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CORRIGINDO O ENGANO

Após a vitória do governo na revolução de São Paulo, e iniciado o período de perseguição aos vencidos, foi Martim Francisco chamado à Polícia Central, para dar explicação sobre a sua conduta durante a ocupação da cidade pelos revoltosos.

– É certo que Vossa Excelência foi a terceira pessoa que conferenciou com o general Isidoro? – inquiriu a autoridade.

– É mentira! – protestou Martim Francisco. – É mentira o que vieram dizer à polícia.

E no mesmo tom:

- Fui a primeira!

(O Jornal, 24/04/1927)

***

O LENÇOL DO PATRIARCA

Achava-se José Bonifácio enfermo em Niterói, quando um amigo, que o vira no fastígio político, o foi visitar ali, velho, esquecido, abandonado. Ao penetrar no aposento, notou logo a modéstia do ambiente, e, sobretudo, os remendos do lençol que cobria o leito de pobre.

– Não repare – desculpou-se o patriarca.

E, passando a mão pelo lençol:

- O que afeia estes bordados é apenas a irregularidade do desenho…

(Moreira de Azevedo. Mosaico brasileiro. p. 112)

(In CAMPOS, Humberto de. O Brasil anedótico; frases históricas que resumem a crônica do Brasil-Colônia, do Brasil-Império e do Brasil-República)

Fita, renda e botão,
Renda, botão e fita,
Compra aqui do Jorge,
Que você fica bonita.


(Pregão de um mascate da rua José Paulino,
em São Paulo, do ano de 1948)


• A experiência é a mãe da sapiência
• Bolso cheio, coração alegre
• Cada cuba cheira ao vinho que tem
• Desgraça de pote é caminho de riacho
• Desculpa de aleijado é muleta
• Macaco quando acha galho, trepa e balança
• Mel não é pra boca de jegue
• Não há melhor juiz que o tempo
• Peru é que morre de véspera
• A maneira mais rápida de se tocar uma boiada é devagar

• Quatro pneus cheios e um coração vazio
• Mulher é como música, só faz sucesso quando é nova
• Sou casado com a Farra, mas vivo com a Mercedes
• Coração de maluco não bate, balança
• Quem inventou a distância não conhece a saudade
• Dinheiro não traz felicidade, mas acalma os nervos
• Em terra de saci, uma calça serve para dois
• Destruidor de distâncias, devorador da saudade
• Em baile de cobra, sapo não dança
• Salário de pobre é troco de rico

(COSTA, Fontoura. Matutices)A FUNCIONÁRIA POSTAL

- Me contô nhô Sandová
Que o coroné arranjô
imprego, na Capitá
Pra Colaquinha Bolô

- Que novidade! E o lugá dará munto?

- Sim, sinhô! Diz-que, dá que nem cará

- Mais… Me diga, pure favô:
O que é que faiz essa dianha
Lá im São Pólo, que ganha
Desse jeito, heim, nhô Campelo?

- Ara! Diz-que, no correio
De lá, a tar, nhô Zé Feio
É lambedeira de selo

***

O DITADO

- O Cródino Furrundum
É que é um cabra desgranhado
Mermo, pra sabê ditado
Home! É fora do comum

- Ara! Aqui na vila, num
Tem quem num saiba, Maiado
Que se exeste arguem danado
Pressas hestoriadas, é esse-um

Oí: Hoje ele me falô
Um ditado, que é um primô
De mimosura…
- Co a bréca!

E como é o tar, Zico Diogo?
– Ansim: - Muié é vê fogo,
Quando num queima, sapeca

 

(COSTA, Fontoura. Matutices)

O LOUCO

Um louco, na sua cela
Com uns pauzinhos que apanhou
Uma forca imaginária
Com paciência arquitetou

Fugiu da prisão de noite
E foi, com seus dissabores
Ao jardim do velho hospício
Acusar todas as flores!

A tal da Rosa-Menina
De todas a mais dileta
Por capricho, assassinara
A glória de um grande poeta!

A Dália, a Hortênsia, a Camélia
Eram todas criminosas
Como as brancas Açucenas
E como todas as Rosas

A Dália, um pintor matara!
A Camélia, - um trovador!
E foi assim acusando
(uma a uma), flor a flor!

Perguntava a cada uma
Se tinha, em sua defesa
Alguma coisa a dizer!

E vendo a flor, contristada,
Calada,
Sem responder,
Dizia: "Tu és culpada,
E, como tal, vais morrer!"

E depois, uma por uma
Pacientemente enforcou!
Uma por uma, já mortas
Numa covinha enterrou
E, de joelhos, suplicando
Passou a noite rezando
A noite inteira rezou!

***

O sol fulgente nascia
Como um crânio ensanguentado
Na glória dos seus fulgores
E o doido ainda, ajoelhado
Cantava uma Ave Maria
Pedindo a Deus pelas flores!

(CEARENSE, Catulo da Paixão. Fábulas e alegorias)

O animal na boca do povo: BODE

Mestiço, cabra.
Homem sensual, galanteador, dado às conquistas amorosas.
Valete do baralho.
Nova-seita, protestante.
Alteração, bagunça, encrenca, sangangu.
Menstruação.
Almoço> de trabalhador rural, servido no campo.

Bodejar: falar muito, gaguejar, gemer, galantear.
É como bode: Gosta mais da luta do que da fruta: diz-se do homem mais de gabolices amorosas do que relações com mulheres.
Barba de bode: pessoa insignificante, tipo de barba de homem.
Bode rouco: afônico.
Bodum: odor de corpo sujo, transpiração.
Bode preto: maçom, diabo.
Pintar o bode: comportar-se mal, o mesmo que pintar o sete.

Bode expiatório: vítima de tudo que acontece de ruim. Na família e nos locais de trabalho, a pessoa a quem se atribui a responsabilidade dos insucessos.
Bode amarrado: zanga, aborrecimento, incomunicabilidade.
É como bode de Guarabira: Passava a noite bufando ao redor do chiqueiro das cabras mas era capado: aplica-se aos cortejadores sem venturas e aventuras.
Sem-vergonha que só bode criado em casa: capaz de atos íntimos na frente de outras pessoas.
Deus te dê o que deu ao bode: catinga, barba e bigode: expressão de valentões e mulherengos.
Quem menos pode é quem paga o bode: das dificuldades sobre o mais fraco.
Desconfiado que só bode na chuva: desconfiadíssimo.
Alvoroçado que só bode em curral de cabritas: inquieto diante de qualquer coisa.
Sofrer como bode embarcado: sofrer muito.
Ficar de bode: Menstruar-se.
Certo que só beiço de bode: igual, bem feito.

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