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DANÇA DO CAFÉ

Os problemas educacionais não podem ser considerados quase exclusivamente do lado intelectual. Isto é uma falha. A educação compreende aprimoramento físico, intelectual e moral a um só tempo. Assim sendo consideramos a dança entre muitos outros meios, aquele que pode aperfeiçoar as qualidades físicas e funções correlatas, e o desenvolvimento de atributos sociais e morais. Não será exagero dizer que a dança entre as atividades físicas é das que mais concorrem para o aperfeiçoamento do ser humano.

O seu valor físico é indiscutível, o trabalho de equipe nas danças em conjunto exige solidariedade e cooperação, domínio de si mesmo, iniciativa, disciplina, ao mesmo tempo favorece as relações pessoais e formação de amizades e companheirismo de grupo.

As funções mentais são exercitadas e desenvolvidas na dança: a imaginação, a atenção, o raciocínio, a memória. É uma aprendizagem ativa.

Considerando todos os elementos disponíveis que a dança tem para a formação do educando, temos pesquisado e revivido algumas danças já extintas, através do Grupo de Danças Parafolclóricas Cidade Menina-Moça.

Este tem sido o nosso esforço: conservar as tradições, a preocupação pela busca de nossas raízes, o respeito pelas legítimas manifestações do passado.

Nossas tradições precisam ser preservadas, transmitidas aos nossos alunos, às nossas crianças, pois a elas cabe perpertuá-las e difundi-las num sincero anseio de brasilidade e amor pátrio.

Passaremos a descrever a Dança do Café.

Como a maioria dos nossos primeiros colonos eram descendentes de italianos, povo alegre, amante da música, do canto e da dança, não seria de estranhar que fossem para o trabalho rural cantando, e, por que não? Que dançassem durante ele para retemperar a alma, saudosa da pátria distante.

A dança dá idéia de camponeses indo para o trabalho, num trajeto que interrompem para dançar. À coreografia seguem-se gestos realizados na colheita, correspondentes a: colher o café, mexê-lo na peneira, abaná-lo, sacudi-lo e amontoá-lo. Terminam festejando a colheita.
Usam peneira, objeto indispensável ao mister.

INDUMENTÁRIA

Damas:
Saia estampada ampla, com babado na barra.
Blusa cor lisa, mangas fofas e babado no decote.
Lenço na cabeça, sob o chapéu de palha.
Avental em tecido de algodão branco.

Cavalheiros:
Calças de brim cáqui ou listrado.
Camisa listrada ou de cor lisa.
Lenço colorido, usado no pescoço.
Chapéu de palha.
Todos com calçado de couro rústico ou sapatos "roda" coloridos.

MATERIAL

Mulheres: peneiras.

Homens: pedaços de pau finos de 50 centímetros para a colheita.

Instrumentos: acordeão, violões, percussão.

COREOGRAFIA
Posição Inicial

cafe1.gif (1417 bytes)

Damas munidas de peneiras e cavalheiros, de bastões.

1ª figura: saltitando na ponta dos pés, no ritmo da música, damas e cavalheiros passam intercalados em fila (posição inicial, mudando a posição uma fileira com a outra (música inteira uma vez).

2ª figura: saem pela lateral, formando duas rodas. (2ª vez a música).

3ª figura: damas ao centro da roda, voltam cavalheiros ao centro e voltam à posição inicial (3ª vez a música para as damas, 4ª vez a música para os cavalheiros).

4ª figura: os pares se deslocam formando uma grande roda realizam movimento de apanhar, cavalheiro simula segura o galho da planta e com o bastão bate sobre o mesmo, fazendo os grão caírem sobre a peneira, que a dama segura. (5ª vez a música).

5ª figura: em roda, cavalheiro sapateia e dama saltitando abana o café. (6ª vez a música).

6ª figura: em roda, cada par toma a peneira nas mãos, saltitando, por duas vezes, dão uma volta completa em si mesmo, sem soltar a peneira. (7ª vez a música).

7ª figura: peneiras no chão entre os dois, os pares dão-se as mãos e dançam em torno dela. (8ª vez a música).

8ª figura: de mãos dadas, saltitando, os pares vão ao centro e voltam à grande roda (4 passos para ir, 4 passos para voltar), 2 vezes. (9ª vez a música).

9ª figura: no 2º vaivém da 8ª figura os pares se posicionam em 3 rodas. (10ª vez a música).

10ª figura: uma dama e dois cavalheiros se abaixam, segurando-se firmemente nos ombros (11ª vez a música).

11ª figura: a dama que ficou saltitando fora do trio se deita sobre os braços unidos, os três se dão um tempo de preparo e se levantam com a dama sobre os braços. (12ª vez a música).

12ª figura: os três unidos firmemente giram para direita (13ª vez a música) e para a esquerda (14ª vez a música).

13ª figura: abaixam-se, a dama volta ao chão, todos os pares saltitando dão-se as mãos. (15ª vez a música).

14ª figura: numa única fila vão à frente, voltam ao centro, ao fundo, ao centro (rostos sempre voltados para o par). (16ª vez a música).

Final: Saem 3 pares para cada lado saltitando, mãos dadas.


(MANZOLLI, Maria Aparecida de Araújo. In Anuário do folclore)

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