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Dezembro 2000
Ano III - nº 28

O JABOTI E A RAPOSA

O jaboti meteu-se por um buraco a dentro, tocou a sua gaita, e pôs-se a dançar:

Tin, tin, tin...
Olô, olô, olô...

Veio a raposa, e gritou por ele:

- Ó jaboti!

O jaboti respondeu:

- Oi!

A raposa disse:

- Vamos experimentar a nossa valentia?

O jaboti respondeu:

- Vamos, raposa! Quem vai adiante?

A raposa disse:

- Tu, jaboti!

- Está bom, raposa; quantos anos são precisos?

A raposa respondeu:

- Dois anos.

Então a raposa fechou o jaboti no fundo do buraco; depois que acabou de o fechar, disse:

- Adeus, jaboti, eu vou-me embora.

Passado o primeiro ano, a raposa voltou várias vezes chamando:

- Ó jaboti!

O jaboti respondia:

- Ó raposa! já estarão amarelas as frutas do taperebá?

A raposa respondia:

- Ainda não, jaboti; agora os taperebaseiros estão apenas em flor. Adeus, jaboti, ainda me vou desta vez.

Quando foi o tempo do jaboti sair, a raposa veio, chegou à boca do buraco, e chamou.

O jaboti perguntou:

- Já estão amarelas as frutas do taperebá?

A raposa respondeu:

- Agora sim, jaboti, agora na verdade já estão; agora sim, está em baixo da árvore grande porção delas.

O jaboti saiu e disse:

- Entra agora, raposa!

A raposa respondeu:

- Quantos anos são precisos, jaboti?

O jaboti respondeu:

- Quatro anos, raposa.

O jaboti meteu a raposa no fundo do buraco e foi-se embora. Um ano depois o jaboti voltou para falar com a raposa, chegou à boca do buraco e chamou:

- Ó raposa!

A raposa respondeu:

- Já estão amarelos os ananases, jaboti?

- Ora! ainda não estão, raposa. Ainda andam agora a roçar. Eu vou-me embora! Adeus, amiga raposa.

Dois anos depois, o jaboti voltou e chamou:

- Ó raposa!

Tudo calado. O jaboti chamou uma segunda vez. Só saiam moscas do fundo do buraco.

O jaboti abriu a boca do buraco e disse:

- Esta diaba já morreu!

O jaboti puxou-a para fora:

- Eu bem te tinha dito, raposa! Tu não eras macho para medires forças comigo!

O jaboti deixou-a ficar e foi-se embora.


(ROMERO, Sílvio. Contos tradicionais do Brasil)

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