Jangada Brasil, nº 6, fevereiro de 1999: Almanaque 3/3


(Chiquinha Gonzaga)
Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negarÓ Abre Alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar

 


(Braguinha – Alberto Ribeiro)Cadê Mimi? Cadê Mimi?
Mimi que fugiu pra Xangai
Mimi que partiu me deixando aqui
Do meu pensamento não sai
Cadê Mimi? Cadê Mimi?
O meu bibelô japonês
Que ainda espero encontrar e amar
Amar mais uma vez
Perguntei a todos por Mimi
O meu bibelô que eu encontrei e perdi
Mas ninguém, ninguém soube dizer
Onde é que Mimi foi viver
Se algum dia eu encontrar Mimi
O meu bibelô que eu achei e perdi
Vou guardar Mimi numa prisão
Fechadinha em meu coração

(Braguinha – Alberto Ribeiro)

Chiquita bacana
Lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana nanica
Não usa vestido
Não usa calção
Inverno pra ela
É pleno verão
Existencialista
Com toda razão
Só faz o que manda
O seu coração


(Braguinha)

O vovô ia a cavalo
Para visitar vovó
O papai de bicicleta
Pra ver mamãe, ora vejam só!
Hoje tudo está mudado
Mudou tudo, sim senhor
E eu tenho uma lambreta
Para ver o meu amor
Corre, corre, lambretinha
Pela estrada além
Corre, corre, lambretinha
Que eu vou ver meu bem

 


(Braguinha – Jota Júnior)

Ulalá… ulalá
Você é mais você
Com umbiguinho de fora
Garota de Saint-Tropez
Laranja da Bahia
Tem umbiguinho de fora
Por que é que você, Maria
Escondeu o seu até agora


(Braguinha – Antônio Almeida)

Ô…ô-ô-ô
Lancha nova
No cais apitou
Ô…ô-ô-ô
Lancha nova
No cais apitou
E a danada da saudade
No meu peito já chegou
E a danada da saudade
No meu peito já chegou

Adeus, ó linda morena
Não chores mais, por favor
Partindo, eu morro de pena
Ficando, eu morro de amor
Meu barco já vai partindo
Já vai-se embora, meu Deus
Só vejo ao longe sumindo
Um lenço dizendo adeus

 


(Braguinha)

Lourinha, lourinha
Dos olhos claros de cristal
Desta vez, em vez da moreninha
Tu serás a rainha do meu Carnaval

Loura boneca
Que vens de outra terra
Que vens da Inglaterra
Que vens de Paris
Quero te dar
O meu amor mais quente
Do que o sol ardente
Deste meu país

Linda lourinha
Tens o olhar tão claro
Deste azul tão raro
Como um céu de anil
Mas tuas faces
Vão ficar morenas
Como as das pequenas
Deste meu Brasil

 


(Braguinha – Noel Rosa)

A estrela-d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
Linda pastora
Morena da cor de Madalena
Tu não tens pena
De mim
Que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança
Tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar


(Braguinha – Alberto Ribeiro)

Pirata
Pirata da areia
Que não rouba embarcações
Que fica nas praias serenas
Avançando nas pequenas
E assaltando corações!
Pirata, você não me engana
Pirata da areia de Copacabana
Cuidado linda sereia
E apanhar não se deixe
Que ele diz de boca cheia
Que quem cai na rede é peixe!
A prometer casamento
Passa a noite e passa o dia
E até hoje ainda não sabe
Onde fica a pretoria!

 


(Braguinha)

Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau
Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau…

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa
Opa! Homem, não…


(Braguinha – Alberto Ribeiro)

Todo domingo
Havia banda
No coreto do jardim
E já de longe
A gente ouvia
A tuba do Serafim
Porém um dia
Entrou um gato
Na tuba do Serafim
E o resultado
Dessa “melódia”
Foi que a tuba
Tocou assim:
Pum, pum, pum – miau
Pum, pururum, pum, pum – miau
Pum, pum, pum – miau
Pum, pururum, pum, pum – miau


(Braguinha)

Chegou a primeira escola de samba
Escola que não tem rival
Pelo som da bateria
Até parece o Batalhão Naval
Neste mundo só há duas coisas
Que balançam o meu coração
É a ginga da minha cabrocha
E a cadência do meu Batalhão
Duas coisas somente no mundo
Fazem meu corpo balancear
A cadência de um samba de morro
E o balanço das ondas do mar


(Braguinha – Alberto Ribeiro)

Eu fui às touradas em Madri
Parará-tim-pum-pum-pum
Parará-tim-pum-pum-pum
E…Quase não volto mais aqui-i-i
Pra ver Peri-i-i
Beijar Ceci
Parará-tim-pum-pum-pum
Parará-tim-pum-pum-pum

Eu conheci uma espanhola
Natural da Catulunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro à unha
Caramba…
Caracoles…
Sou do samba
Não me amoles
Pro Brasil eu vou fugir
Que isto é conversa mole
Para boi dormir
Parará-tim-pum-pum-pum
Parará-tim-pum-pum-pum


(Braguinha)

Vai, com jeito vai
Se não um dia
A casa cai
Menina…
Vai, com jeito vai
Se não um dia
A casa cai
Se alguém te convidar
Pra tomar banho em Paquetá
Pra piquenique na Barra da Tijuca
Ou pra fazer um programa no Joá, menina…


