Dezembro
2000
Ano III - nº 28 |
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Todo o céu e terra
Vos cantam em louvor
Ó Menino Deus
Nosso redentor
Desses céus descei
Descei Criador
De remir o mundo
É tempo, Senhor
Há tantos mil anos
Geme o pecador
De o livrar da culpa
É tempo, Senhor
Vinde, Deus clemente
Vinde, Deus de amor
De habitar conosco
É tempo, Senhor
Desterrai a culpa
Pio redentor
De trazer a graça
É tempo, Senhor
De Deus das vinganças
Sede Deus de amor
De amardes ao homem
É tempo, Senhor
Sou cativa de Jesus
E seu amor me prendeu
Eu presa, cativa, digo
- Quem ama a Jess, sou eu
Uma abane o fogareiro
Outra lave a tigelinha
Outra vá bater os ovos
Enquanto eu sesso a farinha
Senhora, a papa está feita
Vede se ela é muito ou pouco
E se o menino não gostar
Botai-lhe o peito na boca
O menino é mui galante
Sabe fazer folguedinhos
Tira a boca do seu peito
Para chupar sei dedinho
Enquanto o menino dorme
E o boi junta as palhinhas
E vou já depressa ao rio
Lavar suas camisinhas
Já estão todas lavadas
E tão claras como a luz
Que Deis lave as nossas almas
Para sempre amém, Jesus
* * *
Da sua formosura
Eu já vou dizer
Algumas cousinhas
Do meu entender
Os seus cabelinhos
São felpas de ouro
Que bem mostram ser
De um rico tesouro
A clara testinha
No seu natural
De um canto a outro
Toda por igual
Os belos olhinhos
Tão vivos e azuis
Bem mostram que são
Do Menino Jesus
O seu narizinho
Mui bem afilado
Da ponta vermelha
Todo encarnado
A linda boquinha
Quando está sorrindo
Parece uma rosa
Quando vem abrindo
Barroca na barba
E nas bochechinhas
Que ao riso se abrem
Tão engraçadinhas
Todo seu corpinho
É uma maravilha
Brilha mais que o sol
Mais que o sol brilha
Ai quem me dera
Este lindo infante
Que no seu amor
Será bem constante
De cepa nasceu a rama
De rama nasceu a flor
E da flor nasceu Maria
Mãe do nosso Redentor
Batendo de porta em porta
Agasalho sem achar
Ao pé de uma manjedoura
Lá se foi agasalhar
Em dezembro a vinte e quatro
À meia-noite deu sinal
Rompe a aurora, primavera
Nesta noite de Natal
Meu amado rubicundo
Sem seu cabelo dourado
Quem me dera estar com ele
Nesse seu trono sagrado
Dizei-me o que significa
Uma bandeirinha na cruz
Com três letrinhas dizendo:
I-H-S-Jesus
* * *
Vem já o verbo divino
O nosso pranto enxugar!
Vem o mundo resgatar
Do infernal dragão ferino
Mais uma hora
Inda esperemos
Nós o veremos
Na nova aurora
Ah! quanto, quanto nos ama
Nosso Menino Jesus!
Que, apesar de dura cruz
Nosso resgate proclama
Ó mistério o mais profundo
Que até mesmo os céus espanta!
Como alcançou glória tanta
Este miserável mundo?
* * *
Vamos, vamos companheiros
Vamos todos a Belém
Procurar entre os presépios
A Jesus, o nosso Bem
Na descendência de Adão
Jamais pode haver alguém
Que não deva pertencer
A Jesus, o nosso Bem
Pastores velhos e moços
Os pegureiros também
Venham sues dons ofertar
A Jesus, o nosso Bem
Converta-se sem demora
A brava Jerusalém
Seu coração sacrifique
A Jesus, o nosso Bem
Tudo quanto as profecias
A nosso favor contêm
Só o podemos dever
A Jesus, o nosso Bem
Lá, na pátria de David
Sem passarmos mais além
Disse o anjo que acharemos
A Jesus, o nosso Bem
Hoje as bençãos de Jacó
Sobre todo o mundo vêm
Todas elas figuravam
A Jesus, o nosso Bem
* * *
Este caminho vai ser
De Belém a grã cidade
No presépio vamos ver
Quem ocupa a imensidade
Só poderia
Divino amor
Tanto favor
Nos conceder
Grande Deus, como quiseste
Em um presépio nascer?
Quando até o mesmo céu
Vos pode apenas conter?
Vem nas trevas do presépio
Qual aurora, aparecer
Para resgatar o mundo
Para o mundo esclarecer!
Vamos ver a Deus-menino
Bem antes de amanhecer
Pois que o céu a nós primeiro
Prometeu este prazer
Não haja vagar
Corramos depressa
Que a aurora começa
Nos céus assomar
O favônio brando
Sobre nós ligeiro
Das flores o cheiro
Está exalando
Toda a natureza
Sorri de alegria
Contemplando um dia
De tanta beleza
Quem prestou o ser
Ao orbe rotundo
Do céu sobre o mundo
quis hoje descer
E para mostrar
Seu amor por nós
De Adão crime atroz
Ele vem apagar
Alvíssaras demos
Ao nosso destino
Já do Deus-menino
O presépio vemos
(COSTA, Pereira da. Folclore pernambucano) |
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