Abril
2001
Ano III - nº 32 |
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Era um rei que tinha anunciado pagar bem
àquele que lhe contasse uma mentira do tamanho do Padre Nosso. Correu ao palácio uma
porção de gente; mas ninguém contava uma mentira do tamanho que ele queria.
Um dia, um amarelo empapuçado, que só vivia na cinza, disse ao pai:
- Meu pai, eu vou contar ao rei uma mentira do tamanho do Padre Nosso.
O pai, a mãe, os irmãos do amarelo, caíram na gargalhada.
- Ora vejam só!... Vai, amarelo! Tomara que o rei mande te dar uma surra. Quando gente
que sabe onde tem o nariz sai de lá de crista murcha, quanto mais, tu, empapuçado...
Porém o amarelo não se importou. Amarrou a trouxa e meteu o pé no caminho Chegando ao
palácio, o rei perguntou-lhe:
- O que é que tu queres, amarelo?
- Rei, meu senhor, não disse que pagava a quem lhe contasse uma mentira do tamanho do
Padre Nosso? Pois eu vim contar.
- Então conta lá, - tornou o rei, fazendo ar de pouco caso.
O preguiçoso começou:
- Meu pai era um homem pobre que vivia de fazer lenha. Já estando velho, cansado de
trabalhar, comprou uma burrinha para carregar a lenha. Tanta lenha carregou, que fez uma
pisadura nas costas da burrinha. Então ensinaram ele que botasse favas na pisadura. Mas
não explicaram se favas secas ou verdes. Ele botou favas secas. Nasceu um faval nas
costas da burrinha. Quando as favas secaram, meu pai a bater com um pau e a burrinha com o
rabo, colheu cem alqueires de fava seca, sem uma pêca. Para encurtar de razões: - meu
pai tem um sino de cortiça, com badalinho de lã, que batendo, daqui a cem léguas se
ouve, por terra chã.
Quando o preguiçoso acabou de contar a mentira, o rei disse-lhe:
- Arre, que essa é maior que o Credo, quanto mais que o Padre Nosso.
(MAGALHÃES, Basílio. O folclore no Brasil) |
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