TEATRO
DE SOMBRAS VIVAS
O NABO
Narrador:
- Fazia muito, muito calor! O sol dourado queimava a terra. Um velhinho, bem velhinho,
suava por todos os poros. Abanava-se com o chapéu, enxugava o suor com lenço.
(Mímica)
Velho:
- Ui, que calor!
Narrador:
- Além de sentir muito calor, o velhinho ainda gemia com fortes dores de reumatismo.
Velho:
- Ui! Ui! Ui! Ui!
Narrador:
- Doíam as costas, as pernas, o pescoço.
Velho:
- Alguém me disse para tomar sopa de nabo. Alguém me disse que nabo é bom para
reumatismo e que refresca. Preciso plantar semente de nabo!
Narrador:
- A terra estava, porém, seca e dura. O velhinho apanhou um ancinho e gemendo e se
sacudindo todo, conseguiu revolver a terra.
PAUSA
(Mímica exagerada)
(Mímica)
Jogou as sementes. (Mímica).
Depois, foi buscar o regador para regar as sementes. (Mímica)
O velhinho estava alegre! Conseguira fazer o que queria apesar do calor! E do reumatismo!
Foi para casa contar para sua velhinha o que havia feito.
No dia seguinte, voltou para regar as sementes; no outro dia, e no outro
As sementes germinaram, as folhinhas apareceram. A plantinha foi crescendo, crescendo,
crescendo, crescendo
Velho:
- Hum! Já posso colher o meu nabo.
Narrador:
- Radiante, o velhinho segurou a planta; puxa, repuxa, puxa e repuxa e nada! Não
conseguiu arrancar o nabo. Estava bem preso na terra. O velhinho desanimou. De repente
teve uma idéia e chamou:
Velho:
- Oh! Minha velha! Minha velha!
Narrador:
- A velhinha, esposa do velhinho, muito gorda, de turbante à cabeça, chegou se
arrastando e se sacudindo. O velhinho explicou para a velhinha que plantara sementes de
nabo, que o nabo cresceu demais e que ele não conseguira arrancá-lo. (Bastante mímica)
A velhinha disse que iria ajudá-lo. (Mímica)
A velhinha segurou a cintura do velhinho, o velhinho segurou o nabo e puxam, repuxam,
puxam e repuxam
e não conseguem arrancar o nabo. A velhinha resolveu chamar sua
neta para ajudá-los.
Velha:
- Mariazinha! Mariazinha!
(Entrou Mariazinha pulando corda. Mímica)
Narrador:
- A velhinha explicou para a netinha o sucedido. Mariazinha prometeu ajudá-los.
Mariazinha segurou na cintura da vovó, a vovó na do vovô, o vovô na planta e puxam
repuxam, puxam e repuxam
e não conseguiram arrancar o nabo! (Gesticulam um acusando
o outro)
Mariazinha teve uma idéia (Mímica) e chamou:
Mariazinha:
- Paulinho! Paulinho!
(Paulinho entra jogando bola)
Narrador:
- Mariazinha explicou a Paulinho o que acontecera. (Mímica)
Paulinho prometeu ajudá-los. Paulinho segurou na cintura de Mariazinha, Mariazinha na
cintura da vovó, a velhinha na cintura do vovô, o vovô segurou na planta e puxam,
repuxam, puxam e repuxam
e não conseguiram arrancar o nabo! (gestos exagerados)
De repente, Paulinho lembrou-se de alguém
alguém que poderia ajudá-los.
Paulinho:
- Rex! Rex! (Entrou o cachorrinho, abanando o rabinho)
Narrador:
- E Paulinho explicou tudo bem direitinho! Rex ouviu com atenção. (Mímica)
Rex prometeu ajudá-los. Rex segurou na calça de Paulinho, Paulinho na cintura de
Mariazinha, Mariazinha na cintura da vovó, vovó na cintura do vovô e vovô segurou a
planta. Puxa, repuxam, puxam e repuxam e
conseguiram arrancar o nabo gigante! Viva!
Viva! Viva! Viva!
Todos:
(Cantando) Uma sopa bem gostosa, vamos todos preparar. Viva! Viva! Viva! Viva! Quem quiser
pode provar!
(RUIZ, Corina Maria Peixoto. Didática
do folclore) |