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Agosto 2002
Ano IV - nº 48

NÃO FAÇAS BEM SEM SABER A QUEM
Inti remunhã catú auá çupé requau

Um dia a raposa estava passeando, ouviu um ronco: u... u... u...

— O que será aquilo? Eu vou ver.

A onça enxergou-a e lhe disse: Eu fui gerada dentro deste buraco, cresci, e agora não posso sair. Tu me ajudas a tirar a pedra? A raposa ajudou, a onça saiu, a raposa perguntou-lhe: — O que me pagas?

A onça, que estava com fome, respondeu: Agora eu vou te comer. E agarrou a raposa. e perguntou: Com o que é que se paga um bem? A raposa respondeu: O bem paga-se com o bem. Ali perto há um homem que sabe todas as cousas; vamos lá perguntar a ele.

Atravessaram para uma ilha; a raposa contou ao homem que tinha tirado a onça do buraco e que ela, em paga disso, a quis comer.

A onça disse: Eu a quero comer porque o bem se paga com o mal.

O homem disse: Está bom. Vamos ver a tua cova. Eles três foram, e o homem disse à onça: Entra, que eu quero ver como você estava.

A onça entrou; o homem e a raposa rolaram a pedra e a onça não pôde mais sair. O homem disse: Agora tu ficas sabendo que o bem se paga com o bem.

A onça aí ficou; os outros foram-se.


(Magalhães, Couto de. Em Cascudo, Luís da Câmara. Antologia do folclore no Brasil, p.212-213)

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