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ADIVINHA OU DESAFIO Luiz Araújo Filho (Recordações gaúchas. 2ª ed. Porto Alegre, 1905), refere um desafio entre um "rapaz de cerca de trinta anos" e o compadre Giloca (Chico Pedro), em que aparece as "adivinhações" ou perguntas para atrapalhar. São as seguintes as quadras (ou oitavas?) do desafio: Rapaz: Já sei que tinhas no peito Assunto pra agrumentar Mas para apanhar um coxo O melhor é vê-lo andar Por isso vais já dizer-me Qual é a flor pretendida Que se dá de amor em graça Porém que nunca é vendida Giloca: Mais devagar pelas pedras Não se apure, que é lançante; Quem anda fora dos pagos Não deve ser arrogante Mas, mesmo assim, eu te afirmo Cá na minha opinião Todas as flores se vendem Só os suspiros se dão Rapaz: Ah! Velho, se és bem ladino E te julgas bom cantor Respondendo a esta pergunta Te declaro vencedor Quero que me digas de pronto Ligeiro, sem titubear Se sabes quantas estrelas Estão no céu a brilhar Giloca: Ninguém abuse dos outros Por mais que seja pimpão Pois sucede ver-se num cuéra A pé, de freio na mão E pois te digo, as estrelas No céu imenso espalhadas São a metade e outro tanto Das mesmas por Deus criadas E se imaginas que eu minto Na quantidade que dei Te desafio a contá-las Para ver que não errei. (SPALDING, Walter. Tradições do Brasil Sul) |
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