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* PIRUETAS *
(Chico Buarque, L. Enrique Bacalov, Sergio Bardotti)

Uma pirueta!
Duas piruetas!
Bravo! Bravo!
Super piruetas!
Ultra piruetas!
Bravo! Bravo!
Salta sobre a arquibancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis
Quatro cambalhotas!
Cinco cambalhotas!
Bravo! Bravo!
Nove cambalhotas!
Vinte cambalhotas!
Bravo! Bravo!
Rompe a lona,
Beija as nuvens,
Tomba de nariz
Que os jovens
Vão pedir bis
No intervalo
Tem cheirinho de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que o trovão!
Quero um prato.
Cê tá louco!
Quero um pouco.
Cê tá chato!
Só um pedaço.
Cê tá gordo!
Que eu te mordo,
Seu palhaço!
Olha o público
Cansado de esperar.
O espetáculo
Não pode parar!
Vinte piruetas!
Trinta piruetas!
Bravo! Bravo!
Poli-piruetas!
Maxi-piruetas!
Bravo! Bravo!
Sobe ao céu,
Fura a calota
E tomba de bumbum
Que a patota grita:
Mais um!
No intervalo
Tem cheirinho de macarrão
E a barriga ronca
Mais que um leão!
Quero um prato.
Cê tá louco!
Quero um pouco.
Cê tá chato!
Só um pedaço
Cê tá gordo!
Eu te mordo.
Seu palhaço!
Olha o público
Cansado de esperar.
O espetáculo
Não pode parar!
Dez mil cambalhotas!
Cem mil cambalhotas!
Bravo! Bravo!
Maxi-cambalhotas!
Extra-cambalhotas!
Bravo! Bravo!
Salta além da estratosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir!
Ai, minhas costelas!
Já estou vendo estrelas!
Bravo! Bravo!
Ai, minha cachola!
Não tou bom da bola!
Bravo! Bravo!
Lona! Nuvens!
Tomba no hospital!
Um pirueta!
Uma cabriola!
Uma cambalhota!
Não tou bom da bola!
Que o pessoal delira!
Maxi-pirulito!
Ultra-violeta!
Bravo! Bravo!

 

* DRAMA DE ANGÉLICA *
(Alvarenga, M. G. Barreto e Arlequim)

Ouvi meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um físico
Magro esquelético.
Poesia épica,
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica,
Com rima rápida.
Amei Angélica,
Mulher anêmica
De cores pálidas
E gestos tímidos
Era maligna
E tinha ímpetos
De fazer cócegas
No meu esôfago.
Em noite frígida,
Fomos ao Lírico
Ouvir o músico
Pianista célebre.
Soprava o zéfiro,
Ventinho úmido
Então Angélica
Ficou asmática.
Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico
Depois do inquérito,
Descobre o clínco
O mal atávico,
Mal sifilítico.
Mandou-me celébre,
Comprar noz vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado.
O farmacêutico ,
Mocinho estúpido,
Errou na fórmula,
Fez despropósito.
Não tenho escrúpulo,
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico.
Corri mui lépido,
Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico
De força múltipla.
O dia cálido
Deixou-me tépido .
Achei Angélica
Já toda trêmula
A terapêutica,
Dose alopática,
Lhe dei uma xícara
De ferro ágata.
 
Tomou folêgo,
Triste e bucólica,
Esta estrambólica,
Droga fatídica.
Caiu no esôfago
Deixou-a lívida,
Dando-lhe cólica
E morte-trágica.
O pai de Angélica
Chefe do tráfego,
Homem carnívoro,
Ficou perplexo.
Por ser estrábico
Usava óculos:
Um vidro côncavo,
Outro convexo.
Morreu Angélica
De um modo lúgubre..
Moléstia crônica
Levou-a ao túmulo.
Foi feita a autópsia
Todos os médicos
Foram unânimes
No diagnóstico.
Fiz-lhe um sarcófago,
Assaz artístico
Toso de mármore,
Da cor do ébano.
E sobre o túmulo
Uma estatística,
Coisa metódica
Como Os Lusíadas.
E numa lápide,
Paralelepípedo,
Pus esse dístico
Terno e simbólico:
"Cá jas Angélica,
moça hiperbólica
beleza helência,
morreu de cólica!"

 

* O CIRCO *
(Sidney Miller)

Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Faço versos pro palhaço
Que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro
Seresteiro, vagabundo
Sem juiz e sem juízo
Fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia
Que seu rosto coloria
Todo o encanto do sorriso
Que seu povo não sorria
Vai, vai, vai começar a brincadeira.
Tem charanga tocando a noite inteira.
Vem, vem, vem ver o circo de verdade.
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade.
Fala o fole da sanfona,
Fala a flauta pequenina
O melhor vai vir agora
Que desponta a bailarina.
O seu corpo é de senhora,
O seu rosto é de menina.
Quem chorava, já não chora,
Quem cantava, desafina.
Porque a dança só termina
Quando a noite for embora.
Vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Dorme o circo, renasce na lembrança,
Foi-se embora e eu ainda era criança.

