Jangada Brasil, nº 44, abril de 2002: Almanaque – 1/3

O Brasil visto por Jean-Baptiste Debret

Oito anos após a chegada da família real portuguesa ao Brasil, o Rio de Janeiro recebe em 1816, sob o patrocínio de dom João VI, a Missão Artística Francesa com o objetivo de fundar uma Academia de Belas Artes. Entre os seus membros mais ilustres, está Jean-Baptiste Debret, um nome respeitado em toda a Europa.

Pintor, desenhista e gravador, Debret nasceu em Paris no dia 18 de abril de 1768. Pertencia à burguesia francesa culta e esclarecida; seu pai, escrivão do Tribunal de Paris, dedicava grande interesse à história natural e às artes. Debret fez seus primeiros estudos de pintura em Paris, viajou pela Itália para completar sua educação e, em 1785, cursou a Academia de Belas Artes, obtendo um prêmio de pintura.

Mais tarde, tornou-se professor de desenho da Escola Politécnica. Em 1798, participou do Salon de Paris, conquistando o segundo prêmio com o quadro O general Messeniano Aristomeno. Em 1816, engajou-se na missão artística, organizada a pedido de dom João VI, com destino ao Brasil.

A instalação da Academia de Belas Artes, no entanto, enfrentou vários obstáculos; o certo é que levou dez anos para conseguir uma sede definitiva. Temperamento combativo e trabalhador, Debret lançou-se a uma obra de observação e estudo da formação política e cultural da nova pátria.

Desenhista oficial da corte, fixou os costumes, usos e paisagens do Brasil, criando um documento histórico de importância fundamental para a recriação da nossa realidade na primeira metade do século XIX. Não se limitou à sua excepcional habilidade como desenhista; reuniu notas e organizou um vasto material sobre aspectos econômicos, políticos, sociais, geográficos, etc.

Durante os quinze anos que permaneceu no Brasil, desenvolveu um trabalho sem trégua. Sua objetividade e imparcialidade na fixação das características da vida brasileira causou escândalo na corte. Ao desenhar e descrever cenas da realidade em que vivia o escravo, despertou a inimizade e a oposição dos mais conservadores.

Em 1831, voltou para a França, levando seu aluno Manuel de Araújo Porto Alegre, para que este se aperfeiçoasse nos estudos. Três anos depois, publicou Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Ao retratar da vida da corte ao comércio de escravos, das cenas urbanas à riqueza da flora, dos costumes indígenas aos detalhes da arquitetura, Debret uniu, em seu trabalho, valor artístico e científico.

  Observações geográficas
O Brasil compreende uma grande parte da América meridional; estende-se desde a embocadura do Oiapoque, a 4º 18’ de latitude norte até para além da foz do Rio Grande do Sul, a 34º 35’ de latitude austral; e do cabo de São Roque, no oceano Atlântico, a 37º de longitude até a margem direita do Javali, afluente do rio Amazonas, a 71º 30’ de longitude oeste.

Esta bela parte do Novo Mundo tem, no seu maior comprimento, 925 léguas e 825 na sua maior largura.

A extensão das costas desse Império é ao que se afirma de 1.300 léguas.

Suas baías mais belas são, de norte a sul: as de São Marcos, São José, Bahia, Rio de Janeiro e Santos.

Os limites políticos do Brasil são: ao norte a República de Colômbia, as Guianas francesa e espanhola; a leste o Oceano; ao sul, a República de Buenos Aires; e ao oeste o Paraguai, o Peru e a Colômbia.

São seus limites naturais: o Oceano, os rios da Prata, Uruguai, Paraná, Paraguai, Guaporé, Mamoré, Madeira, Javali, Amazonas, Japurá e Oiapoque.

A forma de governo é a monarquia hereditária. Absoluta quando da elevação da colônia a reino, em 1815, passou a constitucional representativa a partir de 1822, quando se transformou em Império.

A religião dominante é o catolicismo apostólico romano. O Império do Brasil possui um arcebispado, dois bispados e dois vigários gerais.

Divide-se o país em 18 províncias: Pará, Maranhão, Piaui, Ceará, Rio Grande, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, São Pedro, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

Província do Pará

Esta província é limitada ao norte pela Colômbia, Guianas francesa e espanhola e oceano; à leste pelo Maranhão; ao sul pelas províncias de Goiás e Mato Grosso e pelo Peru; ao oeste pelo Peru e pela Colômbia.

