Agosto
2001
Ano III - nº 36 |
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FESTA DA CUMEEIRA
(Die Richtfest) |
Quando o madeiramento para colocar o
telhado fica inteiramente armado é a oportunidade de fazer a Festa da Cumeeira. Ramos e
palmas são amarrados em várias partes salientes do madeiramento, os operários, quando
menos, pedem as cervejas comemorativas se o proprietário não deseja festejar com
desafogo. Via de regra a praxe é seguir o costume regional: convidar os amigos e
comemorar com churrascada suculenta a armação da cumeeira. Consta nos bastidores dos
supersticiosos que a festa da cumeeira traz boa sorte.
Por outro lado consiste em motivo de exibição da vaidade e da satisfação de quem está
construindo. Muito amigo das reuniões, com bebidas, o teuto-brasileiro mantém a sua Die
Richtfest e mantendo-a mata dois coelhos com uma paulada: reune-se com boa rodada de
amigos para um churrasco, à sua maneira, e também conquista a boa sorte para a sua
construção.
Embora a parte diversional seja importante na festa da cumeeira, percebe-se por outro lado
que os construtores e os operários de construções civis, não dispensam a folhagem
amarrada nas saliências do madeiramento, especialmente, nas extremidades.
lndagados da finalidade respondem com precisão sobre boatos que ouviram algures: "o
dono da construção não quis comemorar a festa da cumeeira e, os operários também não
deram a devida importância a praxe de, ao menos, pregarem um galho de árvore à cumeeira
para espantar o espírito do mal. O resultado da indiferença não demorou: um operário
caiu do madeiramento ao solo e perdeu a vida.
Daí ser praticada a ornamentação com folhagem, anunciando que a construção chegou à
cumeeira, mais por parte dos operários que mesmo do proprietário. Satisfação de
crença. Garantem-se de modo imaginoso que estão livres das ciladas do mal, da
infelicidade de um acidente ou defendidos contra o sortilégio.
A festa da cumeeira pode ser notada tanto nas áreas urbanas como nas rurais. A
sofisticação da aludida festa é circunstância natural; já assistimos festa da
cumeeira que foi aproveitada coleta de fundos financeiros para fim nobre; assim não é
desvirtuamento no entender dos seus festejadores, que sirva também para solução
político-partidária ou quejandas. Não é popular tomar-se parte em uma delas que ocorra
cerimônia particular com referências à cumeeira ou à colocação do telhado. A
folhagem pregada lá em cima notifica na paisagem o festivo. Quem crê em bruxas entende
que dali elas estão afastadas pelas palmas amarradas ou pregadas no madeiramento; quem
não crê entende apenas que ali o churrasco e a cerveja vão reunir um punhado de amigos.
A sofisticação corre portanto do grupo reunido pela finalidade de festejar a cumeeira.
(Jamundá, T. C. ... "Do folk teuto-brasileiro". Em Boletim
da Comissão Catarinense de Folclore. nº 22, ano VI, Florianópolis, janeiro de
1956) |
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