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O PICOLÊ

O picolê, em alguns lugares também conhecido por chote, é um dos brinquedos infantos mais conhecidos. Parece-nos que a influência do cinema, das fitas de "bandidos", deu uma derivação do Picolê, conhecida por mansuá (mãos ao ar), brincado por meninos, tendo à mão um pedaço de pau, à guisa de revólver. Já vimos também chamar de "brincar de bandido americano".

No picolê escolhe-se um determinado lugar, que pode ser um poste, uma árvore ou uma parede de uma casa, para o pique, onde se tocando com as mãos fica-se livre do pegador. Muitas vezes combina-se que é bastante ser tocado pelo pegador para que se tome o seu lugar, isto é, passa-se a ser o pegador; outras vezes , deve ser segurado, senão, não vale. No primeiro caso, ao tocar no perseguido, deverá dizer: - Bóia!

Os meninos geralmente se escondem e o pegador deverá ir procurar. Quando assim é, um deverá gritar a plenos pulmões: Hora!... sinal para que o pegador possa ir procurar.

O interessante, porém, é a forma de se eleger o pegador e fazem de maneira curiosa, usando o processo de eliminação com quadrinhas ou outros dizeres, até ficar somente um. Esse último, então, é o pegador. Há uma quantidade enorme de quadrinhas para esse fim.

No morro da Fonte Grande colhemos entre as meninas: Maria Neusa, Georgina, Vera Lúcia, Maria de Lourdes, as seguintes:

Une dune té salomé minguê
Um sorvete colorê
Une dune e tê


(Cantada)
Onani, onani, onani napolitana
O navio que passou pela Estania (ou Espanha)
Me chamou, lá não vou
Onani, onaná


Bambarê, barê de lê
Ta tarabim, tarabim tetê
Tic tac, bambarola
Este dentro, este fora


A casinha da vovó
É cercada de cipó
O café está demorando
Com certeza não tem pó


Fui na mata fazer lenha
Encontrei uma coruja
Eu pisei no rabo dela
Ela me chamou de cara suja


Há uma série delas como essa última quadra: Fui na pia beber água, Fui na lata de biscoito; assim como outras que têm o mesmo começo: Lá em cima do piano, Lá em cima daquele morro, etc.

Essa escolha faz-se, então, tocando em cada um da roda com uma palavra da quadra e aquele que for tocado com a última palavra da quadra, estará eliminado e assim sucessivamente, até restar um, que irá à procura dos demais para pegar.

[1949]



(FONSECA, Lima. Em Folclore. Vitória, julho-agosto de 1949)