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Dezembro 2000
Ano III - nº 28

AUTO DA LAPINHA

A lapinha, sempre da mesma forma, erguia-se nos primeiros dias de dezembro, com alguns ramos verdes e folhudos de pitombeira, pitanga ou ficus em arco sobre a mesa cujo lastro servia de chão do presépio. Um céu azul com estrelinhas douradas e brancas, anjinhos e bandeirinhas, tudo de papel, eram os enfeites da arcada. No centro do presépio, ou manjedoura, estava a Sagrada Família cercada de Reis Magos, pastores e os animais da tradição - o burro, a vaca, a ovelha e o galo. Organizado o elenco das pastoras escolhidas entre as moças de melhores vozes e ótima figura, (A Mestra e a Contra-Mestra tinham que ser as mais bonitas), iniciavam-se os ensaios dirigidos por pessoas entendidas no ritual e nas jornadas.

Repartidas em dois grupos azul e encarnado, chamados "cordões" as pastoras ostentando vestes das referidas cores, ou pelo menos brancas com enfeites coloridos, todas portavam maracás com que marcavam o ritmo das jornadas. Os maracás não eram como os dos índios que usavam cabaços secos com pedrinhas ou sementes, mas feitos de flandres em forma de pequenos pandeiros munidos de cabos, e enfeitados das cores dos cordões, por meio de laços de fitas.

O elenco era assim constituído:

Cordão encarnado: Anjo - Mestra - Camponesa - Diana - Colibri.

Cordão azul: Guia - Contra-Mestra - Libertina - Borboleta - Pastorinha.

Completa o elenco a Cigana que, como o Anjo e o Guia, pertencia a ambos os partidos e, por isso, trajavam os três em duas cores em lado azul e outro encarnado.

Formando duas alas, uma puxada pelo Anjo e outra pelo Guia, com a Cigana atrás, entre as duas, as pastoras que previamente se reúnem numa sala contígua à do presépio, entram dançando nesta última quando é anunciada cada jornada, da maneira seguinte:

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(Por FURTADO, Maurício. Em Revista Brasileira de Folclore)

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