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O ENTRUDO
Dia 21/02
Durante a semana passada, encontrei à venda, aqui e acolá, bolas coloridas expostas
sobre pratos. As verdes poderiam confundir-se com pequenas maçãs, as amarelas com
laranjas e limão. Algumas têm a forma de peras e outras de melão. O conhecimento que
tive de algumas esta manhã eliminou a indiferença com que vinha passando a seu lado.
Outro artigo também chamou-me a atenção. Tratava-se do amido nativo, não granulado
como o nosso, mas sim um pó extraordinariamente branco e fino, colocado em cilindros de
papel de quinze centímetros de comprimento por trinta de diâmetro. Para usá-lo, abre-se
uma das extremidades do cilindro e deixa-se o pó sair.
Enquanto estava sentado tomando o seu café da manhã, S. passou por trás da cadeira de
J. e, com grande espanto meu, esvaziou um par de cilindros sobre a cabeça e os ombros do
mesmo. A operação foi realizada tão silenciosamente e o pó caiu tão leve que J. não
percebeu o acontecido, senão quando um punhado de pó lhe foi aplicado ao rosto e às
orelhas. Cuspiu, ergueu-se e, meio cego, foi saudado com esguichos de líquidos de uma
garrafa de água da colônia de gargalo comprido. Meio encolerizado e entre muitas
risadas, efetuou uma rápida retirada, vestiu-se e saiu para a cidade.
Enquanto perguntava a mim mesmo o que significaria tal coisa, senti caírem de minha testa
uma ou duas partículas. Erguendo a mão verifiquei que meus cabelos também haviam sido
cobertos de pó. Meus gritos provocaram gritaria geral. Levantei-me para fugir, mas isso
fora previsto e a única porta através da qual podia escapar encontrava-se fechada à
chave. Cercado agora por um exército de inimigos femininos, esquivei-me e corri até me
sentir quase exausto, tentando fugir aos incessantes ataques de amido e água. Finalmente
protestei que se a desonesta guerra continuasse, eu deveria chegar e chegaria a um corpo a
corpo e, "vi et armis", capturaria e utilizaria contra o inimigo a sua própria
artilharia. Tais ameaças foram recebidas com novos ruídos de alegria e novos ataques.
Finalmente todos concordaram com um armistício, que se prolongaria durante aquele dia.
Contaram-me então que o entrudo começava no dia seguinte quando os membros de todas as
classes, dentro ou fora das casas, empoeiram e borrifam uns aos outros, sendo habitual
fazer um pouco disso no dia anterior à guisa de prefácio.
Retirei-me para trocar roupa, mas não tinha ainda dado cinco passos quando fui assaltado
por uma tempestade de bolas coloridas carregadas com algum líquido e semelhante às que
eu notara na cidade. Surpreendido diante dessa violação declarada de um compromisso e
pelos fragmentos vermelhos e azuis com que eu for a salpicado, não perdi tempo em chegar
a meu quarto e fechar a porta. Tirei da estante um antigo dicionário português para obter informações. De acordo com o mesmo, entrudo ou intrudo
deriva-se do latim introitu entrada ou princípio. O dicionário descrevia o
festival como algo em que, como bacantes, as pessoas brincam,
festejam-se, dançam e fazem travessuras dentro das casas, enquanto for a realizam toda
espécie de brincadeiras, molhando e empoeirando umas às outras. Sobre a origem da festa
da qual eu já experimentara um pouco antecipadamente não pude descobrir
nada. Nem o vigário nem qualquer outra pessoa a quem perguntei, puderam dar-me o menor
detalhe sobre sua história. Admite-se, porém, que date de épocas remotas.
Talvez seja de perguntar se o entrudo e o carnaval da Itália sejam a
mesma cousa. Embora ambos estejam associados ao grande jejum da Quaresma, existe entre
eles grandes pontos de divergência aparente. O primeiro, em sua etimologia, não faz referência à
abstinência de carne, de que o último é uma expressão literal. Carni, carne; vale,
adeus. A época do carnaval estende-se desde primeiro de janeiro até o princípio da
Quaresma, ao passo que o entrudo se realiza na parte final de fevereiro e dura apenas
três dias, principiando invariavelmente no domingo que prece à quarta-feira de cinzas.
