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Ananas sativus. Schult, variedade do ananás cultivado. O nome está ausente nos cronistas e fontes dos séculos XVI, XVII e não encontrei no século XVIII. A fruta elogiadíssima era o ananás, menor, menos sumoso e mais perfumado. Não figura nos idiomas inglês, alemão, italiano, francês, espanhol, e sim o pineapple, ananas, ananassa, anana. Martius cita em 1819 unicamente o ananás no Maranhão e Pará, dizendo que os melhores desta última região teriam vindo do Maranhão e de Pernambuco. Batista Caetano registra ibacati, ibacachi, o fruto recendente, em guarani. Mas será interpretação convencional.

Havia, nos finais do século XVII, os indígenas abacaxizes dando nome ao rio Abacaxi, afluente da margem direita do Amazonas, entre o Madeira e o Tapajós. O nome podia denominar aos indígenas mas não a bromeliácea. Aba, vale homem, varão, no idioma tupi. A mais antiga menção é em Arruda Câmara, publicação de 1810 (in Koster):

"Há três variedades de ananás no Maranhão, chamadas abacaxi. Uma tem o fruto branco e as folhas não são em forma de serra. Noutra o fruto é da cor púrpura, com folhas espinhosas. Não vi a terceira. Levei as duas primeiras variedades para Pernambuco onde as plantei e se vão tornando comuns, reenviadas por pessoas interessadas, para as demais províncias. Seu sabor é superior ao das espécies que conhecíamos há longo tempo".

Ainda em 1831 Debret desenha e descreve o ananás no Rio de Janeiro sem que mencione o abacaxi entre as frutas conhecidas na capital do Império. O maranhense Domingos de Castro Perdigão (O que se deve comer, São Luiz) em 1918, divulga muitas receitas vegetarianas do ananás sem falar, em parte alguma do seu livro, no abacaxi. Na África Oriental e Ocidental ocorre unicamente o ananás e jamais o abacaxi, presentemente o nome preferido no Brasil para as incomparáveis variedades do ananás.

A divulgação do nome datará da terceira década do século XIX em diante, deduzindo-se do material coletado. Para América Espanhola, Oviedo cita o ananás. Foi o nome que Garcia da Orta conheceu em Goa.

(CASCUDO, Luís da Câmara. História da alimentação no Brasil)


BATIDA DE ABACAXI
(2 doses)

3 doses de aguardente
1 copo de suco de abacaxi
1 colher (sopa) de caldo coado de limão
1 colher (chá) de açúcar
2 colheres de sopa de gelo grosseiramente picado

Coloque todos os ingredientes numa coqueteleira e bata por alguns minutos. Sirva em copos gelados.


BEIJINHOS DE ABACAXI

2 abacaxis
1 coco
800g de açúcar
Cravos da índia para enfeitar
Açúcar cristal para passar os beijinhos

Rale o coco e reserve. Passe os abacaxis, depois de bem descascados, pelo processador, aproveitando todo o caldo. Ponha numa panela a massa dos abacaxis, o coco ralado e o açúcar. Misture tudo muito bem e leve ao fogo brando, mexendo sempre até dar ponto de enrolar. Retire do fogo e deixe esfriar. Faça bolinhas ou cajuzinhos, passe pelo açúcar cristal e enfeite com um cravo em cada um.

ABACAXI EM CALDA

Descasque 1 abacaxi maduro, tire-lhe os olhos, parta em rodelas e arrume numa panela, cobrindo-as com bastante açúcar. Deixe repousar assim por duas horas. Leve, então, a panela ao fogo brando, deixe ferver até a calda ficar num bom ponto, junte dois cálices de vinho (branco ou tinto, a gosto), deixe ferver novamente e sirva depois de frio.

SUCO DE ABACAXI COM HORTELÃ
(seis copos)

1 abacaxi descascado, cortado em pedaços
1/2 xícara de folhas de hortelã
1/2 xícara de água gelada

Bater todos os ingredientes no liquidificador e servir em seguida. Adoçe a gosto.

 

Ilustração de Marcos Jardim

Abacaxi

Desajeitado, canhestro, mal-amanhado. Dificuldade, problema complicado. Descascar o abacaxi: resolver habilmente a situação. Mau dançarino. Mulher gorda, sem donaire. Denominação dos escravos enviados furtivamente de Pernambuco para o Ceará, para se alforriarem.

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