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| CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre
música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios;
romances; cantos religiosos; quadras, pasquins... |
Atravesso minha viola
Defronte meu coração
A pedido geral eu faço
A minha escramacão!
Queiram me desculpar
Minha falta de educação,
Sou um home analfabeto,
Criado neste sertão
Faço minha escramação,
A pedido geral,
Pedindo um auxílio
Do governo estadual,
Que é o nosso presidente.
Benedito Valadar,
Se eu não for atendido,
Pediremos do federal.
Senhor Getúlio Vargas,
Governador da União,
Por ser um home digno,
Lhe peço sua proteção:
Pedimos estrada de ferro
E traçados de caminhão,
E também escola pública
Pra nos dar educação.
Eu dou o meu franco apoio
À nova Constituição,
Que nos livre da polícia,
Que é a maior perversão.
Eu faço o meu pedido
Nesta época atual,
Eu quero ter a resposta
Inda que seja no jornal.
Eu não sei se faço bem
Nem também se faço mal,
Precisamos progredir
A fronteira do Canal.
Venho pedir a estrada,
Pra pôr a exportação,
Para exportar o arroz,
O capado e o feijão.
E também o ouro branco,
Atitulado argodão,
E junto a mamoninha
Pra óleo de aviação.
Precisamos amelhorar
Com grande melhoração
Eu me atrevo a entreverar
Nas altas repartição,
Aproveitando a boa época,
Dessa boa ocasião,
Pra conservá a força no Brasil
Em toda situação.
A política no Brasil
Já parece amolação,
E só serve de atraso
Nas quadra de eleição.
(Em Torres, Orlando. Folclore do Triângulo Mineiro. São Paulo,
Editora Jornal dos Livros, 1955, p.130-132) |
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