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- A flor e o meu espinho
- A voz do morro
- Abre a janela
- Adeus batucada
- Agora é cinza
- Alegria (Assis Valente)
- Alegria (Cartola)
- Alvorada
- Antonico
- Argumento
- Burucuntum
- Cabrita mal sucedida
- Chora cavaquinho
- Corra e olhe o sol
- Dia de graça
- Doutor em samba
- É batucada
- Escurinha
- Exaltação à Mangueira
- Feitio de oração
- Foi um rio que passou na minha vidaIlustração de J. Carlos
- Gosto que me enrosco
- Lá em Mangueira
- Maria Madalena da Portela
- Miudinho
- Na cadência do samba
- Na linha do mar
- No pagode do Vavá
- No reino da mãe do ouro
- O orvalho vem caindo
- O sol nascerá
- Palpite infeliz
- Samba de fato
- Se acaso você chegasse
- Senhora tentação
- Seu Libório
- Só pra chatear
- Tarzan (o filho do alfaiate)


            (Candeia)

(Irmão, axé
Olha o som de frente
Levante a cabeça, irmão
Axé
)

Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)
As escolas vão desfilar (garbosamente)
E aquela gente de cor
Com a imponência de um rei
Vai pisar na passarela (Salve a Portela)
Vamos esquecer os desenganos (que passamos)
Viver a alegria que sonhamos (durante o ano)
E damos, o nosso coração, alegria e amor
A todos esses que são de cor
Mas depois da ilusão, coitado

Negro volta ao humilde barracão
Negro, acorda, é hora de acordar
Não negue a raça,
Dorme toda a manhã, dia de graça
Negro não humilhe nem se humilhe a ninguém
Lembre que todas as raças já foram escravas,  também
E deixa de ser rei só na folia
E faça da sua Maria, uma rainha todos os dias
E cante um samba na universidade
E verá que seu filho será príncipe de verdade
Aí então, jamais tu voltarás ao barracão


           (Aniceto do Império)

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Tinha a pele bronzeada
Cheirava a flor de canela
O seu nome era: Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Levou-me um conto e quinhentos
Essa moça de blusa amarela
Que conversa a dela!
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Mulher do sabor de mel
Era uma jóia tão bela
Tu sabes quem é:
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Para o anjo da guarda da nega
Eu acendi uma vela
Zelei por ela
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Ela me dava jiló, veja só
Dizendo que era beringela
Aquela megera!
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Para agradar à crioula
Comprei-lhe um par de chinelas
Cor amarela
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Mandei-lhe comprar presunto
Ela trouxe mortadela
Diz o nome da fera:
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
No final de cinco anos
Prometi casar com ela
A irmã de Estela:
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Era mãe de cinco filhos
Metida a moça donzela
Ora veja você.
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Ela de véu e grinalda
Fez promessa na capela
(Me traindo).
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Aniceto a conheceu
Andava de olho nela
Ele sabe quem é:
Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela
Ele entrava pela porta
Eu fugia pela janela
Quem enganava?
Com a Maria Madalena da Portela

Fui enganado, meu bem, por ela
Maria Madalena da Portela


           (Paulinho da Viola)

Galo cantou às quatro da manhã
Céu azulou na linha do mar
Vou me embora desse mundo de ilusão
Quem me viu sorrir,
Não há de me ver chorar
Flechas sorrateiras cheias de veneno
Querem atingir o meu coração
Mas o meu amor sempre tão sereno
Serve de escudo prá qualquer ingratidão
Galo cantou...
 


           (Paulinho da Viola)

Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
E amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar

Porém, (ai, porém)
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém
Que não me lembro anunciou:
Portela, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou

Ah, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar


           (Paulinho da Viola)

Domingo, lá na casa do Vavá
Teve um tremendo pagode
Que você não pode imaginar
Provei do famoso feijão da Vicentina
Só quem é da Portela
É que sabe que a coisa é divina
Tinha gente de todo lugar
No pagode do Vavá

Nego tirava o sapato
Ficava à vontade
Comia com a mão
Uma batida gostosa
Que tinha o nome
De Doce Ilusão
Vi muita nega bonita
Fazer partideiro
Ficar esquecido
Mas apesar do ciúme
Nenhuma mulher
Ficou sem o marido

Domingo, lá na casa do Vavá...

