Jangada Brasil, nº 6, fevereiro de 1999: Almanaque 1/3

 

No último dia 30 de dezembro, morreu aos 89 anos, João Batista da Silva, mais conhecido por João Pacífico, um dos maiores compositores da música brasileira, autor de quase 1.400 músicas, entre elas os clássicos Cabocla TerezaPingo d’água e Chico Mulato.

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“João Pacífico era o mais antigo sobrevivente da autêntica música caipira, senão o único. Para mim não existe música sertaneja. Regravei praticamente todos os clássicos desse mestre, que morreu compondo coisas lindas. Não é exagero algum dizer que ele estava para o gênero como Noel Rosa para a música popular brasileira”

Rolando Boldrin
Cantor e compositor

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“Ele se foi, mas suas músicas ficarão para eternizar sua arte. João soube como ninguém, buscar na natureza inspiração para compôr músicas lindas. Pena que a mídia não lhe tenha dedicado mais espaço, principalmente por ele não abrir mãos de suas convicções artísticas. Seu estilo acabou influenciando o trabalho de vários autores caipiras, o meu inclusive”

Renato Teixeira
Compositor e Cantor

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“Jamais conheci alguém tão criativo. Sem diploma ou formação  musical, João Pacífico criou algumas das mais belas páginas da música caipira. Era um gênio, doce e sensível. Perdi a conta de quantas vezes ele se apresentou em meu programa nos dezenove anos de Viola, minha viola. Ele sempre chegava da mesma forma – entrava correndo, bem-humorado e brincalhão.”

Inezita Barroso
Compositora, cantora e apresentadora

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“João soube ganhar respeito não só na música caipira, mas na música popular brasileira em geral. Há um mês fizemos um show em Botucatu. A última imagem que guardo dele é a daquele sujeito simpático, amigo e gozador, que só conseguia matar alguém no enredo de suas músicas. Fiz, inclusive uma toada em sua homenagem chamada Caboclo João em que exalto toda a sua bondade.”

Adauto Santos
cantor e violeiro

(Diario Popular. 31/12/1998)

 

A ARTE
DE JOÃO PACÍFICO

 


PINGO D’ÁGUA
(João Pacífico/Raul Torres)

Eu fiz promessa
Para que Deus mandasse chuva
Prá crescê a minha roça
E vingá a prantação
Pois veio a seca
E matô o meu cafezá
Matou tudo o meu arroz
E secou o meu argodão
Nesta colheita
Meu carro ficou parado
Minha boiada carreira
Quase morre sem pastar
Eu fiz promessa
Que o primeiro pingo d’água
Eu moiava a frô da santa
E dava em frente do altá
Eu isperei
Uma sumana, um mês inteiro
A roça tava tão seca
Dava pena a gente vê
Oiava o céu
Cada nuvem que passava
Eu da santa me alembrava
Prá promessa não esquecê
Em pouco tempo
A roça ficou viçosa
A criação já pastava
Floresceu meu cafezá
Fui na capela
E levei treis pingo d’água
Um foi o pingo d’água
Dois caiu do meu oiá.

CABOCLA TEREZA
(João Pacífico/Raul Torres)

Há tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morar,
Pois era ali o nosso ninho
Bem longe desse lugar.
No alto lá da montanha,
Perto da luz do luar,
Vivi um ano feliz
Sem nunca isso esperar
E muito tempo passou
Pensando em ser tão feliz,
Mas a Tereza, doutor,
Felicidade não quis.
Os meus sonhos nesse olhar
Paguei caro meu amor
Pra mode doutro caboclo
Meu rancho ela abandonou.
Senti meu sangue ferver,
Jurei a Tereza matar
O meu alazão arriei
E ela eu fui porcurar.
Agora, já me vinguei
É este o fim de um amor.
Essa cabocla matei
É a minha história, doutor.

A HISTÓRIA DE UM PREGO
(fragmento)

Meu filho corre
Vem sentar aqui comigo
Sou teu pai, sou teu amigo
Eu quero te aconselhar
Vê na parede
Aquele prego ali pregado
Ele sabe o meu passado
Mas eu quero contar
Naquele prego
Já pendurei meu laço
O arreio do Picasso
Meu cavalo de estimação
E um par de esporas
Que custou muito dinheiro
E um chapéu de boiadeiro
Que eu lidava no sertão
Naquele prego
Pendurei muito cansaço
Muito suor do mormaço
E poeira do estradão
E quantas vezes minhas mágoas
Pendurei
Sentimentos eu guardei
Prá não magoar teu coração…

