas costas o vejar.

Março

• Em dia de São José, come-se, bebe-se e bate-se o pé
• Em março, merendica e folgaço
• Março liga a noite com o dia, o Manuel com a Maria, o pão com o mato e a erva com o sargaço

Abril

• Abril frio, pão e vinho
• Em abril queijos mil, e em maio três ou quatro
• Porco que nasce em abril, vai ao chambaril
• Quem caracóis come em abril, aparelhe cera e panil [mortalha]

Maio

• Em maio, come as cerejas ao borralho
• Favas o maio as dá, o maio as leva
• Maio come o trigo, agosto bebe o vinho
• Maio faz o pão e agosto o milhão
• Maio frio, junho quente, bom pão, vinho valente
• Pela Ascensão coalha a amêndoa e nasce o pinhão
• Quem em maio não merenda, aos mortos se encomenda

Junho

• Dia de Santo Antônio vêm dormir as castanhas aos castanheiros
• Em junho, perdigoto como punho
• Galinhas de São João, pelo Natal poedeiras são
• Nem no inverno sem capa, nem no verão sem cabaça
• Sardinha de São João, já pinga no pão

Julho

• Pela Madalena, recolhe tua figueira
• Pelo São Tiago, cada pinga vale um cruzado
• A Santa Marinha, sempre traz a sua cabacinha

Agosto

• Em agosto, espingarda no rosto
• Em agosto, sardinha e mosto
• Em dia de São Lourenço, vai à vinha e enche o lenço
• Queres ver teu marido morto? Dá-lhe pepinos (ou couves) em agosto

Setembro

• Queijo de outono, é pra seu dono
• Setembro, cara de poucos amigos e manhã de figos
• Setembro, andando e comendo

Outubro

• Por São Lucas, mata teus porcos, e tapa tuas cubas
• Por São Lucas, sabem as uvas
• Por São Simão, favas no chão
• Por São Simão e São Judas, colhidas são as uvas

Novembro

• Dia de São Martinho, lume, castanha e vinho
• No dia de Santo André, quem não tem porco, mata a mulher
• No dia de São Martinho, mata teu porco e bebe teu vinho

Dezembro

• Dia de São Silvestre, não comas bacalhau que é peste
• Dia de São Silvestre, nem no alho, nem na reste
• Dia de São Silvestre, quem tem carne que lhe preste
• No dia de São Tomé, pega o porco pelo pé [matança]
• Pela Conceição, de galinholas um quarteirão
• Tudo vem em seu tempo e os nabos (ou a arraia) pelo Advento

(CASCUDO, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil)

Borralho – Brasido coberto de cinzas.
Chambaril – Pau curvo que se enfia no nos jarretes do porco morto para abrir e pendurar.
Cubas – Vasilha grande de madeira na qual se guarda vinho ou outros líquidos.
Lume – Fogo. Luz,clarão,brilho.
Narcejas – Ave encontrada em quase todo o Brasil.Tem dorso escuro com manchas e estrias amarelas,cabeça preta e sobrancelha amarelada. Freqüenta os brejos, onde nidifica.
Solha – Linguado, espécie de peixe.

Limpar vidraça
O dia inteiro,
É o meu serviço
Costumeiro.

Não largo dele,
Nem por nada,
Só para ganhá
Muito dinheiro.


(Maria da Penha, limpadora de vidros de Botucatu)

Por toda parte da Terra
Haverá contradição
O sertão vai virar mar
O mar vai virar sertão
Também o sul e o norte
Trocarão de posição

(Versos do vidente Expedito Sebastião da Silva)


Diplomacia paraguaia

Era José Maria do Amaral ministro do Brasil no Paraguai, quando, em uma audiência que lhe fora concedida pelo ditador Lopez, com a assistência do respectivo ministro dos Estrangeiros, teve de apresentar uma série de queixas formuladas pelo governo Imperial. Ao expor o caso de mau tratamento dado pelas autoridades paraguaias ao comandante de um navio brasileiro, Lopez o interrompeu, brusco:

- Mente Usted!