* A LONA NA LONA *
(Anônimo, letra de Hugo Passolo)

Esta lona furada
Parece que ninguém
Lhe dá nada!...-
Já viveu histórias e loucuras,
Sonhos que passaram,
Tantas aventuras.
Abrigava os homens
Mais fortes,
Muitos enfrentando a morte
E embalava as noites
Com modinhas
E mulheres a bailar.
Vem pra cá!
Vem, morena, dançar.
Me ensina o lundu.
Passo a passo
E faceiro,
Brinco na roda do picadeiro.
Vem pra cá!
Vem, morena, dançar.
Me mostra o lundu.
Gira o pano,
Gira o mundo,
E roda a saia assim.
Sei que ninguém acredita
Que, mesmo rasgada, é bonita.
É só reparar e não ter pressa
A lona é como um barco de ponta-cabeça.
Coisa de doido, maluco lelé
Ir remando contra a maré
Mas se os furos estão para cima
Não tem como afundar.
No peito da lona
Eu vejo
Meninos a voar
E fazem dela um céu,
Oh, morena,
Como a tua saia sempre a girar.
Rodam numa invenção
Que os furos se enchem de luz.
E surgem em toda a parte
As estrelas que ainda brilharão.

* PALHAÇADAS *
(Galvão Frede e Hugo Possolo)

Eu quero ver o circo pegar fogo
Na hora que o espetáculo começar.
Palhaço, quem não é?
Tô rindo á toa!
Vamos lá pro picadeiro!
Tem o torresmo, o Pururuca,
O Ripolim, o Bossa Nova,
O Xumbrega e o Estremilique,
O Arrelia, o Pinga-Pulha e o Piolim,
O Fuzarca, o Chuvisco e o Chique-Chique.
Harris Queirolo e o Oscarito,
O Grande Otelo e o Figurinha,
E tem o Gibe, o Chupetinha e o Pirulito,
O Siri e o Anquito
E o querido Carequinha.
Palhaço quem não é?
Tô rindo à toa!
E a hora que o espetáculo começar,
Eu quero ver o circo pegar fogo!
Vamos lá pro picadeiro!
Tem o Didi,
O Poropopó, o chimarrão,
O Tic-Tac, o Espirro e o Atchim,
O Pam-Pam, o Tilingo e o Pingüim.
Tem o Golias, o Chicharrão e o Dudu,
O Polidoro, o Serrano e a Baratinha,
Picolino, o Tiririca.
E o Xuxu, tem o Geléia,
O Tonheta e o Pimentinha.

* O CIRCO VEM AÍ *
(Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Carvalinho)


Ai, o circo vem aí!
Quem chora tem que rir
Com tanta palhaçada!
Tem hindu que come fogo,
Faquir que come prego,
Mulher que engole espada.
Tá na hora!
Olha, bota o palhaço pra fora!
 
Tem um leão, tem elefante,
Tem um anão que levanta o gigante.

* MUITO BEM *
(Manoel Ferreira, Arrelia e Antônio Mojica)

Como vai? Como vai? Como vai?
Como vai? Como vai, vai, vai?
Eu vou bem! Eu vou bem! Eu vou bem!
Muito bem! Muito bem! Bem! Bem!
Você vai bem?
Eu vou também!
E ele como é que vai?
 
Como vai? Como vai? Como vai?
Como vai? Como vai, vai, vai?
Eu vou bem! Eu vou bem! Eu vou bem!
Muito bem! Muito bem! Bem! Bem!

* NA CARREIRA *
(Chico Buarque e Edu Lobo)

Pintar, vestir
Virar uma aguardente
Para a próxima função.
Rezar, cuspir
Surgir repentinamente
Na frente do telão.
Mais um dia,
Mais uma cidade
Pra se apixonar.
Querer casar,
Pedir a mão.
Saltar, sair,
Partir pé ante pé
Antes do povo despertar.
Pular, zunir
Como um furtivo amante
Antes do dia clarear.
Apagar as pistas
De quem um dia
Ali já foi feliz.
Criar raiz
E se arrancar.
Hora de ir embora
Quando o corpo
Quer ficar.
Toda alma de artista
Quer partir.
Arte de deixar
Algum lugar,
Quando não se tem
Pra onde ir.
Chegar, sorrir,
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação.
Parar, ouvir,
Sentir que tatibitati
Que bate o coração.
Mais um dia,
Mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem- querer,
O turbilhão.
Bocas, quantas bocas,
A cidade vai abrir
Pr’uma alam de artista
Se entregar.
Palmas pro artista
Confundir.
Pernas pro artista
Tropeçar.
Voar, fugir
Como o rei dos ciganos
Quando junta
Os cobres seus.
Chorar, ganir
Como os mais pobre dos pobre
Dos pobres do pebleus.
Ir deixando a pele
Em cada palco
E não olhar pra trás.
E nem jamais,
Jamais dizer
Adeus.

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Ouça as músicas no CD
O circo no Brasil
(Atração Fonográfica)

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