FIOZINHO D’ÁGUA

Um fiozinho d’água
Desviou do seu riacho
Veio vindo serra abaixo
E passou pro meu pomar
Encontrou uma pedra
Ficou sua companheira
Brincaram de cachoeira
E aqui ficaram prá morar
E hoje da janela
Eu contemplo a cachoeirinha
Que ficou minha vizinha
Desde que eu a vi nascer
Seu murmúrio doce
É um verdadeiro canto
Que me serve de acalanto
Para eu adormecer

FRANGO COM POLENTA

Não vou falar de viola
Tampouco de minha roça
Deixei de lado a palhoça
Prá outro assunto contar
Foi um convite que recebi de
Nhá Benta
Comer frango com polenta
E eu fui me deliciar
Vesti meu terno riscado
Lenço branco no pescoço
E lá fui eu pro almoço
Mal acabei de chegar
Eu vi na porta da sala
A cabocla que não existe
Morena de olhos tristes
Que alegra qualquer olhar
Incrível foi o meu destino
À minha frente sentou
Seu olhar me enfeitiçou
Quase não pude comer
Não sei se o frango ou polenta
Qual tinha mais sabor
Mas o tempero do amor
É quem veio me prender
E hoje na minha roça
Já tenho quem me consola
Já tenho filho na escola
Agradeço a Deus e Nhá Benta
Quando sentamos na mesa
Nóis treis para comemorá
Há neste dia um jantar
Que é frango com polenta

“Se um dia vocês virem as folhas amarelas, não reparem, foi a saudade quem pintou”

JOÃO PACÍFICO
(05/08/1909-30/12/1998)

Desde 1923 um grupo de oficiais e alguns civis conspiravam contra o governo de Artur Bernardes. Embora estendida por todo o país, a conspiração concentrava-se em São Paulo e era liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, pelo major Miguel Costa, além de João Cabanas e Joaquim Távora, contando com o apoio da Força Pública Estadual. Na madrugada de 5 de julho de 1924, São Paulo caiu nas mãos dos revoltosos. Três dias depois, o Presidente do Estado de São Paulo, Carlos de Campos, entregou a cidade ao comando revolucionário. Tomado de surpresa, o governo federal mobilizou suas forças (14 mil legalistas contra 3.500 revoltosos) e bombardeou a cidade às cegas, atingindo residências particulares e civis assustados.

Foi nesse clima, em plena revolução paulista de 1924 que um sujeito chamado João Pacífico, então funcionário da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, desembarcou na cidade de São Paulo.

Naquela época, esse neto de escravos que havia nascido numa fazenda perto de Cordeirópolis, cursado o grupo escolar em Limeira, jamais pensaria um dia virar cidadão paulistano, receber discos de ouro e compôr mais de 1.200 músicas, além de ser um dos maiores compositores da música sertaneja do Brasil. Pois a revolução de 1924, já é coisa do passado.

Entretanto, o início da profissionalização de João Pacífico, só iria ocorrer 10 anos depois, em 1934, quando começa a trabalhar na Rádio Cruzeiro do Sul, “que não tinha programa de auditório, mas tinha um dos mais competentes estúdios do país“, Seu ingresso na rádio foi resultado de um encontro entre o futuro compositor e o príncipe dos poetas, Guilherme de Almeida no carro-restaurante de um dos trens da Paulista: “Eu declamei uma poesia minha para ele, que gostou e me deu um cartão para eu me apresentar na Cruzeiro do Sul. Na rádio, Guilherme me apresentou ao Raul Torres. Então começou a minha vida sertaneja.

Pacífico hoje é um bem sucedido moleque (no sentido carinhoso do termo), de 74 anos, morando numa gostosa casa em São Paulo. Ao lembrar do começo de sua carreira, dá uma sonora gargalhada e fala que quando veio para São Paulo em 1924 continuou o trabalho na Companhia Paulista e depois foi trabalhar na Sociedade Harmonia de Tênis, “eu fui prá lá indicado por um amigo, e fiquei por onze anos, pois a rádio era só bico. Só sai do Harmonia porque um dos diretores do clube que também era diretor do Banco Ítalo-Belga me levou para trabalhar com ele. No banco eu fiquei 38 anos, até me aposentar. Aliás, tenho duas aposentadorias: bancário e compositor. Uma com 38 anos de trabalho e outra com 45“.

Voltando a falar de sua “vida sertaneja“, João Pacífico conta que sua primeira música gravada foi uma embolada. Isso porque na época – no final da década de 1920 – quem começasse tinha que começar mesmo com embolada, pois era o que as gravadoras queriam lançar. A embolada foi gravada por Raul Torres e Aurora Miranda, saiu pelo selo Odeon, e foi feita em homenagem a um amigo de Pacífico que morava em Campinas.

Foi assim que Seu João Nogueira virou nome de música com o seguinte estribilho:  “Seu João Nogueira/ O que é essa mariquinha / eu vou soltar meu galo / prá prender a sua galinha“.

