Ano V - dezembro  2002 - nº 52

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 52
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA

setaquad.gif (95 bytes)Festas de Natal em Manaus, em 1865, por Luís Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz.

setaquad.gif (95 bytes)Quadros e costumes do norte, por Raimundo Pinheiro.

setaquad.gif (95 bytes)O simbolismo das flores nas mensagens amorosas, por Thelma Regina Siqueira Linhares.

COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...


FESTAS DE NATAL EM MANAUS

Luís Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz


25 de dezembro de 1865

Os índios celebram o Natal de um modo encantador. Ao cair da noite, duas canoas iluminadas por tochas partem das aldeias do lago Januari e atravessam o rio para virem a Manaus. Numa vem a imagem de Nossa Senhora; na outra, a de Santa Rosália. Em pé, na proa, iluminadas pelas tochas cujas luzes convergem sobre elas, essas duas imagens resplendentes dirigem-se para a margem.

Cerimônia dos índios

Depois de desembarcarem, os índios se juntam à multidão vinda para recebê-los e formam a procissão; as mulheres estão vestidas de branco com flores nos cabelos; os homens carregam tochas ou círios. Todos acompanham as imagens sagradas, que são levadas sob um pálio na frente do cortejo, até à igreja onde as depositam e ficam durante toda a semana de Natal. Entramos com a procissão; vimos toda a assistência de gente escura ajoelhada, e as duas santas: a primeira uma estátua malfeita, de madeira pintada representando a Virgem, a outra, uma verdadeira boneca enfeitada de ouropéis, colocadas sobre um pequeno altar onde já se achava a imagem do Menino Jesus cercada de flores. Mais tarde, celebrou-se a missa da meia-noite; interessou-me menos porque não era um ofício exclusivamente para os índios. Estes entretanto constituíam a parte mais numerosa da assembléia e a banda era, como sempre, a da Casa dos Educandos.

Igrejas da Amazônia

Nada aqui, porém, tornava as cerimônias católicas comoventes. As igrejas das cidades e do interior na Amazônia são, em geral, construções grosseiras e em muito mau estado de conservação. Manaus possui, uma grande, ainda não terminada, a que a sua situação no alto da colina, dominando a paisagem, dará grande importância se é que a concluem um dia, pois conserva-se no estado em que se encontra há muitos anos e provavelmente nele ficará indefinidamente. É pena que não se costume enfeitar de plantas as igrejas como no Natal; as palmeiras constituíriam plantas de notável beleza e muitíssimo apropriadas para tal decoração! A pupunha, por exemplo, se prestaria excepcionalmente para esse fim com a sua simetria arquitetural, sua estipe semelhando uma coluna e seus arcos de folhas verde escuro delicadamente recurvados.

Deixamos Manaus amanhã, pelo Ibicuí, para subir o rio Negro até Pedreira, onde se encontra, segundo nos informam, a primeira formação granítica.



(Agassiz, Louis. Viagem ao Brasil: 1865-1866. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1975)

Jangada Brasil © 1998-2002