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Fevereiro 2001
Ano III - nº 30

RECEITA DE CASA

As construções de casas no Pará, sobretudo na cidade de Belém, são geralmente feitas de pedra e cal.

Qualquer casa por pequena que seja, os seus alicerces são invariavelmente feitos de pedra e cimento, e as paredes geralmente de tijolo.

O tijolo angular, com 6 a 8 furos cada um, é o mais empregado, não só pelo tamanho e forma, que diminui a mão de obra, como também porque pela sua manufatura já com os referidos todos de ar, são os mais apropriados aos rigores do nosso clima. Nas coberturas das casas emprega-se vulgarmente a telha convexa comum ou a telha chata denominada telha francesa ou de Marselha.

(...) As madeiras empregadas na construção das nossas casas são melhores dos que as que se pode obter em qualquer parte do mundo.

O acapu e o pau amarelo, o louro vermelho, o cedro e outras madeiras de lei são as que empregamos comumente. Para janelas e portas é geralmente empregado o cedro e o louro, para os umbrais é o acapu e para os solados são sempre empregados o pau amarelo e o acapu, conjuntamente, o que lhes dá, a par de extraordinária durabilidade, uma certa beleza e nas casas de luxo fazem dessas duas madeiras e às vezes de mais outras duas ou três qualidades, lindíssimos mosaicos. (...) Para os forros das edificações são empregadas a ucuúba, a quaruba e a marapaúba. Nas casas mais modestas também se fazem soalhos com a cupiúba, que é também excelente madeira.

A não ser o cimento e certa ferragem muito especial, nada importamos para a construção de nossas habitações ou edifícios.

As casas no Pará são muito arejadas e agradáveis, pela altura do pé-direito, que nunca é menor de 4 ½ a 5 metros. As janelas igualmente são altas e nunca mais estreitas de 1 metro. (...) Todos os prédios mais ou menos novos têm o assoalho a um metro e meio acima do nível da rua.

Todas as casas têm varandas, sejam aos lados ou na frente, de maneira que com o calor elas têm sempre muita sombra de um ou de outro lado.

As salas de jantar geralmente dão para essas varandas e ocupam toda a largura do prédio, com janelas para ambos os lados, o que as torna excessivamente frescas; o ar circula livremente e as refeições são feitas por isso em lugar extremamente aprazível, embora ao sol o calor seja muito forte.


[1908]


(MATOSO, Ernesto. Em MARANHÃO, Haroldo. Pará, capital: Belém; memória & pessoas & coisas & loisas da cidade)

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