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| PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a
casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e
costumes; tipos populares... |
QUADROS E COSTUMES DO NORTE |
O Natal e as suas festa típicas é o assunto desta crônica. O autor começa falando
dos presépios, das ceias natalinas, das festas de pastorinhas. Os presépios são feitos
em casas particulares e os jornais dão a lista de todos eles, orientando a população.
Natal típico em Belém do Pará. A cidade que dorme cedo, ordinariamente, neste dia, se
diverte a granel, vivendo nos "bars" do Pedreira, até às 6 horas da manhã.
Com o entremês das pastorinhas, seus cantos e suas forças, termina o artigo.
Para que se possa perceber a importância dos motivos marcadamente locais que animam os
festejos natalinos do norte, basta saber que, se o velho e querido Papai Noel deixasse, um
dia, de ir pelas caladas da noite colocar os seus trenzinhos de folha e as suas bonecas de
pano nos sapatos da garotada, a sua falta não seria mais sentida do que a ausência dos
presépios e pastorinhas que tornam essa noite mais lírica ainda, cheia de cânticos
festivos.
No Natal paraense, pelo menos, é assim. Belém, cidade burguesa que janta às sete horas,
logo após o fechamento do comércio, e dorme, ordinariamente, às nove, ouvindo o longo
apito da usina, abre nessa oportunidade uma curiosa exceção aos seus hábitos
tradicionais, ceia às onze, vai à meia-noite assistir a Missa do Galo e se esparrama,
depois, em ruidosa peregrinação por todos os recantos, visitando presépios, vendo
funções nos ranchos pastoris, aí ficando para dançar até às seis horas da manhã
seguinte ou indo bebericar pelos "bars" pilsen, do Souza e Pedreira, em cujos
palcos (eles funcionam em vastos barracões de meia parede e possuem pequenos palcos
deitando para o salão, onde se encontram às mesinhas de ferro com quatro cadeiras cada
uma) se exibem, em interessante "show", cordões de pastorinhas, representando
um arranjo qualquer do Zé Vicente ou do Índio do Brasil, "bars" esses que
procuram atrair a freguesia com precomícios originais como este do Pedreira-Bar,
recolhido de uma folha belemense:
Lá no bairro da Pedreira
fulgura o Pedreira-Bar
bar onde a vida é brejeira
fazendo a gente gozar.
Desta Belém toda a gente
a esse recanto ideal
deve ir, risonha e contente
gozar o lindo Natal.
Esse bar é o paraiso
da cidade de Belém,
Há dança, música e riso
e mil surpresas também.
(Pinheiro, Raimundo. "Quadros e costumes do
norte". Cultura Política, ano 1, nº 10, dezembro de
1941) |
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