Um assovio de bala
Cortou o espaço
E ninguém machucou
Muito malandro corria
Quando o Elton Medeiros chegou
Minha gente
Não fique apressada
Que não há motivo
Prá ter correria
Foi um nego
Que fez treze pontos
E ficou maluco
De tanta alegria

Domingo, lá na casa do Vavá


           (Enéas Brittes da Silva/Aloísio Augusto               da Costa)

Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou
O morro com seus barracões de zinco
Quando amanhece, que esplendor!
Todo mundo te conhece ao longe
Pelo som do teu tamborim
E o rufar do teu tambor

Chegou (Ô, ô, ô)
A Mangueira chegou (Ô, ô)

Mangueira teu passado de glória
Está gravado na história
É verde e rosa a cor da tua bandeira
Prá mostrar a essa gente
Que o samba é lá em Mangueira


           (Tolito/Rubens da Mangueira)

Caminhando pela mata virgem
Bravo bandeirante encontrou
Grupos de nativos comentavam
O que um trovão proporcionou
No céu sem as estrelas
Mas um raio de luz se dirigia
À gruta de uma alma encantada
Era a mãe-do-ouro que surgia

Oba-bá, Olá Oba-bá
É a mãe-do-ouro
Que vem nos salvar

Num palácio encantado
Onde um tesouro existia
Pedras preciosas bem guardadas
Que a mãe-do-ouro presidia
Homens e mulheres dominados
Por imaginações e alegria
Salões enfeitados em multicores
Dançavam até o romper do dia

Oba-bá, Olá Oba-bá
É a mãe-do-ouro
Que vem nos salvar


          (popular, recolhido e adaptado por             Bucy Moreira, Raul Marques e        Monarco)

Ô devagar miudinho
Devagarinho, ô devagar miudinho
Devagarinho, ô devagar, ô devagar, ô devagar
Ô devagar miudinho
Devagarinho, ô devagar miudinho
Devagarinho, ô devagar, ô devagar, ô devagar
Ô devagar miudinho
Se você quer dinheiro
Eu não tenho não
Se você quer carinho
Eu tô de prontidão
Se você quer carinho
Eu tô de prontidão
Ô devagar miudinho...

(Monarco)
Se eu soubesse
eu tinha me preparado
Penteava meu cabelo
Tinha meu quarto arrumado
Penteava meu cabelo
Tinha meu quarto arrumado
Ô devagar...

Ô devagar miudinho

(Bucy)
Você meu bem
Assim se rebolando
Dessa maneira
Está me tentando
Dessa maneira
Está me matando
Ô devagar...

Ô devagar miudinho

(Raul)
Eu canto samba
Mas não é por valentia
É uma prova de amizade
Que eu tenho pela orgia
É uma prova de amizade
Que eu tenho pela orgia
Ô devagar...

Ô devagar miudinho


          (Silas de Oliveira)

Sinto abalada minha calma
Embriagada a minh'alma
Efeitos da sua sedução
Ah! Minha romântica senhora tentação
Não deixes que eu venha sucumbir
Neste vendaval de paixão

Jamais pensei em minha vida
Sentir tamanha emoção
Será que o amor, por ironia
Houve essa fantasia vestida de obsessão
A ti confesso que me apaixonei
Será uma maldição? Não sei.


          (Cartola/Dalmo Casteli)

Vida, te sinto mais bela
E fico à espera
Me sinto tão só
Mas, o tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Linda, no que se apresenta
Tão triste se ausenta
Fez-se alegria
Corra, e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia!


           (Cartola/Elton Medeiros)

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida

Finda a tempestade
O sol nascerá
Fim dessa saudade
Hei de ter outro alguém para amar

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida


           (Cartola/ Hermínio Bello de Carvalho)

Alvorada lá no morro
Que beleza!
Ninguém chora
Não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Quase nada
De que ir assim vagando
Numa estrada perdida


           (Cartola)

Alegria
Era o que faltava em mim
Uma esperança vaga
Eu já encontrei
Pelos carinhos que me faz
Me deixa em paz
Não te quero ver para nunca mais

Eu sei que teus beijos e abraços
Tudo isso não passa
De pura hipocrisia
Já que tu não és sincera
Eu vou te abandonar um dia
Alegria

Alegria...


          (Geraldo Pereira/Arnaldo Passos/
           Cartola)

Escurinha,
Tu tem de ser minha
De qualquer maneira
Eu te dou meu boteco,
Te dou meu barraco
Que eu tenho no morro de mangueira
Comigo não há embaraço
Vem que eu te faço, meu amor,
A rainha da escola de samba
Que o teu preto é diretor

Quatro paredes de barro
Telhado de zinco,
Assoalho de chão
Só tu, escurinha,
É quem está faltando no meu barracão
Sai disso, bobinha,
E nessa cozinha
Levando a pior
Lá no morro
Eu te ponho no samba
Te ensino a ser samba
Te faço a maior
Escurinha...
Quatro paredes de barro...
Sai disso, bobinha...


          (Paulinho da Viola)

Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada
Está sentindo a falta
De um cavaco
De um pandeiro
Ou de um tamborim

Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

Ilustração de J. Carlos

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