A cidade episcopal de Belém é a sua capital e se situa à margem oriental do rio Tocantins, a 1º 27’ de latitude sul e a 50º 52’ de longitude oeste.

Esta província se divide em três comarcas.

A primeira, do Pará constitui-se das cidades de Belém, Bragança, Santarém, Colares, Souzel, Macapá, Vila Viçosa, Melgaço, Gurupá, Rebordelo, Ourém, Óbidos e Pombal.

A segunda comarca, de Marajó, tem como cidade principal Monforte ou Joanes; Monçarás, Salvaterra., Soure e Chaves são as outras cidades.

A terceira comarca é a do Rio Negro, compreendendo as cidades de Barcelos, Borba, Moura, Serpa, Silves e Tomar; a cidade de Barra é esidência do ouvidor.

Apesar dos pantanais que cobrem em grande parte a província, devem-se citar es seguintes produtos principais: cacau, madeiras de tinturaria, algodão, arroz e certas ervas medicinais.

O mar que banha as suas costas é duplamente perigoso, por ser continuamente – agitado e pelos baixios que se escondem ao navegador.

Província do Maranhão

Limita-se ao norte com o oceano, a leste com o Piauí, ao sul com Goiás e ao oeste com Goiás e Pará.

É capital da província a cidade episcopal de São Luís, situada na parte ocidental da Ilha de Maranhão, a 2º 29’ de latitude meridional e 1º 19’ de longitude ocidental.

A províncía do Maranhão tem apenas uma comarca, compreendendo as cidades de Maranhão, Alcântara, São Bernardo, Caxias, Guimarães, Itapicuru-Mirim, Icatu, Monção, Passo de Lumiar, Pastos Bons, Jutoia, Viana, Vinhares e Julgado de Miarim.

Aos produtos desta província, que são os mesmos da precedente, deve-se acrescentar a fabricação da goma elástica.

Província do Piauí

Limita-se ao norte com o oceano; a leste com Ceará, Pernambuco e Minas; ao sul com Minas e Goiás; ao oeste com Maranhão, de cujo arcebispado depende.

Contam-se entre os seus produtos principais as madeiras de tinturaria e o algodão.

Oeiras é a capital; situa-se à margem de um pequenino rio que, uma légua adiante, desagua no Canindé; encontra-se a 7º 5’ de latitude sul e 39º 30’ de longitude oriental.

Esta província tem apenas uma comarca que compreende as cidades de Piauí, Paraíba, Valença, Marvão, Jerumenha, Campo Maior e Paranaguá.

Província do Ceará

É limitada ao norte pelo oceano; a leste pelas províncias de Rio Grande e Paraíba; ao sul pela de Pernambuco e ao oeste pela de Piauí.

Fortaleza é a capital, situada à beira-mar, a 3º 28’ de latitude e 2º 32’ de longitude oriental.

Esta província se divide em duas comarcas. A primeira, do Ceará, compreende as cidades de Fortaleza, Aracati, Arouches, Aquiraz, Granja, Monte-mór-o-novo, São Bernardo, Sobral, Souré, Vila da Imperatriz, Vila Viçosa Real, Vila Nova del Rei e Mecejana.

Com os mesmos produtos que as outras províncias de que já falamos, soube ela, de seis a sete anos a esta data, tirar ainda partido de uma resina, espécie de cera extraída de um coqueiro, com a qual se fabricam velas notáveis pela sua brancura. Acrescentou assim um novo ramo de indústria a seu comércio já muito extenso.

A segunda comarca.é a de Crato e compreende as cidades de Crato, São João do Príncipe, Campo Maior de Queixeramobim, Icó, Santo Antônio do Jardim, São Vicente das Lavas e São Mateus.

Província do Rio Grande

Esta parte do Brasil, cujo principal comércio tem por base o açúcar e o algodão, é limitada ao norte e a leste pelo oceano; ao sul pela província de Paraíba e ao oeste pela do Ceará.

É sua capital Natal, muito vantajosamente situada na margem esquerda do Rio Grande, a meia légua de sua foz, a 5º 26’ de latitude e 7º 24’ de longitude oriental.

