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NUMERAÇÃO DOS PRÉDIOS
Durante longo tempo, os
prédios do Rio de Janeiro, como nas demais cidades do Brasil, não tiveram numeração.
Por isso informa Adolfo Morales de los Rios Filho vinham de Portugal não
poucas cartas endereçadas a Fulano "que mora perto da Igreja da Cruz", a
Beltrano "junto à loja de Sicrano", a "Chico Açougueiro da rua do
Sabão", etc.
Depois, as casas passaram a ter números; mas colocados a esmo. A mor parte das vezes o
número correspondia à ordem cronológica da conclusão das respectivas obras de
construção. Não havia, portanto, lado par da rua, nem lado ímpar; tampouco se sabia
onde começava ou terminava a numeração. Aqui no Rio, por exemplo, o prédio nº 412 da
rua da Alfândega, foi, durante muitos anos, fronteiro ao de nº 1, e o de nº 210 ficava
do lado esquerdo dessa rua.
Com o desenvolvimento da cidade, o ministro de Justiça, Clemente Ferreira França, baixou
Aviso, datado de 21 de maio de 1824, aprovando o plano de numeração apresentado pelo
arquiteto Pedro Alexandre Cavroé.
Baseado no sistema já empregado em Paris e em outras capitais da Europa, o novo processo
previa a colocação ordinal dos números, sendo os pares à direita da rua e os ímpares
à esquerda, e em cores diferentes. Assim, a numeração começava no Palácio Imperial
(praça Quinze de Novembro), de maneira que nas ruas paralelas à marinha da cidade, desde
São Bento até o Calabouço, os números eram verdes sobre fundo amarelo, e nas
perpendiculares, amarelos sobre fundo verde. Nas praças e largos, a numeração tinha
início na parte mais próxima ao Palácio ou ao mar, com as cores indicando o paralelismo
ou perpendicularismo de seus lados.
"As vantagens desse sistema noticiou, então, o jornal Espectador
Brasileiro é o viandante conhecer pela numeração e pelas cores dos números
a direção em que se acha. Se quer ir para o extremo da cidade, procura os números que
aumentam, nas ruas em que estes são amarelos sobre fundo verde; se para os lados da
cidade, procura os números verdes sobre fundo amarelo, na progressão aumentativa.
Porém, se quer vir para o centro, dirige-se pela progressão diminutiva e, onde vir que
se reúnem todas as unidades, está ele na habitação daquele que reúne todos os
poderes, o Primeiro Magistrado da Nação e o Primeiro Cidadão o Imperador".
Mas havia outra vantagem que, em verdade, devia ser a principal: maior controle na
taxação da décima-urbana (imposto predial)
Numeradas, assim, todas as habitações, exceto a de sua majestade imperial e as igrejas,
mereceu o novo processo grandes elogios, inclusive de alguns viajantes ingleses que
chegaram a considerá-lo superior ao sistema usado em seu país.
(DUNLOP, C. J. Crônicas) |
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