Além disso, o lançamento de pós e água é sua característica especial e o mais
destacado de seus ritos.
As bolas de entrudo, como são chamados aqueles objetos coloridos, ao invés de serem os
frutos com que se parecem, são apenas cascas de cera cheias de água. Têm resistência
suficiente para conter o líquido e para serem delicadamente apanhadas e lançadas a
considerável distância. Da mesma forma que outras bombas fatais, explodem quando atingem
o alvo; a cera fragmenta-se então e fica em sua maior parte grudada onde atinge. Recebi
como presente espécimes de superior qualidade, em forma de garrafa ou jarro de mesa e
decorados com pintura e douração. O gargalo era fechado numa imitação de rolhas
seladas. Para serem utilizadas, são carregadas com água de colônia ou outros líquidos
perfumados.
Dia 22/02
Hoje é dia do entrudo. Ao se levantar, meu amigo R. encontrou as extremidades inferiores
de suas calças costuradas. Não é anormal colocar meia dúzia de bolas em cada perna,
mas como R. encontra-se bastante indisposto, foram-lhe poupadas essas singulares
manifestações de afeição e banhos de pé. Por ocasião dos cumprimentos habituais,
esmagaram-me uma ou duas bolas na mão. Alguém encontrou seu café da manhã sem
açúcar, outro achou o seu com sal e um terceiro começou a tirar fios da boca, o que
causou novas explosões de riso; nos dois pratos de torradas todos os pedaços haviam sido
envoltos em fios finos, de tal forma que os dentes de quem os comesse fatalmente ficariam
presos àquela rede de fios Alguns negociantes estrangeiros pararam, a caminho do Jardim
Botânico. T. convidou-os a entrar. Os simplórios aceitaram! Pouco depois seus trajes de
montaria estavam transformados em trajes de banho. Um deles saiu sem chapéu e afastou-se
de cabeça descoberta! Voltou porém durante a tarde com um escravo trazendo uma grande
cesta de projéteis de cereais e, entrando calmamente pela retaguarda, pagou com juros a
seus adversários.
O vigário entrou e foi recebido com água de colônia. Sua sotaina porém foi poupada aos
ataques do amigo. Mencionou então vários casos em que ficara quase afogado após receber
as mais solenes promessas de que não seria molestado. Acreditei realmente e, voltando-me
para algumas senhoras, perguntei-lhes como podiam, em um domingo, mentir assim
"Oh!", responderam-me, "As mentiras do entrudo não são pecados".
Não é possível acreditar em coisa alguma enquanto dura o entrudo. O padre prudentemente
safou-se; não ousou ficar para o jantar, pois seus aposentos poderiam ser roubados por
amigos que em seu nome iriam buscar tudo que lá houvesse de valioso, dona F., por meio de
uma esperteza dessa espécie, conseguiu uma dúzia de garrafas de cerveja do carpinteiro
de J., que as tinha sob sua guarda. Ele próprio pregou uma peça no vigário no ano passado. Além disso, com o auxílio de um escravo, privou um amigo de um
peru e várias outras aves, que foram servidas num jantar em que o próprio proprietário
e sua família supunham que fossem convidados sem sonhar sequer que haviam contribuído
para o ágape. Era costume colocar diante
dos comensais pernis de madeira, pastéis de areia, doces e pudins de materias não
comestíveis, pratos dos quais saltavam sapos, etc. No entanto, o entrudo, como outros
festivais, não é mantido da mesma forma que outrora.