Tem uma única comarca compreendendo as cidades de Natal, Arez, Extremo, Porto Alegre, São José, Vila Nova da Princesa, Vila Nova do Príncipe e Vila Flor.

Província de Paraíba

O açúcar, as tábuas para caixotes e as madeiras de construção, constituem os produtos mais importantes desta província que é limitada ao norte pela de Rio Grande, a leste pelo oceano, ao sul pela de Pernambuco,. e ao oeste pela de Ceará.

Paraíba, sua capital, acha-se situada na margem esquerda do rio do mesmo nome, a três léguas abaixo da embocadura, a 6º 47’ de latitude e 8º 2’ de longitude oriental.

Tem apenas uma comarca que compreende as cidades de Paraíba, Pilar, Alhambra, São Miguel, Monte Mor, Vila Real, Pombal, Vila do Conde, Vila Nova de Sousa, Vila da Rainha, Vila Real do Brejo da Areia.

Província de Pernambuco

Notável pela beleza de seu açúcar e de seu algodão, reputados de primeira qualidade, a província de Pernambuco acha-se limitada ao norte pelas do Ceará e do Paraíba; a leste pelo oceano; ao sul pelas províncias de Alagoas e Minas Gerais e ao oeste pela do Piauí.

Tem por capital a cidade de Recife, situada à beira-mar a 8º 16’ de latitude e 8º 13’ de longitude oriental. Divide-se ela em três bairros. com os nomes de Recife, Santo Antônio e Boa Vista.

Esta província tem três comarcas. A primeira, de Olinda, compreende a cidade do mesmo nome, com sede episcopal, e as de Iguaruçu, Limoeiro e Pau d’Alho. A segunda, de Recife, compreende a cidade do mesmo nome e as de Santo Antão, Seriem, Santo Antônio do Cabo e Santo Agostinho. A terceira, do Sertão, constitui-se das cidades de Guarabeí, Flores, Simbres e as aldeias indígenas de Real de Santa Maria e Assunção.

Província de Alagoas

Limita-se ao norte com Pernambuco; a leste com o oceano; ao sul com Sergipe e ao oeste com Goiás.

É sua capital a cidade de Alogoas, situada do lado meridional da Lagoa Mangaba, a 10º 19’ de latitude e 6º 20’ de longitude oriental.

Esta província tem apenas uma comarca, compreendendo as cidades de Alagoas, Rio, São José, Coxim, Porto Calao, Penedo, São João, Anadia, Maceió, Vila Real da Atalaia e Porto de Pedras.

Açúcar e algodão, menos reputados que os de Pernambuco, constituem seus principais produtos.

Província de Sergipe

Tem por limites: ao norte, Alagoas; a leste, o oceano; ao sul, Bahia, ao oeste, Goiás.

Sua capital é São Cristóvão, situada perto do Rio Paramopanã, a 5 léguas de distância do mar e a 11º 46’ de latitude e 5º 34’ de longitude oriental.

Tem apenas uma comarca que compreende as cidades de Santo Amaro das Brotas, Lagarto, Santa Luzia, Tomar, Itabaiana, Propriá e Vila Nova do Rio São Francisco.

Os produtos são os mesmos que os de Alagoas.

Província da Bahia

Limita-se ao norte com Sergipe; a leste com o oceano; ao sul com Espírito Santo e Minas Gerais; ao oeste com Goiás.

Sua capital, São Salvador, sede de arcebispado, acha-se situada na parte oriental da Baía de Todos os Santos, a 12º 58’ de latitude e 5º 15’ de longitude oriental.

Divide-se em quatro comarcas.

A primeira, de Bahia, compreende as cidades de São Salvador, Abadia, Mirandela, Abrantes, Pedra Branca, Água Fria, Santo Amaro da Purificação, Pombal, Soure, São Francisco da Barra, Sergipe do Conde,.Nossa Senhora de Nazaré, Jaguaribe, Itapicuru de Cima, Inhambupe de Cima, Vila do Conde, Maragogipe, Vila Nova de Santo Antônio del Rei, Cachoeira.

A segunda comarca, de Porto Seguro, compreende a cidade do mesmo nome e as de Alcobaça, Vila Verde, Caravelas, Belmonte, Vila Viçosa, Trancoso, Porto Alegre, Prado, São Mateus.

