A lapinha, sempre da mesma
forma, erguia-se nos primeiros dias de dezembro, com alguns ramos verdes e folhudos de
pitombeira, pitanga ou ficus em arco sobre a mesa cujo lastro servia de chão do
presépio. Um céu azul com estrelinhas douradas e brancas, anjinhos e bandeirinhas, tudo
de papel, eram os enfeites da arcada. No centro do presépio, ou manjedoura, estava a
Sagrada Família cercada de Reis Magos, pastores e os animais da tradição - o burro, a
vaca, a ovelha e o galo. Organizado o elenco das pastoras escolhidas entre as moças de
melhores vozes e ótima figura, (A Mestra e a Contra-Mestra tinham que ser as mais
bonitas), iniciavam-se os ensaios dirigidos por pessoas entendidas no ritual e nas
jornadas.
Repartidas em dois grupos azul e encarnado, chamados "cordões" as pastoras
ostentando vestes das referidas cores, ou pelo menos brancas com enfeites coloridos, todas
portavam maracás com que marcavam o ritmo das jornadas. Os maracás não eram como os dos
índios que usavam cabaços secos com pedrinhas ou sementes, mas feitos de flandres em
forma de pequenos pandeiros munidos de cabos, e enfeitados das cores dos cordões, por
meio de laços de fitas.
O elenco era assim constituído:
Cordão encarnado: Anjo - Mestra - Camponesa - Diana - Colibri.
Cordão azul: Guia - Contra-Mestra - Libertina - Borboleta - Pastorinha.
Completa o elenco a Cigana que, como o Anjo e o Guia, pertencia a ambos os partidos e, por
isso, trajavam os três em duas cores em lado azul e outro encarnado.
Formando duas alas, uma puxada pelo Anjo e outra pelo Guia, com a Cigana atrás, entre as
duas, as pastoras que previamente se reúnem numa sala contígua à do presépio, entram
dançando nesta última quando é anunciada cada jornada, da maneira seguinte:
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(Por FURTADO, Maurício. Em Revista
Brasileira de Folclore) |