Dezembro
2001
Ano IV - nº 40 |
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Era uma vez dois compadres: um era rico e
morava num grande palácio, e o outro era pobre e morava por perto, numa choupana. O
compadre rico era muito avarento e não ajudava nada ao compadre pobre, o qual, muitos
vezes, não tinha nem o que comer.
Um dia o compadre pobre foi até o alto de um morro, onde havia um pé de
coco; quando
pelejava para derrubar um coco, este caiu e rolou morro abaixo, indo parar dentro da casa
de um velhinho que morava por ali. O pobre homem desceu o morro e bateu à porta da casa
pedindo licença ao velhinho para apanhar o coco e dizendo-lhe que era para alimentar
seus filhos, que deixara chorando de fome.
O velhinho disse ao compadre pobre que podia pegar o coco, mas perguntou-lhe se não o
queria trocar por três abóboras. O pobre aceitou a proposta e o velhinho então,
disse-lhe que fosse à horta e apanhasse aquelas abóboras que lhe dissessem: "Me
tira! Me tira!"
Assim fez o pobre homem, mas antes de ir embora foi agradecer ao velhinho, o qual falou:
"Quando o senhor chegar com as abóboras no princípio do morro, jogue uma delas ao
chão; quando chegar lá em cima, jogue outra; e quando chegar em casa, jogue a terceira
que não se arrependerá."
Quando o compadre pobre ia começar a subir o morro jogou a primeira abóbora ao chão,
como o velhinho lhe dissera. Apareceu então um belo cavalo, todo arreado, no qual ele
montou e prosseguiu caminho. Ao chegar lá em cima do morro, jogou a segunda abóbora ao
chão; apareceu-lhe uma vaca acompanhada de um bezerrinho, que ele tocou para casa. Ali
chegando, jogou a última abóbora; apareceu-lhe um montão de dinheiro, tão grande que
levou dias apanhando-o com a mulher e os filhos e levando-o para dentro de casa.
Com o dinheiro que ganhou, o homem mandou fazer uma bela casa e melhorou tanto sua pequena
propriedade que ela parecia até um jardim. Daí por diante passou a viver como homem rico
que era, e muito feliz com sua família.
Um dia o compadre rico passou por ali e viu aquilo tudo tão mudado, que se admirou, não
resistindo a uma visita a seu compadre, ao qual perguntou como conseguira tal riqueza. O
compadre que era pobre contou todo o caso para o outro, sem esconder nada. O rico foi
embora, picado de tanta inveja e resolvido a ganhar também uma riqueza de maneira tão
fácil.
Assim foi que se encaminhou para o mesmo coqueiro no alto do morro e deixou cair um
coco,
que rolou direito à casa do velhinho. O homem rico desceu o morro e foi
ter com o velho,
dizendo-lhe que era muito pobre e que aquele coco que ali caíra ia servir para alimentar
os seus filhos. Como o velhinho sabia de tudo, disse ao homem invejoso que se ele quisesse
trocaria o coco por três abóboras. Mais do que depressa o rico concordou. Então o
velhinho explicou que fosse à horta e apanhasse as três abóboras que falassem: "Me
tira! Me tira!"
O compadre rico apanhou as abóboras maiores que ele viu na horta e foi embora sem nem
sequer agradecer ao velhinho. Quando começou a subir o morro jogou uma abóbora no chão.
No mesmo instante, apareceu um bando de marimbondos que deu em cima dele, picando-o
todinho. O homem subiu o morro correndo e lá em cima tratou de jogar outra abóbora fora;
apareceu-lhe, então, uma bruta onça, a qual saiu correndo atrás do homem, quase o
pegando.
Quando o compadre invejoso chegou à sua casa com a última abóbora em baixo do braço,
fugindo da onça, abriu e fechou depressa a porta. Jogou a abóbora no chão, chamou a
família toda e mandou que fechassem bem a casa. Assim fizeram. Foi aí que apareceram
cobras por todos os lados, mordendo e matando todas as pessoas da casa. Quem mandou o
homem ser tão invejoso?
(Teixeira, Fausto. Contos populares capixabas. Informante: Duziana Teresa Baiôco, Professora
rural Município de Ibiraçu, 1959. Em Estórias
e lendas de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, p. 238-239)
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