A terceira comarca, de Ilhéus, compreende as cidades de São Jorge, São Miguel da Barra, Rio das Contas, São Sebastião de Maraú, Nova Olivença, Valença, Camamu, Igrapiapunha, Cairu, Serinhaém, Boipeba e Santo André de Santarém.

A quarta comarca, de Jacobina, compreende as cidades de Jacobina, Santo Antônio do Urubu de Cima, Vila Nova da Rainha, Vila Nova do Príncipe e Rio das Contas.

A natureza parece ter dado a esta província todos os elementos da prosperidade, algodão, vidraria, cordagens, cerâmica, mandioca, café, cocos e tabaco, ramos de comércio que contribuem para a sua riqueza. Acrescentem-se os deliciosos ananases, o azeite dendê, as laranjas de umbigo e as seletas, enviadas ao Rio de Janeiro expressamente para a mesa do soberano, e, para exportação de todos esses produtos, um porto de mar como capital, que se torna o entreposto geral de toda a província, e sem dificuldade se compreenderá toda importância da florescente província de Bahia.

Província de Espírito Santo

Menos fértil talvez que a precedente, mas rica de outros produtos como o açúcar, a seda, os peixes secos, essa província é notável pela sua atividade. Limita-se ao norte com Bahia, a leste com o oceano, ao sul com Rio de Janeiro e ao oeste com Minas Gerais.

É sua capital a cidade de Vitória, situada na costa ocidental da ilha do mesmo nome, na baía do Espírito Santo a 20º 18’ de latitude sul e 2º 46’ de longitude oriental.

Esta província compreende as cidades de São Salvador dos Campos, Benevente, São João da Barra, Almeida, Guararaperim, Espírito Santo e Itapemirim.

Província do Rio de Janeiro

Esta província tem por limites: ao norte, a de Espírito Santo, a leste, o Oceano, ao sul, a de São Paulo e a oeste, a de Minas Gerais.

Produz café de primeira qualidade, açúcar, aguardente de cana, mandioca, trigo de Turquia e possui inúmeras olarias.

É capital da província a cidade de Rio de Janeiro, situada a três quartos de légua da entrada da soberba baía que lhe serve de barra, a 22º 45’ de latitude e 3º 25’ de longitude (contados da ponta ocidental da Ilha de Ferro); é a residência da Corte e a sede dos tribunais superiores.

A única comarca da província compreende as cidades de São Sebastião, Cabo Frio, Santo Antônio de Sá, Resende, Magé, São João do Príncipe, Vila Nova de São José, Vila Real de Praia Grande, Santa Maria de Maricá, Pati do Alferes, São João de Macaé, Angra dos Reis da Ilha Grande, São Pedro de Cantagalo, Nova Friburgo, São Francisco Xavier de Itaguaí e Valença.

Província de São Paulo

Tem por limites: ao norte Goiás e Minas, a leste Minas Gerais, Rio de Janeiro e o oceano, ao sul Santa Catarina e a oeste Paraguai e Mato Grosso.

São seus produtos principais o café, o vinho, a mandioca, o milho e tabaco; seus cavalos e mulas são muito procurados. Criam-se nos vastos campos de Curitiba e são objetos de importante comércio.

É’ sua capital a cidade de São Paulo, situada a 23º 33’ de latitude e 3º 28’ de longitude ocidental. Possui sede episcopal.

A província divide-se em três comarcas.

A primeira compreende as cidades de São Paulo, Santos que produz o arroz mais apreciado do Brasil e é o entreposto da província de São Paulo e cujas comunicações com o planalto são favorecidos por uma magnífica estrada pavimentada, aberta na rocha viva, através da alta cadeia de montanhas chamadas Serra de Paranaguá. As outras cidades desta primeira comarca são: Itanhaém, São Sebastião, Cunha, Vila Bela da Princesa, Parnaíba, Ubatuba, Jundiaí, São Vicente, São João Atibaia, Nova Bragança, Jacareí, Lorena, São José Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Mogi das Cruzes, Taubaté, São Miguel das Areias.

A segunda comarca, de Itu, compreende as cidades de Itapetininga, Sorocaba, Apiaí, São Carlos, Itapeva e Porto Feliz.

A terceira, de Paranaguá e Curitiba, compreende as cidades de Paranaguá, Iguape, Curitiba, São José, Guaratiba, Antonina, Castro, Cananéia, Vila Nova do Príncipe.