Mas depois de falar em galo e galinha“, diz, “eu passei para o romance, para a tragédia. A primeira música minha que ficou realmente conhecida foi Chico Mulato (Na volta daquela estrada/ bem em frente de uma encruzilhada/ todo ano a gente via/ lá no meio do terreiro/ a imagem do padroeiro/ São João da Freguesia/ do lado tinha a fogueira/ e ao redor, a noite inteira/ tinha caboclo violeiro/ tinha a tal de Terezinha/ cabocla bem bonitinha, sambava neste terreiro…).

Com essa música, eu comecei aquelas histórias de declamar e depois cantar, pois minhas letras dão sempre metro e meio de verso e os intérpretes tinham dificuldades em colocar isso tudo num 78 RPM“.

João Pacífico conta que uma vez Mister Evans, chairman da Colúmbia no Brasil, mandou cortar um pouco a orquestração, apertar um pouquinho, imprimir um pouco mais depressa, enfim, mandou dar um jeito para que a música coubesse todinha em um lado do 78RPM, mas “o interessante é que ele gostou, e mandou me avisar que quando fizesse outras músicas, fizesse daquele jeito de – e capricha no sotaque – falar e cantar. Segui o conselho e logo em seguida não só fiz com o proseado e canto, mas fiz a minha primeira vítima em música: matei a personagem.” A música é a hoje clássica Cabocla Tereza, gravada em 1936.

A primeira gravação de Cabocla Tereza foi feita pelo Raul Torres (proseado) e Florêncio (parte cantada), é até hoje ainda gravada. Sem dúvida alguma, é uma das composições mais conhecidas de Pacífico. A história de um sujeito que, enciumado, possessivo, acaba matando a amada porque ela “felicidade não quis“.

Esta é uma das músicas mais conhecidas do cancioneiro nacional. Composta cerca de quatro anos antes da data de gravação, Cabocla Tereza se encaixa perfeitamente na argumentação que João Pacífico dá à aceitação das suas músicas. Para ele, o caboclo gosta de história completa, gosta de música que tem começo, meio e fim, gosta dessa coisa de folhetim, de história como se fosse notícia de jornal.

O caboclo é muito simples nisso, ele gosta muito que uma música conte uma história, uma história com a qual ele se identifique. Eu percebi isso quase que sem querer, apenas sentindo a aceitação do público pela minha música“, conta Pacífico.

Existe um questão que intriga o compositor com relação a esta música: “Olha, quase todas as duplas do país já gravaram músicas minhas e, ainda hoje, chega gente aqui em casa e fala: “Seu João, a gente queria gravar Cabocla Tereza“, e eu respondo: mas a Cabocla Tereza já tá velha, já teve enfarte. Tem tanta coisa nova por ai, mas não, eles insistem e eu tenho que deixar.

Velha, enfartada ou não, o fato é que esta música virou roteiro e depois filme. Filme que deu chances para que João Pacífico pudesse utilizar suas qualidades de compositor num trabalho, para ele, até então inédito, aliás, dois: trabalhar sob encomenda e fazer uma trilha para cinema. Para isso o compositor assistiu ao copião e depois sentou – era um início de noite – numa austera mesa de jacarandá que existe em sua sala de visitas. Quando começou a amanhecer o dia, o trabalho estava feito: cada trecho – para ele – importante do filme tinha uma música que se encaixava com o clima. Pacífico aproveita a deixa do filme e reclama que a Chantecler, gravadora que lançou o disco, só lhe deu um que foi devidamente roubado.

Depois de Cabocla Tereza, o grande sucesso de João Pacífico foi com a música Pingo d’água, composta em 1944 na cidade paulista de Barretos, “numa época em que o sertão paulista estava amargando uma seca de sete meses, o gado já definhando e boa parte dele estava até morrendo. Safra de café então – faz um gesto largo –, nem pensar mais. Mas o pior é que – e disso eu me lembro bem – o disco saiu no dia 5 de agosto de 1944. No mesmo dia, eu cantei a música no Programa Minerva da rádio Record que, na época era um colosso. Uma semana depois, choveu até dizer chega. Quase que viro milagreiro“.

João aproveita o mote das chuvas e lembra que em 1960 fez uma música sobre a seca do nordeste, “mas logo em seguida foi um tal de chover tanto que chegou até a morrer gente. O Orós no Ceará, encheu, deu aqueles problemas todos, e felizmente a gravadora que ia lançar a música, a RCA, segurou o disco. Só agora em outubro de 1993 é que eu voltei a cantar a música no programa Som Brasil do Rolando Boldrin“.

Mas Pingo d’água também foi um sucesso e, contrariando a regra do compositor, ela não tinha proseado: – “Eu fiz promessa/ prá que Deus mandasse chuva/ que molhasse a minha roça/ e vingasse a plantação…“.

