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O GALO CAIU

Brinquedo sedentário. Um galo e dose pintos, isto é, uma pedrinha maior e outras menores, de preferência achatadas ou feitas de cacos de pratos, arredondadas no cimento da calçada. Os jogadores, quantos fossem, sentados no chão, convencionavam as condições do torneio: - Três em cima, três em baixo, galo caiu, balanço, ou – um em cima, um em baixo, galo caiu, etc. Essas eram as faltas que, com exceção do galo-caiu, podiam variar ou mesmo não ser computadas. Quem incidisse numa delas perdia o jogo e passava adiante. O jogador arrumava as pedras na palma da mão para cima, procurava aparar o galo e a maior quantidade de pintos, contanto que nem o galo caísse nem os pintos, ou os que caíssem correspondessem ao número proibido, pena de passar o jogo a outro.. Mais uma vez eram as pedras jogadas para o ar, e agora colhidas com a palma da mão, já aí não se admitindo o balanço, que era, no caso, a queda de uma ou mais. Se tudo corria bem, o jogador separava os pintos ganhos, isto é, aqueles que colhera, e passava a manobrar com os restantes, que jaziam no chão, na posição em que houvessem caído, deste modo: - Atirando o galo para cima, rápido o jogador apanhava uma quantidade tal de pintos, que nem fosse igual nem deixasse no chão o número proibido, e com eles na mão, aparava o galo na sua descida. Cumpria ainda, se o balanço contava como falta, que o jogador, ao apanhar os pintos para a espera do galo, não balançasse de leve sequer qualquer dos restantes. Se, por exemplo, no jogo de 3 para cima, 3 em baixo, galo-caiu, balanço acontecia ficarem 5 pintos no chão, o jogador tinha de apanhar primeiro um só, para a espera do galo. Assim, ficavam 4 em baixo, isto é, no chão, e 1 em cima, ou seja, na mão. Na jogada seguinte, ou apanharia de uma vez os 4 restantes, ou exatamente 2, terminando então com os dois últimos, tudo sem balançar qualquer deles antes de apanhá-los. Poderia também apanhar 4 da primeira jogada e 1 na última, tudo estava em não aparecerem 3, em cima ou embaixo. Talvez, além das variantes decorrentes das penas ajustadas, outras houvesse desse interessante jogo do galo-caiu, que exigia agilidade e boa visão. Não as conheci, porém, ou já não me lembram.



(SANTIAGO, Paulino. ‘Jogos e brinquedos da minha infância’. Boletim alagoano de folclore.)