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Fevereiro 2001
Ano III - nº 30

PREGÃO DOS LEILOEIROS

São inúmeros os acidentes históricos, ou mesmo não históricos, de manifestações da poesia popular entre nós.

O nosso Direito, de um absoluto simbolismo poético em sua complexa urdidura, teve e tem ainda manifestações práticas de uma verdadeira poesia, como se sabe, e cujo assunto, já o temos magistralmente estudado por Teófilo Braga na sua belíssima monografia - História da poesia do Direito.

Não vem ao caso, portanto, encararmos agora o nosso estudo por esse lado.

Entretanto, não nos podemos eximir, ao menos, como um traço de cor local, de nos referirmos ao modo dos antigos pregões das arrematações em hasta pública, em face de um curioso documento do alvorecer do século XVIII.

Trata-se da arrematação das terras do Asseca, em Santo Amaro das Salinas, e no competente termo lavrado na povoação do Recife, em 11 de dezembro de 1700, com as devidas particularidades, vem até mesmo consignado o pregão que fez o porteiro do auditório, nestes termos:

- Um conto e quinhentos me dão pelas terras das Salinas chamadas Asseca; se há quem mais me dê, venha-se a mim, que lhe receberei seu lanço, que logo se há de arrematar. Afronta não faço e mais não acho; se mais achará mais tomará. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe outra mais pequenina em cima; há quem mais dê? senão arremato.

Não havendo quem cobrisse a maior oferta, deu-se por finda a arrematação, e dirigindo-se o porteiro ao ofertante, "lhe meteu um ramo verde na mão, dizendo: bom proveito lhe faça".

Nesse pregão, convenientemente acomodado, temos uns versos mais ou menos metrificados, mais ou menos rimados.


(COSTA, Pereira da. Folk-lore pernambucano)

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