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O BERIMBAUIlustração de Marcos Jardim

Berimbau-de-barriga ou urucungo. Instrumento musical dos escravos africanos por eles popularizado no Brasil.

Debret (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo, 1940, I), descreve o berimbau: "Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva, com um fio de latão, sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador, que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda de tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta, que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita "... Na descrição de Debret, falta dizer que a meia cabaça é posta no ventre nu do músico. Algumas varetas têm um pequenino cabacinho, com sementes, fazendo um minúsculo maracá. Ao som melancólico e profundo da corda de latão, percurtida pela vareta, responde a pancada ritmica do maracá, no justo momento do contato com a corda.

O instrumento é conhecido em toda a África setentrional. As caixas sonoras feitas de cabaça são, desde incalculável tempo, utilizadas na Índia, nos instrumentos sagrados bramânicos e búdicos. O povo intermediário para o negro foi o árabe, também grande conservador no gênero.

(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)


A descrição do berimbau, segundo Tiago de Oliveira Pinto, em Berimbau e Capoeira – BA (Documentário sonoro do folclore brasileiro, 46, Funarte, 1988):

"O berimbau é um arco musical mono-heterocórdio. Isto é, sua única corda é feita de um material diferente daquele do arco. Possui uma caixa de ressonância, em geral uma cabaça aberta atada ao arco por um barbante que funciona também como laço de afinação.

O tom fundamental, ou simplesmente a fundamental, depende do ponto de ligação da cabaça ao arco. Mudando-a ligeiramente de lugar o tocador modifica a altura da fundamental. Dessa maneira escolhe-se o ponto que melhor corresponde à qualidade de ressonância da cabaça (em geral a corda é dividida na relação 1:6). O segmento longo da corda é percutido com a baqueta de madeira de uns trinta centímetros de comprimento. Com o dobrão, a antiga moeda de cobre no valor de 40 réis, ou algo equivalente, preso entre o polegar e o indicador da mão esquerda, o músico interrompe a corda, obtendo assim um tom mais agudo. O intervalo que separa a fundamental deste tom situa-se, na maioria das vezes, dentro do âmbito de uma segunda maior. Faz parte do instrumento ainda um pequeno chocalho de cesta, o caxixi. Juntamente com a baqueta o músico segura o caxixi com a mão direita, marcando por conseguinte cada batida com a sonoridade própria do chocalho".

Um outro berimbau

Pequenino instrumento sonoro, feito de ferro (os mais antigos) e de aço (os relativamente modernos). Consta de dois braços que se ligam, arqueando-se com uma lingüeta no meio. Toca-se levando o berimbau à boca, prendendo-o nos dentes e fazendo a lingüeta vibrar, puxando-a com o dedo indicador. Dá-se um som monótono, espécie de zumbido… Foi trazido ao Brasil pelos portugueses.

(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)

 

O berimbau

Era uma vez um rei famoso, que quis escutar todos os instrumentos conhecidos e tocados em seu reino.

Vieram músicos e músicos. Por muitos dias o palácio real se transformou em conservatório musical. E o instrumento que o rei mais gostou de ouvir foi o berimbau. No entretanto, mandou enforcar o seu tocador. É que este, para executar o instrumento, não olhava de frente para o rei, mas torcia o rosto para uma banda.

Isto porque o diabo, que havia ensinado a fazer o berimbau e a executá-lo, muito de propósito inventara que o rosto do tocador deveria ficar torto durante o tempo da execução.

Por essa razão é que todos os tocadores de berimbau, apesar do fato do enforcamento do primeiro tocador de berimbau, trazem o rosto virado para um lado quando tocam esse instrumento.

(TEIXEIRA, José A. Folclore goiano)

Veja também:

- O jogo da capoeira

- Músicas de capoeira

- Seleção de links

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