Jangada Brasil, nº 17, janeiro de 2000: Panacéia – Vinte e quatro crendices e superstições com gravidez

VINTE E QUATRO CRENDICES E SUPERSTIÇÕES COM GRAVIDEZ

1. Quando a gestante principiar a fazer a primeira camisinha do enxoval do nenê, se lhe surgir em casa pessoa do sexo masculino, é prenúncio de que irá ter um filho macho. Se ocorrer entrar uma mulher, em iguais circunstâncias, é sinal de que nascerá uma menina. “A primeira pessoa que bater na casa, no momento em que a mulher começa a cortar o enxoval do filho, também indicará o seu sexo: se for um homem, a criança será do sexo masculino; se for mulher, do sexo feminino (Veríssimo de Melo, in separata da revista Folklore, nºs 1-2, ano V. 1950, p. 4)

2. Ainda para esclarecer o sexo do filho em gestação, a futura mãe leva ao fogo, para cozinhar, o coração de uma galinha, tendo antes o cuidado de abrir-lhe uma das extremidades. Se, depois de cozido, o coração se conservar aberto, a criança será do sexo feminino; se se fechar – não haverá mais dúvida: nascerá um menino.

3. Quando “arredonda a barriga”, dizem as comadres, vai nascer um machinho. Mas se esta se apresenta afunilada, é aviso certo de que nascerá uma fêmea.

4. Ocorrerá nascer a criança do sexo feminino se a mulher tiver mais gênio (for mais violenta do que o esposo). Em caso contrário, o filho sairá do sexo masculino.

5. Se a criança nascer de noite, terá vergonha. Se vier ao mundo à luz do dia, logo cedo se mostrará perdida, sem pejo.

6. Menino que nasce em dia de segunda-feira será protegido pelas almas.

7. Mulher prenhe não deve olhar para gente feia, principalmente para os que padecem de defeitos físicos. É um perigo. O menino poderá nascer com o defeito observado. Registrou igualmente Veríssimo de Melo (op. cit.), em Natal, Rio Grande do Norte: “Mulher grávida não deve olhar para gente feia ou aleijada, quadros de bichos ou figuras repugnantes, se não a feiúra passará para o filho.

8. Guardar uma chave no seio, durante a gestação, faz com que o filho nasça com o lábio cortado (lábio leporino).

9. Não devem colocar nada dentro do vestido, à altura do seio, sob o perigo de, em assim fazendo, marcarem o menino com um sinal. Por isso que nascem muitas crianças com sinais parecidos com anéis, pequenas frutas, etc.

10. Guardar medalha presa num cordão comprido, ao pescoço, não tem para quem apelar: faz o menino nascer com um sinal no corpo do tamanho que for a medalha.

11. Mulher prenhe não deve passar por cima de uma corda estendida. Pode trazer esse ato complicações bastante sérias para ela na hora do parto.

12. Mulher grávida de alguns meses não deve também passar por baixo de escadas, principalmente se encostadas à parede, porque azara.

13. Não deve pisar em espinha ou escama de peixe, sob pena de, após o parto, não expulsar a placenta normalmente.

14. Conservar-se sentada, preguiçosamente, depois do terceiro mês, é sinal de que o menino vai ficar encravado, tornando-se caso muito sério para o parto.

15. Na força da lua e da maré o parto é ligeiro e sem complicações.

16. Mulher grávida deve sentar-se, de preferência, encostada nas paredes de casa, para que ninguém passe por trás de suas costas. Se tal ocorrer, várias vezes, o parto há de ser muito difícil.

17. Mulher prenhe não deve olhar para eclipse. Nascer-lhe-á o menino com defeito físico, se não vier preto. “O medo de eclipses é quase universal. Os índios Carib pensaram que os eclipses eram causados por um diabo que tentava matar o sol ou a lua”, lemos em Brewton Berry, no seu livro Você e suas superstições, p. 252. Pelo menos no interior do Ceará continua este temor pelos eclipses, que, aliás, ali são vistos raramente.

18. Se o menino chorar na barriga é sinal de que vai ser adivinho. Cumpre esclarecer que “adivinho”, “adivinhão”, como empregam, é no sentido de menino inteligente, bastante desenvolvido, capaz de compreender as coisas facilmente.

19. Amarrar um pano na cintura é de bom alvitre para que o menino não nasça antes do tempo.

20. Mulher que tem seguidamente sete rebentos do sexo masculino está fadada a ter o desprazer de ver um último virar lobisomem. Amadeu Amaral, antes de nós, em Tradições populares, p. 382 e 383, registrou: “Acreditam os nossos matutos que se uma mulher dá à luz sete filhos do sexo masculino, sem que o nascimento de uma menina venha interromper a série, o sétimo rebento está condenado a ser lobisomem quando atingir idade adulta”. E acrescenta que se for mulher, esta, em idade adulta, também se transformará em bruxa ou numa enorme porca bravia, acompanhada de vários leitões, sempre disposta a atacar os forasteiros na estrada.

21. Na gestação, a mulher deve somente pensar em coisas boas e desde logo entregar o sucesso do parto a uma santa de sua devoção. Por essa razão, antigamente, era costume batizarem-se as crianças tomando-se por padrinhos os santos da Igreja.

22. Mulher prenhe não deve sentar-se em batente alto, sob pena de ter a placenta endurecida.

23. A maneira como cai a primeira peça de roupa que se faz para o bebê indica o sexo da criança. Se cair amarfanhada, a criança será do sexo masculino. Se ficar a peça estirada, ao ser jogada pela gestante, ocorrerá o contrário.

24. A mulher que espera dar à luz uma criança, deve andar, pelo menos uma vez por semana, de quatro pés, como um quadrúpede, no interior de sua alcova. Tal prática ser-lhe-á de grande proveito.

(CAMPOS, Eduardo. Medicina popular)

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