José Maria estremeceu com aquele modo de contestar, mas continuou. E o ditador, de novo:

- Mente Usted!

Concluída a exposição, durante a qual Solano Lopez desmentiu quatro ou cinco vezes, sumariamente, o nosso ministro, coube ao ditador a vez de falar. À enunciação, porém, do primeiro fato, José Maria o interrompeu, claro:

- Mente Vossa Excelência!

- Como é isso? – bradou Lopez, furioso. – Eu minto? Dizer-me a mim que minto?

- Perdão, Excelência – observou José Maria, respeitoso.

E numa reverência:

- Estou apenas usando uma fórmula da diplomacia paraguaia!

E continuou a desmentir

(In CAMPOS, Humberto. O Brasil anedótico)

O CAUSO DO PALETÓ FURADO

Noite de lua fraca com nuvens dançando no céu ora clareando, ora escurecendo o mundo. Totonho ia andando estrada a fora, vindo de um casamento, em plena madrugada. Paletozinho branco refletia um ou outro raio da lua. Assim que chega à encruzilhada, no meio do capão de mato, Totonho sente a dor de barriga. Comera alguma coisa estragada lá no casório. Só podia. Solução era fazer o serviço por ali mesmo. Pra não correr o risco de sujar o paletó de estimação, pendura-o num galho de assa-peixe na beira da estrada e pula a cerca para se aliviar no meio do pasto.

Só que o Ludovico também vinha da festa, todo distraído. Quando avista aquela coisa branca, balançando no ar, ao sabor do vento, não teve dúvida: é alma penada. Arrancou o trabuco da cintura e pregou fogo no troço que parecia ser coisa do outro mundo.

Totonho, que estava todo tranqüilo fazendo seu serviço, apronta o maior berreiro enquanto as balas zuniam nos seus ouvidos. Levanta, com as calças arriadas, bunda de fora e sem se limpar. Dá o maior sermão no Ludovico e conclui:

- Pió de tudo, Ludovico, é meu palitó todo cheio de buraco! Agora, como é que vou arrumá namorada com essa peneira que virô meu palitó?

 

CADA UM ENGOLE O SAPO QUE LHE CABE

Honorina tava casada pra mais de dez anos com o Gedeão. Vida dura pra cuidar da vida e dos quatro filhos. Nessa labuta toda, eis que chega a televisão em Tabuí. Com muita dificuldade, Gedeão consegue comprar um aparelho de TV com prestações a sumir de vista.

- É pra mode a muié vê as novela!

O homem era preocupado com a mulher que só vivia dentro de casa. Queria arrumar um pouco de diversão para ela. E Honorina se encanta com as novelas. E dana a ter maus pensamentos com aqueles moços que ela via todos muito bonitos, bem nutridos, cabelos bem cuidados, bem vestidos, etc. e tal. Aí Honorina descobre que o marido Gedeão não era o príncipe com quem sonhara. Ainda mais vendo aqueles moços...

Cabeça de Honorina entra em parafuso. Passa a sonhar acordada com os moços da novela mas só tem dentro de casa aquele marido. Deixa de cumprir suas obrigações com o Gedeão, esquece de dar comida aos filhos, não passa mais roupa... a vida de todos naquela casa vira desassossego. Aí, consciência pesada, o organismo não agüenta o tranco. Fica doente. O estômago começa a falhar. Azia, queimação, enjôo, até que chega a gastrite.

- Muié, amanhã vô te levá lá no médico!

Médico diz que o problema é de cabeça. Aconselha Honorina a fazer umas sessões de psicoterapia pra pobre que ele mesmo organizava. Lá Honorina se abre. Conta dos seus sonhos e descobre que muitas outras companheiras também sonham com os galãs das novelas mas têm em casa maridos feios, barrigudos, carecas, infiéis, mulherengos, mal educados, briguentos...