(Braguinha – Alberto Ribeiro)

Ô balancê, balancê
Quero dançar com você
Entra na roda
Morena pra ver
Ô balancê, balancê

Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê, balancê

Você foi minha cartilha
Você foi meu A-B-C
Por isso eu sou a maior maravilha
No balancê, balancê

Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
O tempo passa e eu vou me acabando
No balancê, balancê

Capa do CD: Ataulfo Alves; Leva meu samba... Cast, 1994



Viva o Zé Pereira
Viva o Carnaval
Viva a alegria
Que a ninguém faz mal

 


(Antônio dos Santos)

Acorda Maria Bonita
Levanta, vem fazer o café,
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé

Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem.
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem

Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cedo e não vê nada


(Nássara – Haroldo Lobo)

Alá-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente, queimou a nossa cara
Alá-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô…
Viemos do Egito
E muitas vezes nós tivemos que rezar
Alá, Alá, Alá, meu bom Alá
Mande água pro iôiô
Mande água prá iáiá
Alá, meu bom Alá

Alá, lá, ô…

 

Mulher casada que anda sozinha
É andorinha, É andorinha
É andorinha que sozinha faz verão
Andorinha, cuidado,
Homem casado sozinho é gavião…

 


(Roberto Roberti – Mário Lago)

Se você fosse sincera,
Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era,
Ô ô ô ô, Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô, Aurora…

 

Atrás da banda,
Atrás da banda,
Eu vou, eu vou, eu vou,
Toca, toca bandinha
Atrás da banda
Eu tô na minha
É pois é
Nesta banda cada um
Faz o que quer
Como é que é
É pois é tem até homem
Fantasiado de mulher

 

Eu não chorei,
Porque não sei chorar
Nem reclamei
Porque não sou de reclamar
Só exaltei, Eneida
Amor e fantasia
Cantei Entrudo Zé Pereira
e o rei da folia…


(Lamartine Babo – Irmãos Valença)

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha, meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

 


(Se a canoa não virar)
(Antônio Almeida – Oldemar Magalhães)

Se a canoa não virar
Olê-olê-olá
Eu chego lá
Rema, rema, rema, remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar


(André Filho)

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil

Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n’alma da gente
És o altar de nossos corações
Que cantam alegremente

Jardim florido de amor e saudade
Terra que todos seduz
Que Deus te cubra de felicidade
– Ninho de sonho e de luz


(Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro – adaptação de Tom Jobim e Chico Buarque)

Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe,
Mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai, ai, ai, ai,
Mas ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos,
E eles que ficam tontos

Eu bebo sem compromisso
Com meu dinheiro
Ninguém tem nada a ver com isso
Onde houver garrafa,
Onde houver barril,
Presente está a turma do funil


(Benedito Lacerda – Humberto Porto)

Oh, jardineira
Por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira,
Vem meu amor
Não fique triste
Que este mundo é todo teu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu


(Vicente Paiva – Jararaca)

Mamãe eu quero,
Mamãe eu quero,
Mamãe eu quero mamar,
Dá a chupeta,
Dá a chupeta,
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Dorme filhinho
Do meu coração
Pega a mamadeira
E vem entrá pro meu cordão
Eu tenho uma irmã
Que se chama Ana
De piscá o olho
Já ficou sem a pestana.

Olha as pequenas
Mas daquele jeito,
Tenho muita pena
Não ser criança do peito
Eu tenho uma irmã
Que é fenomenal
Ela é da bossa
E o marido é um bossal

Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca
Prá fazer pano de prato
Minha cueca
Tava lavada
Foi um presente
Que eu ganhei da namorada

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí
Não vai dar,
Não vai dar não
Você vai ver
A grande confusão
Que eu vou fazer
Bebendo até cair
Me dá, me dá, me dá, (oi)
Me dá um dinheiro aí


(João Roberto Kelly)

Mulata bossa-nova
Caiu na hully-gully
E só dá ela
Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê
Na passarela
A boneca está
cheia de fiu-fiu
esnobando as loiras
e as morenas do Brasil

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é?
Será que ele é?
Será que ele é bossa nova?
Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é
Corta o cabelo dele,
Corta o cabelo dele,
Corta o cabelo dele,
Corta o cabelo dele


(Braguinha – Antônio Almeida)

Branca é branca, preta é preta
mas a mulata é a tal, é a tal!
Quando ela passa todo mundo grita:
Estou aí nessa marmita?
Quando ela bole com os seus quadris
eu bato palmas e peço bis
Ai, mulata, cor de canela!
Salve, salve, salve, salve ela!


(Braguinha – Lamartine Babo)

Vem moreninha
Vem tentação
Não andes assim tão sozinha
Que uma andorinha não faz verão
Dizem morena que teu olhar
Tem corrente de luz que faz cegar
O povo anda dizendo
Que essa luz do teu olhar
A Light vai mandar cortar
Vem meu amor, deixa de medo!
O amor é uma espécie de brinquedo
Se acaso terminar
O nosso sonho à luz do dia
Eu rasgo a minha fantasia!


(Max Nunes – Laércio Alves)

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade que me invade
Eu peço paz

Saudade, mal de amor, de amor
Saudade dor que dói demais
Vem, meu amor
Bandeira branca
Eu peço paz

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