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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...


setaquad.gif (95 bytes)Hoje tem espetáculo? Tem sim sinhô...

setaquad.gif (95 bytes)O palhaço o que é? É ladrão de mulhé!!!

setaquad.gif (95 bytes)Folkweb

setaquad.gif (95 bytes)Calendário

setaquad.gif (95 bytes)No estradão

setaquad.gif (95 bytes)Escrito em papel-moeda

setaquad.gif (95 bytes)Latrinália

setaquad.gif (95 bytes)Na parede do boteco

setaquad.gif (95 bytes)Dito e feito

setaquad.gif (95 bytes)Provérbios

"Meu prezado amigo Aldércio Aquino (que, diga-se como ressalva, não acompanhou em menino, os palhaços de circo...) forneceu-me ótimo e rico material referente à essas versalhadas brejeiras".

Isso deixei dito no final dos meus rascunhos de quinta-feira passada, ao focalizar, neste mesmo jornal, o "Hoje tem espetáculo! – Tem sim sinhô..." — tradicional pregão de circos, prometendo o resto para hoje.

Há tempos, ali em Santo Antônio informe do Aquino — a garotada ia seguindo o palhaço, a lhe responder às perguntas curiosas:

— Hoje tem espetáculos?
— Tem sim sinhô
— Hoje tem vatapá?
— Tem sim sinhô
— Hoje tem marmelada?
— Tem sim sinhô
— Hoje tem brucutu?
— Tem sim sinhô
— Pra comê com angu?
— (Tem) sim sinhô

E depois:

— E o palhaço o que é?
— É ladrão de mulhé...

Também ouvia o informante este diálogo entre o palhaço e a malta, semelhante ao que transcrevemos quinta-feira do livro Por onde Deus não andou, do escritor maranhense Godofredo Viana;

— Teco teleco teco
— Maravilha!
— Quem pelou a mãe?
— Foi a filha..."

Por vezes, a cantinela toma ares um tanto ou quanto líricos...

O raio e o sol
Suspende a lua
Olha o palhaço
Que está na rua!

Outro amigo meu, também cá do peito. Paulo Velozo, lembrou-me variante desta última, entoada lá pelos idos de 1914 ou 1915, ali em Vila Velha:

Ó raio, ô sol
Suspende a lua
Bravos ó palhaço
Que está na rua!

Esses dois últimos versos se reproduziam na despedida do palhaço, segundo a versão maranhense publicada aqui quinta-feira:

Inzora, inzora,
acabou-se a história
Bravos o palhaço
que já vai simbora!

Aliás, em Vila Velha – conforme testemunho de Velozo — o palhaço lá (como vimos nas referências literárias do escrito anterior) montado às avessas num burro, isto é, com a cara voltada para a anca do animal. Quanto à cantinela, era ela semelhante às demais:

— Hoje tem espetáculo?
— Tem sim sinhô
— Às seis horas da noite?
— Tem sim sinhô
— Olha a negra na janela
— Que tem cara de panela
— Olha a negra no portão
— Que tem cara de tição...
— E o palhaço o que é?
— É ladrão de mulhé...

No final do giro através das ruas da cidade, o palhaço, pouco antes do espetáculo, riscava com cinza uma cruz na testa dos garotos que o acompanharam na faina alegre do pregão. Essa cruz de cinza era a senha que permitiria a entrada grátis no circo.

Ouvindo outros informantes, ali no Banco de Crédito Agrícola, onde trabalha, Aldércio Aquino recolheu mais estes versos, que servem também ao estudo dos pregões circenses.
Neste, por exemplo, desfilavam as reais ou fictícias atrações do circo:

Minha gente venha vê
O palhaço Pingolé,
Cachorro que ri e dança,
Macaco fazê crochê,
Galinha brincá no arame
De braço com chipanzé,
A onça fazendo conta
Ajudada por mulhé...

E a seguir:

Subi pela rama
Desci pelo galo,
Segura Teresa
Senão eu caio... (bis)

Depois, estes versinhos, tirados a um velho brinco infantil:

Mamãe, titia,
Vem vê vovó
Chupando cana
Com um dente só...



Havia também o apelo às domésticas a "graxeiras", assanhadas com o vozerio do palhaço e seu cortejo:

Ó bela menina
Vai dizê tua patroa,
Que hoje lá no circo
Novidade e coisa boa...

Outros versos, cantados lá em São Mateus, envolviam coisas e língua de negro:

Olerê bambu
Olerê bambu
Casaco de negro
É urubu...

E havia também um caso meio complicado — de que lavo as mãos para não me meter em barulho:

— Hoje tem arrelia?
— Tem sim sinhô
— Com a mulhé do Malaquia?
— Tem sim sinhô...

E depois, e sempre e a toda hora, a todo instante, a pergunta insistente, de cuja resposta, com certeza, se vangloriavam todos os palhaços:

— E o palhaço o que é?
— É ladrão de mulhé...

(Neves, Guilherme Santos. "O palhaço o que é? É ladrão de mulhé!".
A Gazeta. Vitória, 9 de junho de 1957)

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