Ano V - dezembro  2002 - nº 52

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 52
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA

setaquad.gif (95 bytes)Festas de Natal em Manaus, em 1865, por Luís Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz.

setaquad.gif (95 bytes)Quadros e costumes do norte, por Raimundo Pinheiro.

setaquad.gif (95 bytes)O simbolismo das flores nas mensagens amorosas, por Thelma Regina Siqueira Linhares.

COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...


QUADROS E COSTUMES DO NORTE

Raimundo Pinheiro


O Natal e as suas festa típicas é o assunto desta crônica. O autor começa falando dos presépios, das ceias natalinas, das festas de pastorinhas. Os presépios são feitos em casas particulares e os jornais dão a lista de todos eles, orientando a população. Natal típico em Belém do Pará. A cidade que dorme cedo, ordinariamente, neste dia, se diverte a granel, vivendo nos "bars" do Pedreira, até às 6 horas da manhã. Com o entremês das pastorinhas, seus cantos e suas forças, termina o artigo.

Para que se possa perceber a importância dos motivos marcadamente locais que animam os festejos natalinos do norte, basta saber que, se o velho e querido Papai Noel deixasse, um dia, de ir pelas caladas da noite colocar os seus trenzinhos de folha e as suas bonecas de pano nos sapatos da garotada, a sua falta não seria mais sentida do que a ausência dos presépios e pastorinhas que tornam essa noite mais lírica ainda, cheia de cânticos festivos.

No Natal paraense, pelo menos, é assim. Belém, cidade burguesa que janta às sete horas, logo após o fechamento do comércio, e dorme, ordinariamente, às nove, ouvindo o longo apito da usina, abre nessa oportunidade uma curiosa exceção aos seus hábitos tradicionais, ceia às onze, vai à meia-noite assistir a Missa do Galo e se esparrama, depois, em ruidosa peregrinação por todos os recantos, visitando presépios, vendo funções nos ranchos pastoris, aí ficando para dançar até às seis horas da manhã seguinte ou indo bebericar pelos "bars" pilsen, do Souza e Pedreira, em cujos palcos (eles funcionam em vastos barracões de meia parede e possuem pequenos palcos deitando para o salão, onde se encontram às mesinhas de ferro com quatro cadeiras cada uma) se exibem, em interessante "show", cordões de pastorinhas, representando um arranjo qualquer do Zé Vicente ou do Índio do Brasil, "bars" esses que procuram atrair a freguesia com precomícios originais como este do Pedreira-Bar, recolhido de uma folha belemense:

Lá no bairro da Pedreira
fulgura o Pedreira-Bar
bar onde a vida é brejeira
fazendo a gente gozar.

Desta Belém toda a gente
a esse recanto ideal
deve ir, risonha e contente
gozar o lindo Natal.

Esse bar é o paraiso
da cidade de Belém,
Há dança, música e riso
e mil surpresas também.



(Pinheiro, Raimundo. "Quadros e costumes do norte". Cultura Política, ano 1, nº 10, dezembro de 1941)

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