O senhor F. levantou-se para sair, mas foi convencido a sentar-se de novo em sua cadeira
sobre a qual um vizinho colocara uma quantidade de farinha e bolas de água. Ergueu-se de
um salto quando esse ninho de ovos foi esmagado e os autores da brincadeira tiveram
convulsões de riso. A algazarra não esmoreceu com o seu jeito de limpar as partes
afetadas Achando impossível permanecer, despediu-se com bom humor, acenando com uma das
mãos, enquanto com a outra colocava o chapéu na cabeça para cair em nova
armadilha. O chapéu estava cheio dos ingredientes habituais do dia. Duas extremidades de
sua pessoa encontravam-se agora nas mesmas condições em que a cabeça de dom Quixote,
quando pediu inesperadamente seu elmo, num momento inconveniente para Sancho entregá-lo.
Retirando-me para meu quarto, encontrei uma senhora desconhecida escrevendo sobre a mesa.
Parei e dirigi-lhe a palavra. Não deu resposta alguma, nem fez qualquer movimento.
Avancei então. A intrusa era apenas um travesseiro ao qual haviam adicionado mangas,
saias, gorros, xale, etc. muito artisticamente. Abrindo as gavetas, verifiquei que as
mangas e os colarinhos de todas as camisas estavam costurados, enquanto as outras peças
de roupas encontravam-se também hermeticamente fechadas, de tal forma que seria
necessário muito tempo ou paciência para vesti-las.
As pessoas de ambos os sexos são peritas em acalmar uma vítima após o ataque e fazê-la
abandonar sua atitude de reação. As senhoras mostram as palmas da mão abertas,
esfregam-nas no corpo, para provar que não têm projéteis ocultos, sentam-se ao lado da
vítima, manifestam cansaço e dizem que um pouco de brincadeira é bastante bom, mas seu
excesso é uma tolice e uma vulgaridade; mostram-se inocentes, como madonas e concluem
dizendo: "Chega de entrudo". Desfazem-se as suspeitas, mas em dez vezes contra
uma, naquele mesmo momento, a vítima recebe no rosto um par de bolas de cera, cheias de água com sabão ou é alvo de um canudo de um amigo. A bela inimiga
afasta-se da vítima com um grito e causa-lhe nova surpresa. Retira de sua pessoa miríades de bolas e canudos, até
forçar a vítima à conclusão de que é feita de tais coisas ou tem consigo alguma
máquina para produzi-las.
É costume também enviar pessoas em missões que só podem ser consideradas idiotas.
Assim, por exemplo, uma pessoa de boa fé é mandada tratar do que imagina ser um assunto
confidencial de grande importância para seu amigo tomar dinheiro emprestado, por
exemplo. A carta que leva em síntese: "Envie o tolo para o senhor B. e peça-lhe
para enviá-lo a outro, com o mesmo pedido!"
Aconteceu o caso de uma família ser banqueteada com suas próprias vitualhas. Um guloso reverendo
vingou-se de uma peça semelhante que lhe haviam pregado, aproveitando-se prodigamente da
mesa de um vizinho. Sua hilariedade foi maior quando um esplêndido bolo foi trazido e
colocado à sua frente. Com os olhos brilhantes investiu decisivamente sobre o bolo e,
quando três quartos do mesmo já haviam sido consumidos, uma insinuação fê-lo
levantar-se, permanecer em pé horrorizado e pedir paciência! O bolo presente
valiosíssimo de uma amiga fora surrupiado de sua própria despensa.
Caminhei em direção do Passeio e vi alguns indivíduos serem molestados. Um cavalheiro
vestindo terno novo recebeu duas ou três bolas e indignou-se deveras; dirigiu-me algumas
observações e apontou para a janela de onde haviam partido as bolas. É inútil ficar
encolerizados, pois aqueles que o fazem terão sua cólera refrescada por um chuveiro
frio.
Os jovens aqui e acolá brincam com seringas. Há algum tempo notei enormes aparelhos de
lata pendurados à porta dos funileiros e certa vez encontrei um indivíduo levando um
deles para casa. Desejando saber para que eram destinados, detive-me um dia a
examiná-los. Tudo o que pude saber do sorridente profissional foi que o preço de cada um
era de dois mil réis. Eram seringas de entrudo de um ou dois litros. Os jovens marotos
negros, que as enchem nos esgotos, raramente molestam qualquer pessoa que não seja da sua
cor. Os rapazes brancos, porém, não têm cerimônia em molhar os etíopes. B. falou-me
de alguns conhecidos seus que ocultavam as bombas no jardim para saudarem com ele seus
amigos. Ele próprio tinha uma delas, mas estava desarranjada.
