25 de dezembro de 1865Os índios celebram o Natal de um modo encantador. Ao
cair da noite, duas canoas iluminadas por tochas partem das aldeias do lago Januari e
atravessam o rio para virem a Manaus. Numa vem a imagem de Nossa Senhora; na outra, a de
Santa Rosália. Em pé, na proa, iluminadas pelas tochas cujas luzes convergem sobre elas,
essas duas imagens resplendentes dirigem-se para a margem.
Cerimônia dos índios
Depois de desembarcarem, os índios se juntam à multidão vinda para recebê-los e
formam a procissão; as mulheres estão vestidas de branco com flores nos cabelos; os
homens carregam tochas ou círios. Todos acompanham as imagens sagradas, que são levadas
sob um pálio na frente do cortejo, até à igreja onde as depositam e ficam durante toda
a semana de Natal. Entramos com a procissão; vimos toda a assistência de gente escura
ajoelhada, e as duas santas: a primeira uma estátua malfeita, de madeira pintada
representando a Virgem, a outra, uma verdadeira boneca enfeitada de ouropéis, colocadas
sobre um pequeno altar onde já se achava a imagem do Menino Jesus cercada de flores. Mais
tarde, celebrou-se a missa da meia-noite; interessou-me menos porque não era um ofício
exclusivamente para os índios. Estes entretanto constituíam a parte mais numerosa da
assembléia e a banda era, como sempre, a da Casa dos Educandos.
Igrejas da Amazônia
Nada aqui, porém, tornava as cerimônias católicas comoventes. As igrejas das cidades
e do interior na Amazônia são, em geral, construções grosseiras e em muito mau estado
de conservação. Manaus possui, uma grande, ainda não terminada, a que a sua situação
no alto da colina, dominando a paisagem, dará grande importância se é que a concluem um
dia, pois conserva-se no estado em que se encontra há muitos anos e provavelmente nele
ficará indefinidamente. É pena que não se costume enfeitar de plantas as igrejas como
no Natal; as palmeiras constituíriam plantas de notável beleza e muitíssimo apropriadas
para tal decoração! A pupunha, por exemplo, se prestaria excepcionalmente para esse fim
com a sua simetria arquitetural, sua estipe semelhando uma coluna e seus arcos de folhas
verde escuro delicadamente recurvados.
Deixamos Manaus amanhã, pelo Ibicuí, para subir o rio Negro até Pedreira, onde se
encontra, segundo nos informam, a primeira formação granítica.