Retornar para Colher de PauRetornar para Colher de Pau
Ir para a página principal

DEZ ALIMENTOS DE TERREIRO

1. ABADÔ

Prato passado na máquina, que se torna uma espécie de farinha. O milho vermelho é o utilizado para a feitura desse alimento ritual. O abadô também é encontrado com outra designação para o axoxô ou axoxó, não possuindo nenhuma mudança de preparo culinário.


2. BOLINHOS DE EGUM

É alimento muito comum, preparado com bolas de farinha de mandioca e água, que não se leva ao fogo para cozinhar. Não se utilizam instrumentos culinários, usando-se apenas as mãos. Os bolinhos prontos vão tornando-se médios e neles colocam-se pedacinhos de carvão, estando prontos para o ritual, de acordo com os preceitos necessários.


3. CARURU

Utilizam-se quiabos cortados em pedaços pequenos, que são lavados para conter um pouco a baba. O quiabo é temperado com sal, camarão seco, cebola, amendoim, castanha, podendo ainda levar favas africanas. O caruru tradicional é bem mais complexo em sua feitura, e há necessidade de ervas, tais como a bertalha, unha-de-gato, capeba, bredo-de-santo-antônio, oió, almeirão, acelga, nabiço, mostarda, espinafre e outras folhas. É comum a utilização de peixes, carne-seca, frangos e frangas, que são sacrificados através de rituais em honra dos Ibejis e erês. Essas carnes são temperadas de modo comum e adicionadas, na vasilha, de quiabo, ervas e condimentos. É importante a fartura do bom dendê, feito da flor, e assim está pronto o prato predileto dos santos gêmeos. O caruru é servido em gamela de madeira ou tigela de barro em forma redonda. Segundo os preceitos, as crianças comem com as mãos, sem se utilizarem de talheres. Em pequenas najés são retiradas porções especiais, indo ocupar lugar nos pejis. É de tradição colocar três, sete ou doze quiabos inteiros no caruru, tornando-se uma obrigação comum, mesmo nos carurus de uso profano realizados fora do ciclo de setembro.


4. EBÔ

Alimento preparado com milho branco que, depois de ficar depositado em vasilha com água, é pilado e cozido. Há tipos distintos de ebôs, quando se coloca o ori como único produto adicional. O ebô é feito com azeite-de-dendê e a massa pode conter feijão-fradinho torrado. Fervendo os dois produtos até obter a massa desejada, complementa-se com azeite de dendê e sal. Coloca-se o alimento em prato especial até esfriar, levando-se ao interior do peji, onde é oferecido ao orixá.


5. EGUEDÊ

Banana frita em lascas. O eguedê é preparado com azeite-de-dendê, alimento complementar de outros pratos, geralmente os condimentados. É comum o consumo de eguedê com farofa-de-dendê.


6. FAROFA DE MEL

Utilizam-se farinha de mandioca e mel de abelha. Misturam-se bem os ingredientes com as mãos, sem levar ao fogo. Esse alimento ritual não leva qualquer alimento e é de fácil preparo.


7. FEIJOADA DE OGUM

O feijão é preparado com os temperos comuns, como coentro, cebola, sal e outros condimentos; é servido com as carnes da tradicional feijoada, que contém peles, toucinho, lingüiça, partes do porco e carne-seca. O feijão, com fortes condimentos, é preparado geralmente ao ar livre, em grande panelão, em fogo brando, cozinhando-se lentamente os produtos. A prática exige que todos os participantes da feijoada consumam a comida sem utilizar talheres, colocando nela boas porções de farinha de mandioca, preparando assim, pequenos bolinhos. As filhas-de-santo, em volta dos pratos arrumados em esteiras no chão do terreiro, aguardam a vinda dos orixás, e os atabaques tocam em honra de Ogum. Quartinhas com sangue de sacrifício e inhame cozido com azeite-de-dendê centralizam a esteira. Após a vinda dos orixás, os pratos com a feijoada são levados ao salão e vão ocupar lugar no peji do santo homenageado. Toda a assistência participa, comendo do mesmo feijão que foi servido, em parte, no início do ritual. As quantidades são repetidas, de acordo com a vontade de cada um. Os ogãs, músicos e demais iniciados também participam do banquete. A feijoada de Ogum é servida às doze horas, em data próxima ou no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio. Seu preparo é de alto significado ritual, representando a união do trabalho e da fé.


8. MINGAU DE NANÃ

Alimento preparado com farinha de arroz cozida em água sem ervas nem temperos. Quando a papa estiver quase endurecida, é retirada do cozimento, colocando-se em utensílios de louça, estando pronta para ser servida à divindade.


9. PAMONHA

Massa de milho verde cozida na própria folha. Alimento de Oxossi.


10. SARAPATEL

Alimento preparado à base de miúdos de porco, incluindo-se o sangue. Os miúdos são preparados com um cozimento especial, levando água e sal. Os temperos moídos, feitos de cebola, coentro, alho e pimenta-do-reino, são adicionados aos miúdos e ao sangue desfeito na fervura. A massa é bem diluída, tornando-se uma papa bem mole, podendo-se adicionar pimenta-de-cheiro no fim do cozimento. O sarapatel é complementado com farinha de mandioca, tornando-se uma farofa bem condimentada. É importante assinalar a utilização do sarapatel com finalidade religiosa, sem o uso da farinha. É servido em forma de papa, sendo, assim, do agrado de algumas divindades afro-brasileiras.

(LODY, Raul. Santo também come)

 

Ilustração de Marcos Jardim

Colher de Pau

Folhinha | Festança | Cancioneiro | Imaginário | Oficina | Palhoça | Panacéia | Catavento | Almanaque
Candeeiro | Mural | Expediente
| Busca | Outras Edições