A ilustração, de um artista do Rio, representa magnificamente uma cena de entrudo nas
ruas. Vi certa vez um negro carregando água da fonte da Carioca ser atacado precisamente
da mesma maneira assim representada. O negro tropeçou e caiu de cabeça para frente.
Felizmente sem se ferir.
Retirando-me já à noite, não pude encontrar meios de me deitar na cama. Os lençois e
as colchas haviam sido transformados em um saco, cuja boca fechada estava por baixo do
travesseiro. Acendendo de novo o candeeiro, desmanchei a costura e finalmente deitei-me
para descansar, exausto do entrudo e considerando que ainda devia ser grato por não ter
encontrado um monte de bolas no fundo do saco.
As puerilidades do entrudo não seriam dignas de menção se não ilustrassem costumes
antigos. Da mesma forma que outros divertimentos, sobreviveram às instituições que
deviam comemorar, o que é muito natural, pois todas as pessoas apreciam divertimentos e
alegrias.
Têm sido freqüentemente observadas coincidências notáveis na língua, costumes e
outras questões que estabelecem uma intimidade, senão identidade, entre os ancestrais
dos povos da Europa Ocidental e da Ásia Central. Não tenho conhecimento de que o entrudo
tenha tido quanto à sua origem explicação desta maneira. Parece, porém, haver pouca
dúvida de que seja o mesmo Hohlee do Indostão festa que data de épocas
míticas e conseqüentemente se envolve em densa obscuridade.
Alguns escritores supõe que o Hohlee refere-se à volta vitoriosa de um famoso
herói após a batalha. Outros pensam que se baseia nas orgias de Krishnu, deus mais
licencioso que o Júpiter grego. Outros ainda imaginam que se refere ao encerramento do
ano velho e à aproximação da primavera, quando a natureza espalha suas flores pela
terra. O epíteto de "purpúreo" foi dado à primavera pelos poetas antigos e a
mesma estação é caracterizada pelo pó vermelho que os hindus, ao celebrarem o Hohlee,
lançam uns sobre os outros.
Um relatório escrito da participação que teve na celebração deste festival na Corte
de um princípe hindu é dado pelo senhor Broughton, que diz:
"Celebrar o Hohlee consiste em lançar uma certa quantidade de farinha feita
de uma noz aquática chamada singara e colorida com tinta vermelha: essa farinha
chama-se abeer e o principal divertimento é lançá-la aos olhos, à boca e ao
nariz dos foliões e enlameá-los completamente com água tingida de cor de laranja. A abeer
é muitas vezes misturada com talco em pó, para fazê-la brilhar, e quando penetra nos
olhos causa bastante dor. É algumas vezes encerrada em pequenos glóbulos
feitos de um material gelatinoso mais ou menos do tamanho de um ovo, com os quais é
posssível fazer boa pontaria contra aqueles a quem se deseja atingir; necessitam porém
ser manejados habilmente, pois rompem ao mais ligeiro contato
Poucos minutos depois de termos sentado, grandes bandejas de lata, cheias de abeer
e das pequenas bolas já descritas foram trazidas e colocadas diante do grupo, juntamente
com água amarelada e uma grande seringa de prata para cada indivíduo. O Mha Raj iniciou
a brincadeira atirando um pouco de água vermelha ou amarela sobre nós, com goolabdans
pequenas vasilhas de prata para borrifar água de rosas nas visitas de cerimônia.
