Ir para a página principal

fiomenu.gif (223 bytes)
Festança
Cancioneiro
Imaginário
Oficina
Palhoça
Colher de Pau
Panacéia
Catavento
Almanaque
Candeeiro
Mural
Expediente

fiomenu.gif (223 bytes)
Folhinha
fiomenu.gif (223 bytes)
Arquivos
fiomenu.gif (223 bytes)
Outras Edições
fiomenu.gif (223 bytes)
Busca

fiomenu.gif (223 bytes)

Retornar para Palhoça

NUMERAÇÃO DOS PRÉDIOS

Durante longo tempo, os prédios do Rio de Janeiro, como nas demais cidades do Brasil, não tiveram numeração. Por isso – informa Adolfo Morales de los Rios Filho – vinham de Portugal não poucas cartas endereçadas a Fulano "que mora perto da Igreja da Cruz", a Beltrano "junto à loja de Sicrano", a "Chico Açougueiro da rua do Sabão", etc.

Depois, as casas passaram a ter números; mas colocados a esmo. A mor parte das vezes o número correspondia à ordem cronológica da conclusão das respectivas obras de construção. Não havia, portanto, lado par da rua, nem lado ímpar; tampouco se sabia onde começava ou terminava a numeração. Aqui no Rio, por exemplo, o prédio nº 412 da rua da Alfândega, foi, durante muitos anos, fronteiro ao de nº 1, e o de nº 210 ficava do lado esquerdo dessa rua.

Com o desenvolvimento da cidade, o ministro de Justiça, Clemente Ferreira França, baixou Aviso, datado de 21 de maio de 1824, aprovando o plano de numeração apresentado pelo arquiteto Pedro Alexandre Cavroé.

Baseado no sistema já empregado em Paris e em outras capitais da Europa, o novo processo previa a colocação ordinal dos números, sendo os pares à direita da rua e os ímpares à esquerda, e em cores diferentes. Assim, a numeração começava no Palácio Imperial (praça Quinze de Novembro), de maneira que nas ruas paralelas à marinha da cidade, desde São Bento até o Calabouço, os números eram verdes sobre fundo amarelo, e nas perpendiculares, amarelos sobre fundo verde. Nas praças e largos, a numeração tinha início na parte mais próxima ao Palácio ou ao mar, com as cores indicando o paralelismo ou perpendicularismo de seus lados.

"As vantagens desse sistema – noticiou, então, o jornal Espectador Brasileiro – é o viandante conhecer pela numeração e pelas cores dos números a direção em que se acha. Se quer ir para o extremo da cidade, procura os números que aumentam, nas ruas em que estes são amarelos sobre fundo verde; se para os lados da cidade, procura os números verdes sobre fundo amarelo, na progressão aumentativa. Porém, se quer vir para o centro, dirige-se pela progressão diminutiva e, onde vir que se reúnem todas as unidades, está ele na habitação daquele que reúne todos os poderes, o Primeiro Magistrado da Nação e o Primeiro Cidadão – o Imperador".

Mas havia outra vantagem que, em verdade, devia ser a principal: maior controle na taxação da décima-urbana (imposto predial)…

Numeradas, assim, todas as habitações, exceto a de sua majestade imperial e as igrejas, mereceu o novo processo grandes elogios, inclusive de alguns viajantes ingleses que chegaram a considerá-lo superior ao sistema usado em seu país.


(DUNLOP, C. J. Crônicas)

Topo

Jangada Brasil © 2000