, dependendo das necessidades locais ou dos pedidos vindo de
comunidades vizinhas.A olaria está situada próxima a lugar onde há barro em
abundância. Retiram-se os primeiros 20 cm do solo e jogam-se fora devido à matéria
orgânica que contêm. O barro é então revolvido com uma enxadão e posto numa caçamba,
em que é transportado para o picador, a distância de cerca de 60 m. O picador é
cavidade feita no chão, de aproximadamente 1,50 m de profundidade, 2 m de comprimento e
1,20 de largura, cujos lados são forrados de tábuas. Para encher o picador, necessita-se
de aproximadamente quinze caçambas.
Se o barro, como o exprime uma frase local, é muito "forte", é preciso
adicionar-lhe pequena quantidade de areia, ou se "fraco" outro barro que seja
mais "forte". A areia é trazida de Cruz Preta, local distante seis
quilômetros, assim denominado, bem como a própria estrada, graças à uma grande cruz
que existe ao lado do caminho, feita de madeira de coloração escura. Traz-se a água
para o picador por meio de um canal de bambu que vem de valeta próxima; é adicionado ao
barro, sendo misturado e revolvida com enxadão e pá, por um homem que trabalha dentro do
buraco, até que tenha consistência adequada. Este processo é a "olho" e exige
considerável habilidade e prática.
Depois de ser deixada aí até o dia seguinte, essa massa viscosa é tirada do picador
e atirada por meio de pá para dentro da pipa, que fica junto. A pipa é um barril de
madeira, de aproximadamente 1 ½ m de altura e 1 m de diâmetro, na parte superior do qual
está preso um eixo vertical que movimenta dentro do barril, 13 pás de ferro, cada um
medindo cerca de 14 cm de largura por 13 cm de comprimento. O eixo em apreço tem um
movimento giratório graças à trave horizontal de cerca de 4 m de comprimento por 25 cm
de diâmetro chamada "manjara" e a massa é assim totalmente misturada, ao mesmo
tempo que vai caindo fora, pouco a pouco, através de abertura de cerca de 30 por 30 cm,
cortada na parte inferior da pipa.
Com um "bodoque" uma moça então corta bocados desse barro bem misturado e
coloca-os num carro de mão. O "bodoque" é um pedaço de madeira de
aproximadamente 30 cm de largura e que, depois de dobrado em forma de semicírculo é
mantido firme por um arame distendido que mede mais ou menos 40 cm de comprimento. O arame
corta o barro permitindo assim que ele seja apanhado em pequenos pedaços para facilitar o
manejo. Levam-se então essas porções até a distância junto à mesa de madeira, a que
chamam "banca" onde um homem, apanha o barro com a mão e coloca-o em forma de
madeira que mede cerca de 60 cm. Essa forma tem 2 compartimentos separados, cada um com
tamanho e a forma desejada para tijolo. Nessas formas, espalha-se levemente um pouco de
areia de modo que o barro não fique pregado às mesmas , podendo sair facilmente. Quando
a forma está cheia, retira-se o excesso de barro com um segundo bodoque, menor do que o
outro; em seguida, coloca-se no chão em lugar conveniente, de maneira que os tijolos
recém feitos caiam ao lado dos outros que foram moldados nesse dia, deixados todos a
secar por 24 horas.
Depois desse tempo, os tijolos são dispostos em compridas fileiras de cerca de 1,60 m
de altura, chamadas "gambetas" colocando-se telhas sobre cada fileira, de modo a
proteger suficientemente os tijolos para resistirem a uma chuva regular. Deixam-se aí de
três dias a uma semana dependendo das condições atmosféricas e da conseqüente
intensidade de secagem depois do que são levados a depósitos próximos, para armazenagem
ou diretamente para o forno.
A capacidade do forno é de 22.000 tijolos. Os lados são de tijolo, sem reboco medem
cerca de 5 m e têm a altura aproximada de 6,50 m. A coberta de telhas acha-se um pouco
acima das paredes, a fim de favorecer a circulação do ar. Na parte mais baixa da parede
da frente existem três espaços abertos, cada um de 70 por 70 cm , por onde é colocado o
combustível. Em uma das paredes do lado há uma porta de cerca de 2 m por 1 m, através
da qual se põem dentro do forno os tijolos recém feitos. Começando pela abertura da
parede da frente que fica mais distante da porta, os tijolos são arrumados uns juntos aos
outros em duas longas fileiras, põe-se tijolos em ângulos retos até a primeira camada
ser inteiramente coberta. Em cada fileira entretanto, essa segunda camada é disposta
sobressaindo um pouco na direção da outra fileira, de modo que, à medida que novas
camadas são adicionadas cada uma delas também sobressaindo um pouco da que lhe fica
abaixo, as duas fileiras paralelas vão se aproximando e finalmente se juntam assim um
túnel comprido e estreito que abrange toda a largura do forno desde a abertura na parede
da frente até a parede de trás. Quando se ateia fogo perto da abertura o calor
espalha-se facilmente ao longo desse túnel e daí para o resto do forno. Como foi feito
no caso da segunda camada, os tijolos em cada camada sucessiva são colocados em ângulos
retos com os tijolos imediatamente abaixo. Uma vez que os tijolos são feitos toscamente
quando postos juntos não se ajustam de maneira perfeita além disso, ao secarem, encolhem
um pouco, de modo que espaços ainda maiores começam a aparecer entre os tijolos, o que
possibilita uma circulação mais eficaz do calor em redor dos mesmos. Túneis semelhantes
são em seguida feitos, partindo de cada uma das duas outras aberturas, depois do que os
tijolos restantes são empilhados por sobre e em volta dos três túneis, até o forno
ficar cheio. Fecha-se então a abertura principal com tijolos e argamassa e o fogo é
ateado e conservado aceso por 48 horas. O combustível é a lenha; usam-se aproximadamente
um metro e meio cúbico de lenha para cada mil tijolos.
Os tijolos são subseqüentemente deixados no forno para esfriar de uma semana a dez
dias. Aqueles que ficaram na parte inferior mais próximo do fogo ficam "mais
cozidos" e são vendidos por preços mais altos desde que "são impermeáveis a
água e podem ser usados para poços e coisas semelhantes".
[1948]
(PIERSON, Donald. Cruz das Almas.)