Conhecidos no mundo inteiro e em todos os
tempos, os pregões são fórmulas cantadas ou declamadas por vendedores pelas ruas,
feiras e praias com a finalidade de anunciar sua mercadoria. Existem os pregões
genéricos, utilizados por todos os vendedores de um mesmo artigo vassoureiros,
verdureiros, compradores de garrafas e os individuais em que o vendedor cria sua maneira
de apregoar ou se aproveita de melodias conhecidas popularmente. São ditos alegres,
jocosos, as vezes irônicos, dirigidos aos fregueses para atraí-los. Os pregões surgem
em todo o estado do Rio de Janeiro, onde foram registrados os que seguem: Tapioca
na minha mão é melhor, porque é a legítima do sertão. Olha aí que beleza, pode
chegar e pedir, freguesa.
Olha aí freguesa assassinaram o camarão
compre ele na minha mão
Olha o pirulito enrolado no papel enfiado no palito.
Quem quer comprar pirulito? Ainda sobra um pirulito...
Alô mate-limão, limão e mate!
Alô, alô, mate! Moça bonita não paga, mas também não bebe...
Olha a cocada, moça bonita não paga, mas também não leva...
Ostra chegada agora
tá fresquinha...
Olha que beleza
não quer levar freguesa?
Compre banana vendida por mim
quem dela comprar jamais será ruim!
Olha a melancia.., quem comprar só tem alegria.
Olha o doce da dona Maria, esse é garantido...
Não dá dor de barriga e nem dor de bexiga...
Olha o amendoim torrado
a alegria dos namorados!
Olha o cheiro cheiroso
para lavar catingoso!
Que beleza, não pode faltar mamão na mesa!
Olha a couve-flor, dona Flor!
Laranja-lima, puro mel. Vai?
Mamão para manter a elegância. Olha só que beleza!
Olha a melancia dona Maria
panela no fogo, barriga vazia!
Olha o chuchu, dona Teresa,
que está uma beleza
Laranja seleta, quem não sabe ler, soletra!
Moças bonitas
senhoras bacanas
venham aqui
comprar suas bananas!
Lá vou eu de baú
vou vender puxa-puxa
vou por aí...
Lá vou eu, vou vender puxa-puxa
quem quiser puxa-puxa
puxa-puxa o dinheiro, já tô aí...
Vai guri, vai chamar a mamãe, guri
que o puxa-puxa te espera aqui...
Vai guri, vai chamar o papai, gugu
que o puxa-puxa tá no meu baú!
Olha minha freguesinha, a laranja tão baratinha...
Alô, dona Maria, leve uma linda bacia...
Peixe: Olha o peixinho!
Só compra quem tiver dinheiro.
Quem não tiver não sente nem o cheiro!
(Folclore
fluminense, p.201-202)