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Agosto 2002
Ano IV - nº 48

DECIMAS DE VENTANIA
(Fragmento)

Sítio do Mato – 28/08/1949

Minha gente venha vê
Ventania cuma é:
casô muito criancinha, )
perdeu o amô da muié ) bis

Casô muito criancinha,
de quinze pra dezesseis;
perdeu o amô da muié, )
perdeu o amô d’uma veiz ) bis

A muié já procurava
todo mundo qu’ela via:
- Moço que vem de São Paulo, )
dá novas de Ventania? ) bis

- Sinhora, eu não conheço
quem vós está procurando;
si é Joaquim Ventania )
no São Paulo está morando. ) bis

Ainda ele me disse
ao depois tornô a dizê,
que pra saí de São Paulo )
só se fô quando morrê. ) bis

Ela baixou a cabeça
as lag’mas pegô a pingá:
- Eu bem falei a meu pai )
qu’eu não queria casá. ) bis

Não sei se é praga de pai,
ou praga de algum parente;
antes tivesse morrido )
no dia do casamento. ) bis

Ventania quando soube
quase morre de chorá;
- Barquero, eu quero passá
qu’eu vô pra Ribeirão Preto
hoje pretendo chegá.

Jogue a barca na água,
não é bom facilitá
que o rio ‘stá muito cheio )
e começando a ventá. ) bis

O barquero entristeceu,
logo pegô a chorá:
- Aqui fica o meu calçado )
pra outro que vim calçá ) bis

Chegô no meio de rio
a barca pegô a rodá
e a canoa tomô água
logo pegô afundá;
e Ventania chorava:
- Barquero, deve rezá!

Adeus, rio do Pontal!
Adeus, porto de Mogi!
Ah! Que dois porto danado, )
foi até nos consumi! ) bis


(Souza, Osvaldo de. Música folclórica do médio São Francisco, v.2, p.110-111)

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