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VARRE, VARRE...
Nota-se
aqui, como em quase todos os casos de similaridade entre brincadeiras das duas regiões, o
desaparecimento do caráter musical, tão freqüente no nordeste, substituído, no Estado
do Rio de Janeiro, pela simples declamação ou enunciação rítmica.
Este Varre, varre, recolhido, difundido em todo o norte do Estado do Rio de
Janeiro, muito se assemelha ao Belilisco, recolhido em Pernambuco.
Nas mesmas fontes, dele encontrei e apresento pela ordem de aritigüidade, três formas de
texto, devidas, provavelmente, a sua modernização ou atualização.
As crianças espalmam as mãos sobre a mesa ou no chão, e o mestre finge varrê-las,
declamando:
1
Varre, varre, vassourinha,
Varre o quarto da rainha,
Se varrê bem varridinha,
Ganhe um vintém...
2
Varre, varre, vassourinha,
Varre a casa da vizinha,
Quem varrê bem varridinha,
Ganha um tostão (bolinho)...
3
Varre, varre, vassourinha,
Varre bem esta casinha,
Quando a sua mãe vié,
Achá bem limpinha...
Passa então a "contá-las", como num pique, beliscando-lhes levemente o dorso,
ao ritmo das palavras:
1, 2
Bico sirico,
Ouro em prata,
Belisca na mão (a mãozinha)
Da rica mulata...
3
Vassourinha dormidô,
Qué varrê o corredô...
Tico tirico,
Barata sem bico...
Firmando o beliscão na mão em que termina a contagem, o mestre bate com ela na
mesa, ritmadamente, enquanto repete as duas últimas linhas, terminando por excluí-la.
A brincadeira recomeça, quantas vezes sejam necessárias, até libertar todas as mãos.
(Rodrigues, Anna Augusta. Rodas brincadeiras e costumes, p.227)
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