Aí médico as convence, depois de muita conversa, de que não adianta ficar sonhando. E dá pra elas três sugestões, já que nenhuma está satisfeita com o marido: abandoná-lo, dar um tiro no ouvido ou chegar à conclusão de que têm em casa não é um príncipe e sim um sapo mesmo. Têm que aprender a conviver com aquele sapo, com o brejo e com tudo o mais. Caso contrário aqueles problemas de saúde que estão sentindo podem ter conseqüências mais graves.

- Viu, dona Honorina? A gastrite pode virar úlcera que é muito pior, tá bem?

Médico fez milagre. Honorina baixou a cabeça, caiu na realidade e foi pra casa viver com seu sapo. Livre dos problemas estomacais.

 

O PREFEITO E A PROVIDÊNCIA

Prefeito de Tabuí era uma negação. Nenhum progresso trazia pra cidade que parecia caranguejo. Só ia pra trás. Entrava ano, saia ano e Tabuí continuava na mesmice de sempre. Nas redondezas aquela terrinha começou a ser chamada de "já teve". Já teve campo de futebol, já teve rodoviária, já teve escola municipal boa, já teve zona decente...

Um dia prefeito recebe uma reclamação:

- Sô prefeito, o teto do grupo caiu!

- Que grupo, meu fio?

- O grupo, sô prefeito! O grupo escolá! L'adonde a gente aprende a lê!

- Ah, bão! Dexa comigo que vô tomá providência!

Tomava providenciamento nenhum. Esquecia. Ia pra casa, escondia dos problemas e não dava mais o ar da graça.

- Prefeito, a ponte do corgo seco quebrô!

- Quebrô? Pode deixá! Vô tomá providência!

- Prefeito, a gente picisa duma iscola no Pindura Saia! Dá um jeitinho!

- É cumigo memo! Vô tomá providência!

Povo foi ficando chateado. Nervoso. Revoltado até com o descaso do prefeito. O homem não queria nem saber quem lustrou as costas da barata e nem quem botou fogo no inferno. Vivia encafuado dentro de casa. Vez ou outra é que apontava o nariz. Bastava ouvir reclamação sumia de novo. E ainda dizia que ia tomar providência...

O caso ficou mais sério no dia da enchente. Rio Sorongo não deu conta de segurar aquele aguão todo dentro das suas caixas. Entornou água na metade da cidade. De quebra lavou tudo no cemitério. Era defunto boiando, esqueleto escorrendo rua a fora, caveira descendo ladeira abaixo... tanta mortaria pelas ruas que arrepiava até cachorro vira-lata. O defunto da gorda Dorotéia, enterrado dois dias antes do dilúvio, deu o maior trabalho pra ser encaixado de novo na sua última morada. Continuou teimosa na morte como o foi em vida. E o prefeito dizendo:

- É comigo memo! Deixa que tomo providência!

Povo desorientado resolveu tirar o desgramado do prefeito de dentro do seu esconderijo. Alguns cidadãos mais indignados invadiram a casa da autoridade. Tava lá o homem, num quartinho dos fundos, só de cueca, cercado de garrafas vazias, num porre danado e tomando mais uns goles de Providência, a famosa pinga do vale do Sorongo.

(Eurico de Andrade é autor do livro Nós Sofre Mais Goza - Causos de Minas, e colabora com a Jangada Brasil)

.

• Cão que ladra também morde. Cachorro não conhece ditado
• Em negócios de amor, nada de sócios
• Tropeça no teu orgulho e caia nos meus braços
• Pé-de-cabra vive dando bode
• Sogra é igual a chuva, vem sempre com trovoadas
• Pobre é como disco, quanto mais trabalha, mais liso fica
• Feliz é índio, só entra em fila quando tem dança na tribo
• Se pinga fosse fortificante, brasileiro seria gigante
• A vida é muito curta para se aturar os chatos
• Duas coisas matam de repente: vento pelas costas e sogra pela frente

1 2 3 | Principal

Folhinha | Festança | Cancioneiro | Imaginário | Oficina | Palhoça | Colher de Pau | Panacéia | Catavento
Candeeiro | Mural | Expediente
| Busca | Outras Edições