![]()
|
PEQUENA SILVA DE CANTIGAS SOLTAS Vamos dar a despedida Como deu o bacurau Uma perna no caminho Outra no galho do pau Toda moça que não tem Seu neném para brincar Pode ficar na certeza Que no céu não há de entrar Laranjeira, mãe de choro Ajudai-me a chorar Que perdi o meu benzinho Ajudai-mo a procurar Toda moça que não tem Nos cabelos um penacho Pode viver na certeza Que morrendo vai pro tacho Alecrim na beira dágua Pode estar quarenta dias Um amor longe do outro Não pode estar nem um dia Está roncando trovoada Porém não há de chover Meu amor está doente Porém não há de morrer Manuel, peito de arara Formosura de pavão Tirai a pena do peito Escrevei no coração Manuel, não vá lá fora Que lá fora está ventando As folhas do patieiro Todas estão se derramando Antonico, Antoniquinho Maravilha no chapéu Isto não são maravilhas São estrelinhas do céu Manuel, não vá lá fora Queu lhe posso sustentar Na ponta de minha agulha No fundo do meu dedal Alecrim verde, cheiroso Não sejas enganador Todo amante que é firme Não engana seu amor Lá no alto desta serra Como não vem bonitinho! Traz o seu laço na mão Pra laçar seu passarinho Andorinha pequenina Come fruta no jambeiro Eu quero dormir um sono Na trança de seu cabelo Tenho um lenço de três pontas E também um guardanapo Se o negócio é à porfia Veja que eu desato o saco Laranjeira ao pé da porta Na cama me vai o cheiro Guarda teus olhos, menina Para mim, que sou solteiro Nesse lenço desenhado Vive um terno passarinho Sem ter cuidado de amar Sem pensão de fazer ninho Se nesse lenço pegares Enxuga o lindo semblante Então lembra-te de mim Meu amor firme e constante Olhos de azeitona parda Bem te entendo o teu olhar Bem pode viver seguro Que a outro não hei de amar Cravo roxo, sentimento Mais sentido é que estou Não me cabe no meu peito Amar a quem me deixou Se eu correndo não te apanho Devagar te apanharei Se eu te apanho nos meus braços Em que estado te porei? A perpétua verde parda Nela vive confiada Se o teu amor é firme Não me traz desenganada O amarelo desbota O verde não perde a cor Se me perderes de vista Não me percas do amor A luz daquela candeia Que me deu o desengano Mais vale o amor de uma hora Do que a justiça num ano Eu plantei a madre-silva Da semente da mimosa A cabo de sete anos A madre-silva deu rosa Dai-me dessa lima um gomo Dessa laranja um pedaço E dessa boquinha um beijo Desse corpinho um abraço Se eu soubera que vós vínheis Aliviar minhas penas Achareis casa varrida Semeada de açucenas Sois bonita, sois bem feita Delicada de cintura Sois combatida de amores De mim não andais segura Noite escura me conhece Deve de me conhecer A noite escura bem sabe De meu triste padecer O campo verde se alegra Quando vê o sol nascer Assim se alegram meus olhos Quando te chegam a ver As ondas do mar lá fora São pretas como um limiste Dize-me como passaste Os dias que não me viste? Os dias que eu não te vi Passei miseravelmente Agora que estou contigo Eu vivo alegre e contente Tenho um lenço de três pontas Mais outra por inversão Querem me tirar de um gosto Não sei se me tirarão Arrenego do caminho Que tantas pedrinhas tem Se não foram teus carinhos Cá não viera ninguém Esta noite choveu ouro O diamante orvalhou Mas vem o sol com seus raios Enxugar quem se molhou Alegrias não nas tenho Tristeza comigo mora Se eu tivesse as alegrias Tristeza deitara fora Suspiros sobre suspiros Suspiros por quem se dão? Vede por quem suspirais Não dei suspiros em vão Menina, me dai tabaco Nessa vossa bocetinha Que a minha ficou em casa Fechada na gavetinha Que tão alta vai à lua Que o sereno lhe acompanha Muito triste fica um homem Quando uma moça lhe engana! Cravo roxo dolorido É tempo de florescer Os vossos olhos, menina Me deitaram a perder (ROMERO, Sílvio. Cantos populares do Brasil) |
|
Folhinha
| Festança | Imaginário | Oficina | Palhoça | Colher de Pau |
Panacéia
| Catavento
| Almanaque |