Falando sobre sua temática sertaneja, João Pacífico, sem grandes artifícios justifica-se – “afinal é mais fácil falar vançeis do que vocês, concorda?” – e, em seguida, diz que naturalmente influiu muito o fato de ter nascido em fazenda em pleno sertão paulista e as imagens da fazenda que ele guardou. Lembra ainda da figura de sua mãe que lhe contava e cantava muitas coisas, “e isso entrou em mim de um jeito muito forte e ficou, pois, escrever sobre sertão ou sobre fazenda hoje em dia e aqui no asfalto, não é muito fácil não.

Claro que de vez em quando eu faço alguma poesia diferente, mas a minha temática mesmo é a sertaneja. Eu gosto disso, pois as letras tem enredo, contam histórias, não tem aquilo que hoje em dia é normal e muito usado, que é um tal de põe ela na cama, tira versos, eu não gosto disso não“.

Outra coisa peculiar dentro desta temática toda é o “processo departo” de uma música: às vezes João tem o título, e sai o verso melódico junto com o poema, então “é só perseguir que vai saindo tudo junto, música e letra“, diz. Naturalmente que o compositor depois burila, lapida, e sempre, conforme ele gosta de frisar, “sai metro e meio de verso“, mas claro que tem sempre uma exceção. Pacífico fez a sua menor letra, que para ele conta toda sua vida. Esta menor letra tem “dois versinhos” e se chama Fiozinho d’água.

Cenas, fotos e lembranças são a matéria-prima que o poeta retira para o seu trabalho. Isso tudo em um movimento ininterrupto. Aquilo que aos olhos normais passa desapercebido, para o poeta adquire métrica, ritmo e melodia. Um exemplo disso é o poema/música chamado Goteira. João conta que um dia estava sozinho em casa e chovia. No fundo do quintal, uma calha jogava água sobre uma lata abandonada. Foi o suficiente para nascer esta composição: – Aquela noite chovia que Deus dava/ aquela chuva que varou a noite a noite inteira/ no meu telhado uma telha se quebrava/ pre’u ouvir a sinfonia da goteira/ e uma lata enferrujada, coitadinha/ tão esquecida lá num canto onde eu dormia/ talvez a chuva vendo a pobre tão sozinha/ veio alentar/ cantando aquela melodia/ Veja seu moço/ eu também passei por isso/ fiquei igual aquela lata esquecida/ com a tristeza/ assumi um compromisso/ depois senti que a solidão/ não era vida/ e então pedi a Deus que me ajudasse/ e que voltasse minha doce companheira/ e no meu rancho outra telha se quebrasse/ pois tive inveja/ do carinho da goteira.

Embora defenda com unhas e dentes os valores da temática com que vem trabalhando há 53 anos, João não é sectário e muito menos revanchista, quer sobre novas tendências existentes dentro do mesmo filão que faz parte, quer sobre outras tendências musicais. Sobre as novas tendências musicais dentro da música sertaneja, Pacífico vê até com certa satisfação as novas correntes, “pois vejo evolução, inclusive no que diz respeito à orquestração e instrumentação utilizadas nas músicas; vejo também que existe cada vez mais interesse dos jovens pela música sertaneja, bem como uma aceitação cada vez maior em todos os setores por esta mesma música. Veja o meu caso por exemplo, hoje a minha música chegou até no salões quando eu faço shows em faculdades, os alunos conhecem a minha música. Agora eu só tenho medo – ressalta – que tanto ânimo assim acabe machucando a melodia, não que fique feio, mas é que descaracteriza. Tanto é que eu nunca fiz nada para o Milionário e José Rico. Agora Tonico e Tinoco, por exemplo, já gravaram quase todo o meu repertório“.

Sobre outras tendências musicais Pacífico diz que quando surgiram ritmos como o charleston e o twist “eu ficava debaixo da ponte. Quando a moda passava, eu saía debaixo da ponte e fazia uma toada. O mesmo aconteceu com outros ritmos, mas, nestes períodos de hibernação, eu sempre continuei compondo, daí quando o pessoal cansa destes modismos todos, eu surjo e avanço“.

Assim é esse homem, contador de belas histórias, apreciador de uma boa cachaça de alambique – tem um tonel invejável em sua sala de visitas – e poeta que conta as coisas de um modo simples e verdadeiramente belo, para um povo também simples, mas que nunca deve ser subestimado, construiu sua vida. Sem segredos, este é o melhor lema para um molecão que está em sua melhor forma hoje, aos 74 anos, e cada vez mais com coisas belas para contar e cantar.

(Extraído de DEFESA DA CULTURA NACIONAL, nº 3, 1984, não constando o nome do autor da matéria)

 

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