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O
Ururau é um jacaré descomunalmente grande. Dizem que vive na curva
do Rio Paraíba, bem abaixo do Convento da Lapa, lá na cidade de
Campos dos Goytacazes. Muitas são suas histórias.
Uma delas aconteceu pelos idos de 1896. José dos Reis vinha singrando
as águas calmas do Rio Paraíba, já dentro da cidade de Campos dos
Goytacazes. Era noite e a viagem era longa. Desde Cambuci até São João
da Barra, para descarregar no porto. Daí que resolveu lançar o
anzol. Momentos depois sentiu um puxavão que quase lhe destronca o
braço. Sentiu que sozinho e cansado como estava não poderia lutar
com tamanho peixe. Sacou da peixeira para aparar a linha, mas a luz da
lua refletida na sobreface da lâmina feriu os olhos da fera, que
saltou formidavelmente arrancando-lhe, a força dos dentes, o braço.
Dias depois acordou
num leito do Convento da Lapa. E surpreendeu-se ao ver seu braço no
lugar, como se nunca houvesse sido arrancado. Mas, como? Enfim,
resolveu não perguntar nada.
No fim do mês, já
recuperado, saiu do Covento, deixando, em agradecimento, parte do açúcar.
Sua balsa estava ancorada no cais.
Seguiu a até São
João da Barra e, lá, já na boca da noite, no terreiro de secagem de
café, de frente ao porto, contou a história a um primo, que não se
assustou:
- Por isso que o
povo diz que o Ururau é a mesma madre superiora do convento, que se
vira nele nas noites de lua cheia.
E seguiram
matutando em silêncio, pitando os cigarrilhos de palha, duas brasas
vermelhas, no breu da noite estrelada.
Colaboração do leitor
Tanabajo. |