Província de Santa Catarina

Encontra-se situada entre São Paulo ao norte, o oceano a leste, São Pedro ao sul e o Paraguai a oeste.

É sua capital a cidade de Nossa Senhora do Desterro, localizada na ilha de Santa Catarina, a 27º 35’ de latitude e 5º 28’ de longitude ocidental.

A mandioca, o trigo de Turquia, a cerâmica favorecida pela excelência do barro, os peixes salgados, a cultura do linho, que abastece importante fábrica de tecidos, alimentam o comércio desta província que compreende uma única comarca, com as cidades de São Francisco, Laguna e Lajes.

Província de São Pedro

Esta província é limitada ao norte por Santa Catarina, a leste pelo oceano, ao sul pela província Cisplatina, ao oeste por Buenos Aires.

Sua capital é a cidade de Porto Alegre situada na margem meridional da Lagoa dos Patos, a 30º 2’ de latitude e 8º 27’ de longitude ocidental.

Possui uma única comarca que compreende as cidades de São Pedro, Rio Grande, Rio Pardo, Santo Antônio da Patrulha, Vila Nova da Cachoeira e São Luís da Leal Bragança.

Seu comércio é constituído pelo gado, cavalos em geral excelentes, trigo, linho, mandioca, cerâmica, tecidos de algodão próprios para as vestimentas dos negros, charque, chifres, caudas e couros de bois exportados especialmente para o sul da França.

Província de Goiás

É limitada ao norte pelo Pará e Maranhão; a leste por Minas Gerais, ao sul por São Paulo e ao oeste pelo Mato Grosso.

É sua capital a cidade de Goiás, situada à margem do Rio Vermelho, a 16º de latitude e 5º 41’ de longitude ocidental.

Divide-se em duas comarcas. A primeira é a de Goiás. A segunda, de São João das Duas Barras, compreende as cidades de São João da Palma e São João das Duas Barras.

Esta província quase nada deve à agricultura; sua riqueza consiste em minas de diamante, de ouro, e no comércio das pedras de cores.

Província de Mato Grosso

Limita-se ao norte com o Pará; a leste com Goiás; ao sul com o Paraguai e ao oeste com o Peru.

É sua capital a cidade de Mato Grosso, situada à margem direita do Guaporé, a 15º de latitude e 17º 10’ de longitude ocidental.

Forma uma única comarca compreendendo as cidades de Mato Grosso, Cuiabá, ou Paraguai Diamantino.

Inculta como Goiás, o ouro e as pedras preciosas constituem a sua riqueza.

Província de Minas Gerais

Limita-se ao norte com a Bahia; a leste com Espírito Santo e Rio de Janeiro; ao sul com o Rio de Janeiro e São Paulo; ao Oeste com São Paulo e Goiás.

Sua capital é a cidade de Ouro Preto, situada na encosta meridional da cadeia de montanhas de Ouro Preto, a 20º 25’ de latitude e 32º 18’ de longitude ocidental.

Divide-se em seis comarcas.

A primeira de Ouro Preto, compreende a cidade de Ouro Preto e a de Mariana, sede de bispado.

A segunda de Rio das Mortes, compreende as cidades de São João del Rei, Campanha da Princesa, Santa Mariiz de Baependi, São José del Rei, Queluz, Barbacena, São Carlos de Jacuí, Tamanduá.

A terceira, de Serro Frio, compreende as cidades de Fanado e do Príncipe.

A quarta, do Rio das Velhas, compreende as cidades de Sabará, Pitangui, Caetê.

A quinta, de Paracatu, compreende as cidades de Paracatu e as aldeias de São Romão, Brejo do Salgado, Araxá e Desemboque.

A sexta, do Rio São Francisco, compõe-se das cidades de Campo Largo, São Francisco das Chagas, Pilão Arcado.

Mais feliz do que Goiás e Mato Grosso, esta província vê a indústria aumentar os recursos da natureza. Rica como elas pelas minas de ouro e pedras preciosas, cultiva ainda o algodão e o milho, dedica-se à criação de aves e animais, abastece de queijo o Rio de Janeiro e possui fábricas de tecidos, chapéus e roupas brancas.

(Debret, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil)

 

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