Ano V - fevereiro  2003 - nº 54

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 54
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PALHOÇA

setaquad.gif (95 bytes)A cidade do Rio de Janeiro e seus carrinhos de mão.

setaquad.gif (95 bytes)Apelidos, por Francisco Luiz Ribeiro.

setaquad.gif (95 bytes)Conversa de futebol, linguajar e gíria de pretos botucatuenses, por Sebastião A. Pinto.

COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...


A CIDADE E SEUS CARRINHOS DE MÃO

N. C.


Aspecto pitoresco do Rio era aquele que apresentava desde as últimas décadas do século XIX, com seus numerosos carrinhos-de-mão, que enxameavam pelas estreitas ruas da cidade.

Facilitavam e barateavam o transporte de várias mercadorias a de pequenos móveis, quando abundavam as moradias e o povo mudava de casa ou cômodo constantemente.

Substituíam as "andorinhas" e carroças usadas para maiores mudanças e transportes mais longos, sempre dispendiosa e difíceis.

Como temos hoje os pontos de táxis, havia antigamente locais certos onde estacionavam tais carrinhos formando fila, à espera de fregueses, com os seus carregadores ou condutores ao lado, de músculos reforçados e boas pernas para os percursos tantas vezes bem demorados.

Noronha Santos, em seu valioso livro Meios de transportes no Rio de Janeiro, incluiu interessantes informações sobre a introdução e desenvolvimento desse pequeno veículo na vida da cidade, a que prestou e presta ainda os melhores serviços.

"Em 1886 — escreve Noronha Santos — introduziram ganhadores de nacionalidade portuguesa uns carrinhos com prancha, em lugar de carroças esguias a baixas e das carretas, para o transporte de mercadorias e bagagens procedentes da Estrada de Ferro Dom Pedro II, da Alfândega e das que vinham de bordo de navios mercantes.

O comércio aproveitou-se desde logo do novo meio de condução, para suas cargas importadas e para as que se destinavam ao exterior ou às províncias, fazendo-se intensivo o trânsito de semelhantes carrinhos em todos os logradouros da parte comercial da cidade".

A princípio havia grandes e pequenos, com duas e quatros rodas mas generalizou-se depois o de duas rodas, puxados ou empurrados pelos seus possantes carregadores.

Preferiam estes estacionar na praça em frente da Estrada de Ferro, diante do cais Pharoux, onde aproavam as barcas de Niterói e na Prainha (Mauá), pois em tais pontos era maior o número de fregueses, chegados com suas pequenas bagagens.

Outros davam preferência aos transportes de mercadorias na alfândega ou serviam a casas comerciais para entrega de encomendas, estacionando nas ruas Primeiro de Março, Visconde de Inhaúna, Municipal, São Bento, Ajuda. Beco dos Barbeiros e cais dos Mineiros e, mais tarde, no mercado da praia do Peixe, largo da Carioca, São Franscisco de Paula, São Domingos e do Capim, estes dois já desaparecidos, quando da abertura da avenida Presidente Vargas.

Em 1872 havia somente 113 carrinhos de mão, mas em pouco esse número foi crescendo, chegando a 1.861 em 1896 e a 2.320 em 1921.

O carrinho de mão representou uma fase característica da vida urbana, espalhando-se por todas as ruas da cidade, sempre bem afreguesados, até que veículos a motor foram se impondo às preferências do povo.

Existem, ainda, muitos carrinhos de mão em quase todos os bairros, em serviços locais, sendo bastante comuns na zona sul, a serviço dos compradores de revistas e de jornais velhos.

Consignou ainda Noronha Santos que os condutores de carrinhos de mão "são designados por um apelido "depreciativo" [burro sem rabo], penso que atualmente quase desaparecido, como desaparecidos estão quase os referidos carrinhos.



(N. C. "A cidade e seus carrinhos de mão". Correio da manhã. Rio de Janeiro 27 de novembro de 1960, segundo caderno, p.2)

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