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Ir para a página principal CANTIGAS DAS DESTALADEIRAS DE FUMO DE ARAPIRACA

A cor morena

A cor morena é ouro
A cor morena é prata
A cor morena é ouro
A cor morena é quem me mata

Sacudi meu lenço branco
Nos are abriu sucena
Eu num sei que tem meus óio
Que só ama a cor morena

A cor morena é ouro...

Por debaixo d’águas corre
Um cravo roxo sereno
Muito prazer tem na vida
Quem ama rapaz moreno

A cor morena é ouro...

Por debaixo d’águas corre
Duas tesoura de ouro
Uma de cortar ciúme
Outra de cortar namoro

A chuva choveu

A chuva choveu
Mas num me moiou
Tá chegando a hora
D’eu oiá prá meu amô ai, ai

Menina se queres vamo
Num se ponha a maginá
Quem magina cria medo
E quem tem medo num vai lá, ai, ai

A chuva choveu...

Minha mãe num qué, que eu vá
Na casa do meu amô
Mesmo toda encorrentada
Quebro as corrente mas vou, ai, ai

A chuva choveu...

Menina se queres vamo
Que eu vou te passá no rio
De um braço faço o mero
Do outro faço o navio ai, ai

Quero beber água

Eu quero bebê água
Eu quero bebê
Eu quero bebê água
Meu amor vai vê 

Lá vem a lua saindo
Chegue meu bem venha vê
Num há quem empate a lua
Nem o nosso querê

Eu quero bebê água...

Cravo branco na janela
É siná de casamento
Menina guarda esse cravo
Prá casá num farta tempo

Eu quero bebê água...

Eu num quero me casá
Cum rapaz pequenininho
Prá eu botá ele no braço
Tururu meu macaquinho

Coqueiro verde

Coqueiro verde
Tomba mas num cai
A moça que se casa
Ôi num namora mais

Essa noite num dormi
Nem de dia tive sono
Somente em imaginá
Que meu bem tem outro dono

Coqueiro verde...

Menina dos óio d’água
Me dá água pra eu bebê
A sede num era nada
Era só para te vê

Coqueiro verde...

Meu ané de sete pedra
Me custou mil e quinhento
Quando eu boto ele no dedo
Num me farta casamento

Cai sereno

Cai sereno, cai
Na rama da monoquinha
Eu também quero cair
Nos braços da moreninha

Meu benzinho num viva triste
Viva alegre se pudé
Coração que vive triste
Nunca logra o que qué

Cai sereno, cai...

Essa noite choveu ouro
Prata fina orvaiou
Eu num sei aonde tava
Meu sentido aonde andou

Cai sereno, cai...

Meu amô me deu um ané
Sexta-feira da Paixão
Ficou frouxo no meu dedo
E apertou o meu coração

Beleza

Beleza ôi
Beleza ôi
Beleza ôi...
Da minha casa pra tua, beleza

Tem um riacho no meio, beleza
Tu de lá dá um suspiro, beleza
Eu de cá suspiro e meio, beleza

Beleza ôi...

Atirei meu lenço branco, beleza
Lá na torre de Belém, beleza
Deu cravo, deu na rosa, beleza
Deu no peito do meu bem, beleza

Beleza ôi...

Os cabelo do meu bem, beleza
Só dá cacho quando qué, beleza
Quem tivé inveja dele, beleza
Faça cacho de papé, beleza

Seu Né

Seu Né, seu Né
Só brinca hoje
Na fazenda se quisé 
Seu Né de Paula

Parece um raio de sol
Quando vem chegando
Na fazenda "Seridó"

Seu Né, seu Né...

Seu Né de Paula
Cum todas as trabaiadeira
Seu Toinho Cavalcante
Enrola fumo na carreira

Seu Né, Seu Né...

Feche a porta, abra a porta
Sem bulir na fechadura
Seu eu fosse o dono do fumo
Oferecia rapadura

Meu amor

Meu amô era tão bom
Que de tão bom já se acabou
Meu amô era tão bom
Tão bom, tão bom meu amô me deixou

Quem qué bem dorme na rua
Na porta de seu amô
Da calçada faz a cama
Do sereno o cobertô

Meu amô era tão bom...

Meu benzinho de tão longe
Que viesse aqui buscá
Viesse me enchê de pena
E acabá de me matá

Meu amô era tão bom...

A fôia da bananeira
De madura amarelou
Meu amô era tão firme
Que de firme se acabou

Pisa pilão

Pisa pilão
Laiê, laiê
Laiê fazendeiro
Eu quero bebê

Minha gente venha vê, pisa pilão
O diabo como tece, pisa pilão
Dois calangos numa vara, pisa pilão
Um assobe e outro desce, pisa pilão

Laiê, laiê
Laiê fazendeiro

Quem namora moça gorda, pisa pilão
Vai topá com o satanás, pisa pilão
Quando ela sai na rua, pisa pilão
Lá vai meu bujão de gás, pisa pilão

Laiê, laiê
Laiê fazendeiro

Menino casa comigo, pisa pilão
Que nós não morre de fome, pisa pilão
Minha mãe tem uma porca véia, pisa pilão
Quando ela matá nós come, pisa pilão

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