Todos começaram então a lançar abeer e a orvalhar seus vizinhos. É contra a
etiqueta qualquer coisa contra o Raj; no entanto já lhe havíamos dito que tínhamos
tomado a resolução de atacar quem quer que nos atacasse e, com bom humor, respondeu que
"com todo o seu coração estava preparado para nos enfrentar e disposto a apostar
quem atacava melhor". Verificamos, porém, logo que com ele não tínhamos a
menor probabilidade, pois além de seus servidores segurarem um pano diante de seu rosto,
tinham-lhe posto na mão uma mangueira de bomba de incêndio, cheia de água amarela e
operada por meia dúzia de homens. Com esta arma atacou os que se encontravam em torno,
com tal resultado que dentro de algum tempo não havia na barraca um único homem que
tivesse seca qualquer parte do corpo.
Às vezes dirigia a água contra os que estavam sentados a seu lado com tal força que
não era fácil à pessoa conservar-se sentada. Toda oposição a esse formidável
aparelho seria fútil. Pazadas inteiras de abeer eram lançadas, seguidas
imediatamente por um esguicho de água amarela, de tal forma que éramos alternadamente
empoeirados e ensopados, até que o chão em que nos sentávamos tivesse ficado coberto
com algumas polegadas de espessura de uma espécie de lama cor de rosa e alaranjada. Nunca
testemunharia em minha vida cena semelhante.
Imaginai grupos sucessivos de dançarinos, enfeitados com fitas de ouro e
prata, com seus vistosos enfeites manchados de abeer e gotejantes como náiades, com água cor de laranja
cantando agora as canções do Hohlee, com todas as árias da libertinagem e
pouco depois gritando com afetadas exclamações, quando recebiam um novo jato de água de
parte do Raj; a dissonância dos tambores, trombetas, violinos e címbalos, tocando como
se tentassem apenas abafar os outros ruídos que se ouviam ao redor; o triunfo daqueles
que lançavam com êxito a abeer e os clamores das vítimas dos ataques; as grandes
explosões de risos e os aplausos que se ouviam por todos os lados entre a multidão
alegre; imaginai se puderdes tal reunião de objetos extraordinários, em seguida
pintai-os com duas brilhantes pinceladas de róseo e amarelo, e tereis uma idéia da cena,
que vai além absolutamente de qualquer descrição".
Em outros pontos o entrudo e o Hohlee concordam. O último, ao que nos informa
"é realizado quase na mesma época que nossa quarta-feira de cinzas e também
precede a Quaresma ou temporada de expiação hindu" coincidência de época e
finalidades, tornada ainda mais notável pelo fato de ambos os festivais serem celebrados
com poeira e água, com bolas e seringas. O Hohlee é celebrado por todas as
classes na India inteira, constituindo uma oportunidade de divertimento universal. Entre
suas principais brincadeiras incluem-se as que entre nós caracterizam o primeiro de
abril.
Em diversos aspectos o festival asiático assemelha-se à antiga Saturnália e ao moderno
carnaval, sendo permitidas as maiores liberdades às pessoas de todas as categorias. Já
foi comparado ao Hilaria celebrado em Roma no equinócio vernal em honra da mãe
dos deuses, quando sua estátua era levada em procissão acompanhada por pessoas
fantasiadas que por seus trajes e maneiras assumiam então a máscara da personalidade que
lhes agradava.
Na verdade quase todas as nossas antigas festas religiosas são ligadas a instituições
semelhantes da India, Egito, Grécia e Roma.
Para concluir este curioso assunto, deve-se recordar que nos últimos anos a borracha da
India tem sido aplicada a uma multidão de finalidades úteis. Contribui com numerosos
aparelhos valiosos para a ciência. Garrafas de borracha constituem uma espécie nova e
única de instrumentos de exaustão e compressão. Fazem-se também com borracha cintas e
ventosas assim como substitutos para seringas. Esta última invenção é devida aos
aborígenes do norte do Brasil. No Pará, região da borracha, as seringas de goma
elástica são comuns desde há muito tempo, e durante o entrudo podem ser vistas nas
mãos dos índios, dos brancos e dos negros.
É também bastante curioso o fato de ser lançada pelos foliões uma terra ou ocre
amarelo, assim como amido de caçava.
(EWBANK, Thomas. A vida no Brasil)
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